segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Emoção e pressão são combustíveis de Bernardo, herói do Vasco


Jogador volta a brilhar após passar novo período no banco de reservas, e técnico diz que sucesso virá com a regularidade

Por Gustavo Rotstein Rio de Janeiro

Bernardo mostra qualidade nas finalizações e cobranças de bola parada, apuradas por empenho nos treinos. Nos jogos, aparece com bom posicionamento e visão de jogo. Mas em São Januário, todos sabem, a frieza passa longe. Ele é quase que exclusivamente emoção. E este parece ser o combustível do jogador de 22 anos, que nesse domingo marcou os dois gols do Vasco na virória por 2 a 1 sobre o Duque de Caxias (veja no vídeo ao lado), garantindo a classificação para a semifinal da  Taça Guanabara.
O meia começou a temporada como um dos destaques do time, marcando quatro gols nas três primeiras rodadas do Campeonato Carioca, sempre como titular. Mas as atuações apagadas nas derrotas para Flamengo e Bangu fizeram a comissão técnica colocá-lo no banco de reservas. Após duas partidas na geladeira, Bernardo teve nova oportunidade de iniciar um jogo. E o tempo afastado da equipe parece ter servido de estímulo para uma atuação decisiva, num capítulo que praticamente simboliza sua trajetória em São Januário, iniciada em 2011.

Precisamos estar bem próximos dele para ajudá-lo a crescer"
Gaúcho

Por conta dessa característica, Bernardo passou a ser considerado um 12º jogador do Vasco. Embora sempre tenha deixado claro que pretende brigar para ser titular, o meia teve suas atuações mais marcantes saindo do banco de reservas. Contra o Duque, ele entendeu que a chance que novamente apareceu deveria ser aproveitada para que pudesse recuperar a vaga de titular. Depois de uma atuação apagada no primeiro tempo, o meia venceu pela perseverança e foi o nome da virada.

- Coloquei na minha cabeça que seria um dia feliz para o Vasco e para mim - disse ele ao final da partida.

Ao comemorar os dois gols, Bernardo se traduziu nos gestos: uma explosão de sentimentos com cambalhota, dança, beijo no escudo e camisa atirada. O técnico Gaúcho reconheceu que enxerga o meia como alguém que responde de forma positiva aos períodos de adversidade.

- Você quer dizer que sob pressão ele funciona, né? Pode ser. Essas oscilações são normais na vida de qualquer jovem que busca logo o sucesso. E o Bernardo está bem próximo disso. Basta conseguir uma sequência de partidas mostrando esse dinamismo. Por isso precisamos estar bem próximos dele para ajudá-lo a crescer - afirmou o treinador.

Bernardo comemora gol do Vasco sobre o Duque de Caxias (Foto: Marcelo Sadio/Vasco.com.br)Bernardo tira a camisa ao comemorar seu primeiro gol (Foto: Marcelo Sadio/Vasco.com.br)

FNTE:

Menor diz ter disparado sinalizador: 'Me sinto a pior pessoa do mundo'


Fantástico localiza corintiano que teria causado morte de Kevin. Ele afirma que não protege ninguém, e será apresentado nesta segunda à Justiça

Por Fantástico São Paulo

O "Fantástico" localizou o torcedor corintiano que teria detonado o sinalizador naval responsável pela morte do torcedor boliviano. Ele será apresentado nesta segunda-feira à Justiça por orientação do advogado da torcida organizada Gaviões da Fiel.

Sempre ao lado da mãe, o jovem falou com exclusividade ao repórter Valmir Salaro.

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Ele tem 17 anos, é o terceiro dos seis filhos de uma família humilde. Quase quatro dias depois da tragédia na Bolívia, o garoto está novamente ao lado da mãe. Ele decidiu contar a versão dele para o que aconteceu na noite da última quarta-feira. Como é menor de idade, não pode mostrar o rosto.

Repórter: O que aconteceu?
Jovem: Bom, naquele exato momento lá que o sinalizador disparou, nós estávamos comemorando o gol. Eu trouxe o sinalizador na minha mochila, estava dentro de uma sacola, eu fui acender, para mim, era como se fosse um igual aos outros. Eu tirei a tampinha em cima, puxei a cordinha embaixo e não aconteceu nada. No momento que eu fui puxar de novo, eu estava manuseando, não sabia como manusear, puxei pela segunda vez e disparou, foi para a torcida boliviana.


Repórter: Você fez mira pra atingir a torcida?
Jovem: Não, não fiz nenhum tipo de mira. Estava apoiado na minha mão assim. Para mim só ia acender e pronto, não sabia que o negócio ia sair voando assim ou algo parecido.


Repórter: Você viu quando acertou no menino?
Jovem: Não, não. No intervalo do jogo, eu perguntei para os policiais lá se tinha machucado alguém, os policiais falaram que estava tudo bem.Começaram a gritar assassino, falou que nós íamos morrer. Eu perguntei para o policial lá, ele falou: ‘Não, está tudo bem e o menino está bem’. Quando acabou o jogo, nós fomos embora. Nós fomos lá para fora do estádio, esperamos nosso ônibus chegar e embarcamos no ônibus. Só fui ter certeza que ele morreu no ônibus mesmo, só na volta mesmo, que mostraram lá para mim, começaram a falar, entraram na internet. Depois daquele momento, eu falei: ‘minha vida acabou, o que eu vou fazer?’ Eu matei uma criança de 14 anos de idade.


Repórter: E você também não se apresentou como sendo o torcedor que fez o disparo?
Jovem: Não, não porque eu fiquei com medo na hora mesmo de alguma coisa, eu fiquei com medo, não sabia o que fazer, para mim o garoto não tinha morrido, eu pensei que os meninos iam ser soltos no final do jogo. Eu perguntei opinião (de outros integrantes da Gaviões) se eu podia me entregar lá para o pessoal no lugar dos meninos. O pessoal me recomendou: ‘Não, é melhor não se entregar porque nós estamos na Bolívia, você veio com a gente, você é nossa responsabilidade’.

Repórter: Você está confessando que fez o disparo do sinalizador porque realmente você fez isso ou para proteger alguém da torcida?
Jovem: Não, não protegi ninguém não. Eu só quero assumir meu erro mesmo. Porque não é certo as pessoas pagarem por uma coisa que não fizeram, se eu tivesse no lugar delas, também não queria pagar com uma coisa que eu não fiz, ficar preso injustamente.


O adolescente contou que faz parte da torcida organizada há dois anos e que não conhecia os torcedores que ficaram presos, "apenas de vista". O jovem diz que comprou o sinalizador naval na Rua 25 de março, área de comércio popular em São Paulo.

- Fui comprar uns jogos do videogame lá, eu vi um cara vendendo, eu falei: ‘vou comprar um sinalizador para levar para o jogo’.
Para ele, o sinalizador seria usado para chamar a atenção dos outros torcedores da Gaviões.

- Quis buscar um espaço, quis mostrar que eu que fiz aquilo lá, quis fazer uma festa para o Corinthians. Eu amo o Corinthians.

O advogado da torcida organizada Gaviões da Fiel diz que o adolescente vai ser encaminhado à Justiça na tarde de segunda. “Ele vai ser apresentado juntamente com a mãe dele, mas o juiz da Vara Da Infância e Juventude provavelmente aplicará algum tipo de medida sócio-educativa, nesse primeiro momento, e entregará a guarda desse menor à mãe, que responsável e representante legal dele”, afirmou o advogado Ricardo Cabral.

Segundo a especialista em direito internacional Maristela Basso, os dois países têm acordo de extradição, mas isso não se aplica a menores porque Brasil e Bolívia seguem a convenção da ONU sobre os direitos da criança e do adolescente.

- Trata-se de uma criança, um menor para não dizer uma criança, e, portanto, ele é submetido a uma legislação especial, tanto aqui quanto na Bolívia, muito semelhante a legislação, protetiva da criança - ressalta Basso.
O jovem brasileiro pode ter que prestar serviços comunitários ou ficar  apreendido por no máximo três anos.

Repórter: O que você diria pra família do garoto?
Jovem: Primeiramente, perdão mesmo. Não só para a família do Kevin, mas para a família dos meninos que estão presos lá também.


A mãe do jovem diz que, se o filho não se apresentasse como autor do disparo, ela mesma o entregaria à polícia.

- Ele sabe, ele me conhece, ele sabe que eu entregaria ele - diz a mãe do jovem.

Repórter: Se a senhora pudesse ter contato com a família desse garoto, o que a senhora diria para a família?
Mãe do jovem: Eu pediria perdão à mãe, eu sei a dor que ela está sentindo.
 Eu sei que jamais, é uma coisa que mãe nenhuma perdoa, mas eu pediria.
Repórter: A senhora perdoaria se a situação fosse ao contrário?
Mãe do jovem: Eu acho que não.


Repórter: Como você se sente agora?
Jovem: Eu me sinto a pior pessoa do mundo. Não sei mais o que fazer da minha vida. Me arrependo amargamente.


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2013/02/menor-assume-ter-disparado-sinalizador-que-matou-boliviano.html