quinta-feira, 20 de junho de 2013

Dia de torcedor: 'maior fila do mundo', malabarismo e manifesto do bem

Longe de protestos, público vive clima de festa com 'Parabéns pra você' em terminal de ônibus. Castelão tem poucos voluntários e primeiro hino à capela

Por Janir Júnior Fortaleza

Header_DIA-TORCEDOR (Foto: Infoesporte)

Tinha uma multidão, mas era uma manifestação do bem. Longe dos protestos com bombas, pneus queimados e confronto com a polícia. O pequeno Felipe, de apenas cinco anos, no auge da sua proporção infantil, virou para a mãe e disse que estava na "maior fila do mundo”. Era o começo do caminho que levaria ao Castelão, em ônibus colocados para transportar gratuitamente torcedores de todos os cantos de Fortaleza. Da entrada na fila, às 13h40m, até o interior do transporte coletivo foram 52 minutos. Teve desvio dentro de um estacionamento, sobe rampa, desce rampa e um bronzeado forçado pela espera debaixo do sol num calor de 30 graus - acentuado pela sensação térmica que vinha do asfalto. No caminho até o estádio, era possível se evangelizar com os grupos religiosos, ver pessoas humildes deixarem seus casébres para gritar "Brasil", ouvir bandas de forró e ser convidado para a sessão do circo do Tirulipa. E foi preciso malabarismo para driblar alguns problemas.

Existiram contratempos antes, durante e depois do jogo. Além de dribles nas normas da Fifa dentro do estádio. Mas, ao contrário de muitos protestos que assolam o país e terminam de forma violenta, o dia de torcedor vivido pelo GLOBOESPORTE.COM em Fortaleza, nesta quarta-feira, para o jogo entre Brasil e México, foi a prova de uma manifestação do bem. Mesmo diante dos problemas e pedras no caminho, os torcedores encararam com bom-humor e apelaram para o patriotismo para dar uma injeção de paciência quando foi preciso.

Mosaico Dia de Torcedor (Foto: Janir Junior)

Exatamente às 13h40m, o ponto de ônibus localizado no shopping Via Sul, na Avenida Washington Soares, Zona Sul de Fortaleza, virou um mar de gente. A fila era quilométrica, dobrava a esquina da rua Conselheiro Gomes de Freitas, entrava, subia e descia a rampa de um estacionamento e, enfim, chegava ao ônibus. O forte calor era um obstáculo a mais. Crianças e senhores faziam das bandeiras do Brasil as suas proteções, com os mantos sobre a cabeça.

No meio da fila, uma aniversariante ganhou um coro. Alguns amigos puxaram o ‘Parabéns pra você’ e foram acompanhados por centenas de pessoas, numa festa improvisada e coletiva.

- O negócio é chegar ao estádio, mesmo que demore - dizia um torcedor.
Eram muitos ônibus que saíam de pontos espalhados pela cidade. Os coletivos, mesmo os que partiam do mesmo local, faziam caminhos diferentes para evitar grande fluxo na mesma via. Já os taxistas receberam mapas com todos os pontos de linhas especiais e também bloqueios feitos pela polícia. Mas nem sempre ajudava.

- Uma bússola cairia bem - afirmou o taxista, ainda sem o advento do GPS.
Durante o trajeto, alguns pontos de retenção, mesmo com o fato de nesta quarta-feira ter sido decretado feriado em Fortaleza por causa do jogo. Em uma das paradas, uma pequena Kombi aproveitava para anunciar em alto e bom som a sessão a R$ 10 do circo do Tirulipa.

Caminhada, festa dos excluídos e espera para entrar

Do ponto final do ônibus até o estádio, uma longa caminhada debaixo de forte sol e com a festa dos excluídos. Com as vias isoladas por grades, torcedores de uma comunidade humilde ao longo do trajeto vestiam camisa do Brasil, comemoravam e tentavam encontrar gringos com a pergunta “do you speak english?” ("você fala inglês?").

fila ônibus Castelão jogo Brasil (Foto: Janir Júnior)Vias no entorno do Castelão tinham grades para saparar a fila ds torcida ao estádio (Foto: Janir Júnior)

Duas bandas de forró animavam a torcida, e dois cambistas agiam de forma discreta e sem sucesso. Durante alguns minutos, nenhum torcedor procurou saber o preço das entradas. Próximo ao estádio, torcedores sacavam suas máquinas fotográficas para registrar poses com o Castelão ao fundo.

A entrada no estádio não chegou a queimar o filme, mas não saiu bem na foto. A reportagem do GLOBOESPORTE.COM encarou uma fila de cerca de 25 minutos. Chamou a atenção a pouca quantidade de voluntários. Mas, fora uma dúvida ou outra, as informações foram corretas e não foi difícil achar o assento localizado no nível 1.

Da fila do ônibus no ponto de partida até o momento de sentar na cadeira foram duas horas, um longo tempo para uma distância de cerca de 15 quilômetros.

Falta de cerveja, filas no bar e fumódromo improvisado

Dentro do Castelão, problemas que se tornaram comum na Copa das Confederações. Filas nos bares, fim da cerveja em alguns locais, muitas pessoas em pé no corredor acima das cadeiras do nível 1 - próximas ao campo - e um drible nas normas da Fifa, que proíbe o fumo nos estádios. Torcedores se postaram próximos às roletas de entrada e fumaram seus cigarrinhos sem serem incomodados.


fila lanchonete Castelão intervalo (Foto: Marcos Montenegro)No estádio, mais filas para comprar alimentos na lanchonete durante o intervalo (Foto: Marcos Montenegro)

Durante e depois do jogo entre Brasil e México foi possível perceber torcedores visivelmente alcoolizados, mas sem criarem maiores transtornos. Com a cerveja custando R$ 9, ambulantes credenciados não tinham troco de R$ 1 e fizeram uma bela caixinha.

'Avanço' na saída, vestígios da manifestação e a recordação do hino

A saída do estádio aconteceu de forma tranquila e rápida, apesar do fluxo de milhares de pessoas. No caminho, porém, foi possível ver vestígios da manifestação: grades jogadas no chão, placas e radares depredados. Assim como no trajeto de ida para o estádio, o policiamento era extremamente reforçado. Já não existiam mais filas para pegar os ônibus no ponto final. Era no “avanço”, ainda assim sem maiores confusões. Saindo lotados, os coletivos se deslocavam rapidamente e, em 18 minutos, deixavam o torcedor próximo ao shopping Via Sul, ponto de partida da reportagem.


Dia de Torcedor (Foto: Janir Junior)Torcedor posa com uma das placas que foi depredada durante a manifestação (Foto: Janir Junior)

A alegria pela vitória estava estampada no rosto dos torcedores. Foi quando um deles lembrou o momento mais emocionante da partida, o Hino Nacional cantado à capela por milhares de vozes. Foi a primeira vez nesta Copa das Confederações que o público continuou a canção após a interrupção das caixas de som. Naquele instante, dentro do estádio, foi possível perceber muitas pessoas emocionadas.

- O Hino foi uma manifestação do bem - afirmou o torcedor João Bragança.

No fim, em Fortaleza, o circo do Tirulipa ganhou projeção. O Brasil também. Em mais um teste para a Copa do Mundo, os torcedores fizeram malabarismos para encarar alguns problemas. Para 2014, ficou a certeza de que para o espetáculo ser completo é preciso ajustar. Assim, ninguém fica com cara de palhaço.

'Normais' do Grupo B, Nigéria e Uruguai duelam por vaga na Bahia

Entre potente Espanha e amador Taiti, seleções definem em Salvador quem deve ser o segundo classificado do Grupo B. Forlán chega a 100 jogos

Por Edgard Maciel de Sá, Eric Luís Carvalho e Raphael Carneiro Salvador


Quase tão provável quanto o primeiro lugar da Espanha e a última colocação do Taiti no Grupo B da Copa das Confederações é o caráter decisivo do jogo desta quinta-feira entre Uruguai e Nigéria, às 19h (de Brasília), na Arena Fonte Nova, em Salvador. Entre a potente Fúria e os amadores da Oceania, as duas seleções 'normais' da chave duelam pela chance de chegarem às semifinais do torneio.

Em caso de vitória, a Nigéria deve garantir a vaga e eliminar o Uruguai, já que a Espanha provavelmente confirmará seu favoritismo contra o Taiti na outra partida do grupo, às 16h, no Maracanã. Mesmo derrotado pela Fúria na estreia, o Uruguai deixa a classificação bem encaminhada se ganhar, já que enfrenta os amadores da Oceania na última rodada e os africanos, os campeões mundiais.

treino nigéria (Foto: AFP)Nigéria joga na Fonte Nova podendo garantir classificação com vitória sobre o Uruguai (Foto: AFP)

Mistério na Nigéria

Os nigerianos têm consciência que enfrentarão dificuldades maiores do que na estreia, quando golearam o Taiti por 6 a 1. Diante dos campeões sul-americanos, o treinador Stephen Keshi adotou a tática do mistério e não deu pistas sobre a equipe que vai mandar a campo. Mas a expectativa é que a escalação do jogo da última segunda-feira seja mantida.

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- Se você é um profissional, sua mentalidade é forte, e vai te carregar até o fim do jogo. Então, quero ter certeza de que meus jogadores estejam em suas posições e apenas focados no jogo - afirmou o técnico.

Na cidade com o maior número de afrodescedentes fora do seu continente, a Nigéria espera agora torcida maior a seu favor na Arena Fonte Nova. Na estreia, os mineiros 'adotaram' a seleção do Taiti, e os Águias ouviram até "olé" na troca de passes do adversário.

'Final' para o Uruguai

Forlán coletiva Uruguai (Foto: EFE)Diego Forlán vai chegar à marca de 100 jogos pelo Uruguai (Foto: EFE)

Do lado celeste, a partida também é tratada como uma verdadeira final. E, para vencê-la, o técnico Óscar Tabárez apostou na ousadia. Na última quarta, o comandante confirmou a escalação da equipe com Forlán ao lado de Suárez e Cavani no ataque. O jogador do Internacional, aliás, vai alcançar a marca história de 100 jogos pela seleção.

O treinador não quis revelar o esquema de jogo, mas a tendência é que o Uruguai atue no 3-4-3, variando para o 5-3-2 sem a bola.

- Com base no que vimos dos dois últimos jogos da Nigéria, pelas eliminatórias e a estreia na Copa das Confederações, trata-se de uma seleção ofensiva, veloz e que tem muita técnica individual. Quando eles começam a correr, são muito perigosos, objetivos. Pode ser o jogo da vaga. Será difícil e decisivo para o futuro de cada um na competição. Uma final - frisou.

Em relação à estreia, serão três mudanças: além de Forlán, Álvaro González e Arévalo Rios também vão jogar. Saem Gargano, Diego Pérez e Gáston Ramírez. A Fonte Nova, aliás, trás boas recordações para o Uruguai. Foi no antigo estádio que a seleção conquistou a Copa América de 1983, após empate por 1 a 1 com o Brasil.

- Isso foi há 30 anos. Agora será diferente. Esperamos um jogo muito complicado. Respeitamos a Nigéria, mas queremos vencer para chegar à semifinal - disse Cáceres.

NIGÉRIA X URUGUAI
Vincent Enyeama; Efe Ambrose, Godfrey Oboabona, Kenneth Omeruo e Uwa Echiejile; Ogude, Obi Mikel e Sunday Mba; Anthony Ujah, Ahmed Musa e Nhamdi Oduamadi. Muslera, Godín, Lugano e Cáceres; Maximiliano Pereira, Arévalo Ríos, Cristian Rodríguez, Forlán e Álvaro Gonzálezz; Suárez e Cavani.
T: Stephen Keshi T: Óscar Tabárez
Local: Arena Fonte Nova. Data: 20/06/2013. Horário: 19h.
Arbitragem: Bjorn Kuipers, que será auxiliado por Sander van Roekel e Edwin Zeinstra (trio da Holanda).
Transmissão: SporTV e GLOBOESPORTE.COM.

FONTE:

http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-das-confederacoes/noticia/2013/06/normais-do-grupo-b-nigeria-e-uruguai-duelam-por-vaga-na-bahia.html