segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Central do Mercado: novelas de Pato, Robinho e Montillo ganham capítulos


Galliani embarca para o Rio a fim de negociar com clubes brasileiros. Acerto de Vasco e Zé Love é adiado e Botafogo faz reunião por Dagoberto, do Inter

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro

O domingo foi de novelas pelo Brasil afora. E a principal delas vem dando bastante audiência, com dois craques nos papéis principais e quatro grandes clubes interessados. Vice-presidente do Milan, Adriado Galliani embarcou para o Rio de Janeiro, onde passará as festas de fim de ano e negociará com clubes brasileiros a pedido de dois jogadores: Robinho e Alexandre Pato. O primeiro tem Flamengo e Santos como principais candidatos a repatriá-lo. Já Pato é o sonho do campeão mundial Corinthians.
O dirigente italiano, no entanto, já deixou claro que o desejo da dupla não será tão simples de ser realizado.

Robinho Alexandre Pato Milan (Foto: AFP)Vice-presidente do Milan, Adriano Galliani, embarcou para o Brasil para resolver os destinos dos atacantes Alexandre Pato e Robinho (Foto: AFP)

Outra novela que vem tomando o noticiário envolve o apoiador argentino Montillo.
A negociação que pode fazer o jogador trocar o Cruzeiro pelo Santos avançou.
De acordo com o procurador do meia, Sergio Irigoitia, um desfecho está próximo de acontecer. A Raposa é dona de 60% dos direitos econômicos de Montillo, pelos quais o Peixe ofereceu 6 milhões de euros (cerca de R$ 16 milhões), mais alguns jogadores.

No Vasco, mais um dia movimentado envolvendo os prováveis reforços. O acerto com o atacante Zé Eduardo, que esteve no Rio, ficou para depois do Natal. Segundo o empresário Luiz Taveira, ainda existe uma pendência a ser resolvida com o Genoa.

Da própria Itália veio ainda uma notícia nada boa envolvendo o volante Willians, ex-Flamengo e um dos desejos do Cruz-Maltino para 2013. O jogador foi acusado pela imprensa local de ter sido flagrado dirigindo alcoolizado e tentar subornar policiais oferecendo mil euros (R$ 2,7 mil) a cada um para ser liberado por não ter passado no teste do bafômetro. O incidente teria sido no último dia 13 e o jogador terá que responder a um processo.

Voltando ao Brasil, o rebaixado Palmeiras deve se reunir com o volante Marcos Assunção para definir sua renovação de contrato, já que o compromisso se encerra no próximo dia 31. Enquanto o Verdão tenta manter uma de suas principais peças, o rival São Paulo pode perder o zagueiro Rhodolfo.
Segundo o jornal italiano "La Gazzetta dello Sport", três dos maiores clubes da Itália fazem uma disputa pelo jogador: Juventus, Milan e Roma.

Ainda na onda da imprensa estrangeira, o jornal "Olé", da Argentina, divulgou que o Boca Juniors estaria disposto a envolver Viatri numa troca por Martínez, do Corinthians. O clube xeneize, além de oferecer o atacante, pagaria uma quantia pelo argentino do Timão.

 Em Portugal, o jornal "A Bola" afirmou que o volante Elias, ex-Corinthians e atualmente no Sporting, está na lista de reforços do Flamengo. A publicação disse ainda que Dorival Júnior é fã do volante e que as atuações abaixo do esperado pelo investimento feito não devem dificultar a saída do jogador.

Por fim, outra notícia que mereceu destaque neste domingo foi a reunião do Botafogo para ter o atacante Dagoberto, do Internacional. Segundo o diretor executivo de futebol colorado, Newton Drummond, a intenção é esperar o retorno do jogador das férias para traçar seu futuro.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2012/12/central-do-mercado-novelas-de-pato-robinho-e-montillo-ganham-capitulos.html

Lembra Dele? Marinho Chagas vive de passado vitorioso e de mágoas


Em Natal, ex-jogador relembra 'bons tempos' no Bota, Flu e São Paulo, reclama de ter ficado fora das Copas de 78 e 82 e fala sobre a Seleção

Por Tiago Menezes Natal

Marinho Chagas, ex-lateral do Botafogo, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM (Foto: Augusto Gomes/GLOBOESPORTE.COM)Marinho está otimista com a Seleção Brasileira
(Foto: Augusto Gomes/GLOBOESPORTE.COM)

"Roubei a bola do Pelé e dei um lençol nele. No lance seguinte, toquei entre as pernas do Rei." É com um largo sorriso no rosto que o ex-jogador Marinho Chagas, 60 anos, relembra sua estreia pelo Botafogo, em 1972. "O Bruxa", como ficou conhecido nos anos 70, agora sonha ver o Brasil hexacampeão mundial e Neymar eleito o melhor jogador de futebol do planeta.

O melhor lateral-esquerdo da Copa do Mundo de 1974 abriu o coração para falar sobre os momentos mais marcantes da sua carreira vitoriosa, assim como os mais críticos de sua vida pessoal. Marinho revirou o baú da sua memória, deu pitaco na seleção brasileira e aconselhou alguns talentos em risco, como os atacantes Adriano e Jobson.

- Acho que a Seleção está no caminho certo. Os garotos ainda precisam ganhar experiência, mas nós vamos ganhar a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Não tenho dúvida - afirmou.

Para Marinho, Neymar será o próximo brasileiro a receber o prêmio de melhor do mundo da Fifa.

Marinho Chagas, ex-lateral do Botafogo (Foto: Canindé Soares/Cedida)Marinho Chagas é o embaixador da Copa 2014
em Natal (Foto: Canindé Soares/Cedida)

- O Neymar tem tudo para "acabar" com a Copa do Mundo de 2014. Acredito que ele fará como Maradona fez em 1986. O garoto joga muita bola e vai levar o prêmio de melhor do mundo, com certeza. Messi é Messi, e é o melhor atualmente. Mas o moleque ainda é jovem e vai chegar lá também.

De chuteiras penduradas há mais de duas décadas, Marinho Chagas ocupa cargo comissionado na Prefeitura de Natal. No ano passado, foi nomeado pela então prefeita da cidade, Micarla de Sousa, embaixador da Copa do Mundo 2014 na capital potiguar. A pouco mais de um ano e meio do início do Mundial, ele esbanja entusiasmo.

- Durante a Copa do Mundo só vai dar Brasil e Marinho Chagas. A Seleção dentro de campo, e eu fora dele, aqui em Natal.

Estrelato
Depois de encantar potiguares e pernambucanos com as camisas de ABC e Náutico, Marinho chegou ao Rio de Janeiro em 1972, já com o apelido de "Canhão do Nordeste". O empate por 1 a 1 com o Santos de Pelé fez o norte-rio-grandense franzino e loirinho, à época com apenas 20 anos, cair nas graças da torcida alvinegra logo na estreia. Em pouco tempo ele já era o melhor lateral-esquerdo do futebol brasileiro e vencedor de duas edições do prêmio Bola de Prata da revista "Placar". Recentemente, foi indicado ao "Time do Século" do Botafogo e foi homenageado no site oficial do clube (assista ao vídeo acima).

- Já no primeiro jogo pelo Botafogo eu fiz um gol de falta e fui pra galera. O Pelé não gostou do lençol e da caneta que eu dei nele. Disse que eu deveria respeitar o Rei do Futebol. Mandei até ele tomar naquele canto (risos). Mas, no fim do jogo, dei um abraço nele e pedi desculpas.

O súdito abusado de antes virou parceiro de Pelé no fim da década de 70, no New York Cosmos, nos Estados Unidos. Ao lado deles, alguns dos maiores jogadores da história formaram o time dos sonhos de muitos apaixonados por futebol. Franz Beckenbauer, Johan Cruyff e Carlos Alberto Torres eram algumas das estrelas do timaço que popularizou o "soccer" na terra do basquete e do futebol americano.

Irreverente e galã
A famosa e polêmica "paradinha" foi banida do futebol recentemente. Craques como Pelé, Rogério Ceni e Neymar costumavam realizá-la antes das cobranças de pênalti, para desespero dos goleiros adversários. O que nem todo mundo sabe é que Marinho Chagas, com seu jeito irreverente, inovou neste recurso, ainda nos anos 70. E ele não esconde a felicidade ao relatar como se deu o lance, que acabou inspirando jogada executada nos últimos anos pelo chileno Valdivia.

- Aconteceu quando eu estava no Fluminense e o clube fez uma excursão pela Europa para jogar um torneio de verão na Espanha. Quando fui cobrar um pênalti, dei um 360 graus, joguei a perna para o lado e chutei o vento. O goleiro caiu e eu só encostei para a rede (risos). Os espanhóis ficaram boquiabertos, sem saber como eu tinha feito aquilo - lembrou.

Marinho Chagas, ex-lateral do Botafogo, em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM (Foto: Augusto Gomes/GLOBOESPORTE.COM)Aos 60 anos, Marinho está empolgado para a Copa 2014 (Foto: Augusto Gomes/GLOBOESPORTE.COM)

Nesta mesma viagem pelo velho continente, Marinho Chagas realizou uma de suas maiores conquistas amorosas. Ele se vangloria da história e "enche a boca" para dizer que "pegou" uma princesa de Mônaco.

- Eu era bonito e sarado. Loirão de olhos verdes, a princesinha ficou doida quando me viu numa festa com o pessoal do time. Dancei com ela a noite toda e beijei a princesa várias vezes. Bom demais.

Marinho Chagas sempre foi muito vaidoso. Na época dele não existia o termo metrossexual, mas digamos que ele era uma espécie de David Beckham dos anos 70 e 80. Roupas espalhafatosas, cordões de ouro e carrões de marca eram constantes em sua carreira. E isso lhe rendeu mais uma boa história. Dessa vez com um Mercedes-Benz conversível.

- Estava caminhando na Europa e passei na frente de uma loja. Quando vi aquele carro, não consegui me controlar. Aluguei o "bicho" e fui direto para o hotel onde estávamos hospedados. Chegando lá, todo mundo me chamou de maluco, inclusive o Paulo Cezar Caju. Foi muito engraçado, porque o presidente do Fluminense (Francisco Horta) pegou carona comigo e deu risada da história - diverte-se.

Mágoa

Marinho Chagas, ex-lateral do Botafogo (Foto: Divulgação/Botafogo)Marinho Chagas marcou época no Botafogo e na
seleção brasileira (Foto: Divulgação/Botafogo)

Na Copa de 1974, na Alemanha, Marinho Chagas foi eleito o melhor lateral-esquerdo do mundo, mesmo após a eliminação da seleção brasileira na fase semifinal do torneio, após derrota para a Holanda. Mas um assunto que magoa o "Bruxa" é a não convocação para as Copas de 1978 e 1982. E o ex-jogador não esconde a tristeza por ficar de fora dos Mundiais. Ele tem consciência de que ainda estava no auge da carreira naquela época e sente que poderia ajudar o Brasil a conquistar o tetra.

- Modéstia à parte, eu era o melhor lateral do Brasil em 78. Mas o técnico Cláudio Coutinho preferiu levar Edinho e Rodrigues Neto para jogar na esquerda. Também deixou o Falcão e o Paulo Cezar Caju fora. Deu no que deu. Em 82, discordei da decisão do Telê. Júnior estava muito bem, mas a minha fase no São Paulo ainda era melhor - comentou o ex-jogador, que no Tricolor Paulista ganhou, inclusive, seu único título num grande clube: foi campeão estadual em 1981.

Marinho Chagas sofre de hepatite C, bronquite, ácido úrico e hipertensão. Mas a sua maior doença parece ter sido curada de vez. O craque, que esteve próximo de perder o jogo contra o alcoolismo, fez um transplante de fígado e hoje vive relativamente bem de saúde. Ele aproveita a oportunidade e manda uma mensagem aos atletas que vivem ou viveram problemas extracampo, como os atacantes Adriano e Jobson.

- Cada pessoa é responsável por escolher o que vai fazer da sua vida. Amigos não obrigam ninguém a fazer nada. Eu, por exemplo, tive problema com o álcool, mas só depois de encerrar a carreira. E foi porque eu quis. Quando eu jogava, me dedicava somente ao trabalho e nunca bebi.
 O que eu aconselho a garotos e jogadores profissionais é que tenham humildade e pensem nos pais deles, pois o amanhã pode ser muito triste - finalizou.