sábado, 29 de junho de 2013

Perto da separação, Xavi e Iniesta pegam Brasil pela primeira vez

Cérebros da melhor Espanha de todos os tempos devem se separar no ano que vem. Jogar no Brasil foi argumento para Xavi não abandonar a seleção

Por Alexandre Alliatti, Leandro Canônico e Victor Canedo Rio de Janeiro
 
Iniesta Xavi Espanha (Foto: AFP)Iniesta e Xavi: parceria histórica (Foto: AFP)
 
Xavi chegou para Vicente del Bosque, técnico da Espanha, em 30 de junho de 2012, e disse que estava decidido a não jogar mais pela seleção de seu país. Era a véspera da final da Eurocopa. Os dois estavam no gramado do estádio da decisão, em Kiev, na Ucrânia. O bigodão do treinador logo se moveu, em uma reação de surpresa:

- Você está em depressão????
 Não estava. Xavi estava cansado. Cansado de receber críticas, de ouvir comentários de que não era o mesmo, de que não estava jogando bem. Cansado de lidar com dores. E cansado do sistema de jogo, mais preso do que o do Barcelona. Del Bosque precisou bancar o psicólogo. E usou um argumento fatal.

- Que é isso, homem? Você vai jogar o Mundial no Brasil! Como não vai jogar lá?
O diálogo foi relatado pelo próprio Xavi, em entrevista ao jornal "El País". Naturalmente, o meia acabou convencido. Foi cerebral, como de costume, no dia seguinte, quando a Espanha goleou a Itália por 4 a 0 e ganhou nova Eurocopa. E agora está no Brasil: ainda não para a Copa do Mundo, mas para a Copa das Confederações. E para aquele que deve ser o penúltimo grande ato de uma parceria histórica. Como pensar em Xavi sem pensar em Iniesta?

A explosão de um está ligada à ascensão de outro. É assim no Barcelona e na Espanha. São inseparáveis. Os títulos da equipe catalã e da formação europeia estão atrelados à presença da dupla. Eles formam uma linha evolutiva desde meados da década passada. Ambos participaram, como reservas, da frustrada campanha espanhola na Copa do Mundo da Alemanha, com eliminação para a França nas oitavas de final. Mas logo começaram a reagir. E a crescer.

Na final da Liga dos Campeões 2005/2006, antes mesmo do Mundial, nenhum deles começou o jogo contra o Arsenal. Iniesta, porém, foi a campo no segundo tempo, e o Barça venceu por 2 a 1.
 Em dezembro, no Mundial, o gigante catalão foi derrotado pelo Inter. Iniesta já foi titular naquela partida. Xavi foi a campo no segundo tempo. Gol de Adriano Gabiru deu o título aos brasileiros.

xavi e iniesta barcelona gol valencia (Foto: agência Reuters)Ascensão do Barça passou pelo talento de Xavi e
Iniesta (Foto: agência Reuters)
 
Nas temporadas seguintes, eles se firmaram como referências tanto do Barcelona como da Espanha. Ganharam juntos da Alemanha na final da Eurocopa de 2008. Ganharam juntos do Manchester United na final da Liga dos Campeões de 2008/2009. Foram juntos a novo Mundial de Clubes, desta vez com vitória sobre o Estudiantes - Xavi foi titular, e Iniesta, lesionado, ficou fora.
O início da nova década trouxe a consagração definitiva para a dupla. Em 2010, eles comandaram a Espanha em seu primeiro título mundial, sempre como titulares. Pelo Barça, foram novamente campeões europeus sobre o Manchester United. E outra vez campeões do mundo, desta vez com goleada de 4 a 0 sobre o Santos.

A sequência foi mantida em 2012, com mais uma conquista de Eurocopa, no dia posterior ao diálogo em que Xavi comunicou a Del Bosque seu desejo de deixar a seleção espanhola. E agora cá estão eles, no Brasil, para enfrentar o país pentacampeão pela primeira vez.

O jeito é tentar anulá-los. O volante Luiz Gustavo tem essa experiência. Já os enfrentou pelo Bayern de Munique, e a equipe alemã se deu bem - é a atual campeã da Liga. Dá sinais de não temê-los.

- É difícil falar o que eu vou encontrar. Vou me preparar bem. Já tive a chance de jogar contra os dois. Sei a dificuldade e sei que posso fazer de forma a ajudar a nossa equipe. São dois bons jogadores, que têm o respeito do mundo todo. Todo cuidado é pouco. O Xavi distribuiu mais o jogo, e o Iniesta faz mais jogadas individuais. São dois jogadores com os quais precisamos ter cuidado - comentou o volante.

xavi vicente del bosque espanha (Foto: AFP)Xavi foi convencido por Vicente del Bosque a não abandonar a seleção (Foto: AFP)
 
Xavi tem mais de 100 jogos pela Espanha. É um símbolo, junto com Iniesta, da geração mais vencedora que o país já teve. E quase pendurou a camisa vermelha sem ter jogado contra o Brasil. Quase. No domingo, ele terá a chance - e talvez novamente na Copa de 2014, quando dará seu adeus definitiva à Roja.

Agora tenho a oportunidade de jogar contra o Brasil no Maracanã. São 123 jogos, e nunca enfrentei o Brasil! Sempre tenho algo que me motive"
Xavi
 
- Agora tenho a oportunidade de jogar contra o Brasil no Maracanã. São 123 jogos, e nunca enfrentei o Brasil! Sempre tenho algo que me motive - disse o atleta ao "El País".

Iniesta jogou 314 minutos nesta Copa das Confederações, em quatro partidas. Xavi, em três jogos, participou de 287 minutos. Eles têm números parecidos. Cada um deu sete chutes a gol. Iniesta deu 317 passes e acertou 87% deles; Xavi deu 298, com 88% de perícia. O primeiro arriscou 18 lançamentos; o segundo, 19. São quase gêmeos.

Parecidos e inseparáveis, Xavi e Iniesta estarão em campo contra o Brasil às 19h deste domingo, na grande final do Maracanã. A TV Globo, o SporTV e o GLOBOESPORTE.COM transmitirão ao vivo.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/selecoes/espanha/noticia/2013/06/perto-da-separacao-xavi-e-iniesta-pegam-brasil-pela-primeira-vez.html

Na véspera da final, Felipão se arrisca com a bola e orienta time no Maracanã

Antes de enfrentar a Espanha, Seleção faz treino de reconhecimento no palco da decisão. Mesmo gripado, treinador é muito participativo

Por Marcelo Baltar e Márcio Iannacca Rio de Janeiro
 
Felipão com a bola treino reconhecimento Maracanã (Foto: AP)Apesar da gripe, Felipão mostra disposição e corre
com a bola em treino no Maracanã (Foto: AP)
 
Após 32 dias reunida, a seleção brasileira fez, neste sábado, seu último treino neste período de Copa das Confederações. No Maracanã, o técnico Luiz Felipe Scolari comandou um treino leve, de reconhecimento, no palco da decisão, neste domingo, às 19h (de Brasília), contra a Espanha. Na atividade, o treinador confirmou a mesma equipe que iniciou a semifinal contra o Uruguai e até se arriscou com a bola, mesmo gripado, para passar orientações a seus atletas.

O treino serviu para Felipão fazer os últimos ajustes e passar algumas dicas aos jogadores em relação ao adversário deste domingo. Após um rápido aquecimento, o treinador reuniu todo o grupo no centro do gramado e conversou durante alguns poucos minutos.

Em seguida, Scolari ficou apenas com os titulares em uma parte do gramado. O treinador, mais uma vez, usou o dom da palavra. Foram cerca de cinco minutos de conversa, quando foi possível notar o treinador gesticulando o tempo todo, passando orientações a seus jogadores. Logo depois, ele posicionou os atletas e passou novas dicas. Desta vez, no entanto, Felipão se arriscou rapidamente com a bola e mostrou o posicionamento correto que espera de cada titular.

Felipão jogadores treino reconhecimento Maracanã (Foto: EFE)Treinador conversa com os jogadores da Seleção no gramado do Maracanã (Foto: EFE)
 
Por fim, todo o grupo participou de um treino recreativo, em campo reduzido. Apenas o goleiro Julio César treinou à parte, com o preparador Carlos Pracidelli. Fred, Neymar, Hulk e Oscar ainda fizeram uma atividade específica de finalizações, sob o comando do auxiliar-técnico, Murtosa. Paulinho, que foi poupado do treino de sexta-feira por estar gripado, participou normalmente.

Se Felipão não aprontar alguma surpresa, o Brasil vai a campo neste domingo com Julio César, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho e Oscar; Hulk, Neymar e Fred.

Brasil e Espanha decidem a Copa das Confederações, neste domingo, às 19h (de Brasília), no Maracanã. A TV Globo, o SporTV e o GLOBOESPORTE.COM transmitem o jogo. O site detalha todos os lances em Tempo Real.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/selecao-brasileira/noticia/2013/06/na-vespera-da-final-felipao-se-arrisca-com-bola-e-orienta-time-no-maracana.html