sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Fria nos momentos decisivos, Rússia bate a Bulgária e garante vaga na final


Com a vitória por 3 a 1 sobre os atuais vice-campeões da Liga Mundial, russos vão lutar pelo primeiro ouro olímpico do país contra Brasil ou Itália

Por GLOBOESPORTE.COM Londres, Inglaterra

Bulgária e Rússia perderam apenas um jogo na fase de classificação e chegaram às semifinais atropelando seus adversários nas quartas de final por contundentes 3 a 0, mas o peso de uma semifinal olímpico parece ter recaído apenas sobre os ombros dos jogadores búlgaros. Mais acostumados a enfrentar momentos decisivos nos últimos anos, os russos não sentiram a pressão e venceram os atuais vice-campeões da Liga Mundial por 3 sets a 1, parciais de 25/21, 25/15, 23/25 e 25/23, em 1h43m, e garantiram uma vaga na final olímpica de domingo. 

Skrimov russia x bulgaria londres 2012 olimpiadas (Foto: Reuters)O búlgaro Skrimov ataca contra o bloqueio duplo dos russos Muserskiy e Mikhaylov (Foto: Reuters)

Campeões da Liga Mundial de 2011, a Rússia terá pela frente na disputa pela medalha de ouro o vencedor de Brasil x Itália, que se enfrentam na segunda semifinal desta sexta-feira, às 15h30 (horário de Brasília). O SporTV transmite ao vivo, e o GLOBOESPORTE.COM acompanha os lances em Tempo Real.

Primeiro colocado do grupo A, a Bulgária ignorou o passado recente e partiu para cima da Rússia. Consistente na defesa e com o mesmo volume de jogo ofensivo da fase de classificação, os búlgaros chegaram nas duas primeiras paradas técnicas comandando o placar (8/6 e 16/13). A diferença ainda aumentou para 17/13, mas de uma hora para outro o time do técnico Nayden Naydenov parou. Frios e mortais nos momentos decisivos, os russos tiraram a diferença num piscar de olhos e venceram o primeiro set com autoridade por 25/21.

A derrota em um set que parecia ganho descontrolou os búlgaros. Na contramão dos rivais, os russos encararam a segunda parcial como um treino. Após abrir 12 a 3, a equipe comandada por Vladimir Alekno não passou sustos e só teve o trabalho de administrar a diferença até fechar o set por fáceis 25/15.

A proximidade da final olímpica parece ter atrapalho os planos do time russo. Depois de retomar o controle do jogo a partir da segunda parada técnica e ficar a dois pontos de fechar o jogo, a equipe parou de jogar, permitiu que os búlgaros marcassem três pontos seguidos para vencer o set por 25/23 e manter vivo o sonho de chegar à final olímpica.

A inesperada vitória encheu a Bulgária de moral. Com as esperanças de chegar ao ouro renovadas, os bulgários, que chegaram a estar perdendo por 18/16, reagiram e fizeram 22/21. Mas numa repetição do primeiro set, a frieza russa fez a diferença e os campeões da Liga Mundial de 2011 fecharam em 25/23 para assegurar uma vaga na final.


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/08/fria-nos-momentos-decisivos-russia-bate-bulgaria-e-garante-vaga-na-final.html

Com as dores do peixinho, Zé pode ser maior campeão olímpico do país


Técnico sente no braço e nas costelas o efeito da celebração contra a Rússia; no sábado, pode se tornar o primeiro brasileiro com três ouros nos Jogos

Por Rodrigo Alves Direto de Londres

Quando José Roberto Guimarães abriu os olhos na quarta-feira, duas novidades: dores nas costelas e um hematoma no braço direito. Não era exatamente fruto dos 60 anos que ameaçam dobrar a esquina, mas de uma estripulia da véspera. O peixinho na quadra para festejar a vitória sobre a Rússia deixou marcas no treinador da seleção brasileira. As ruins estavam no corpo. As boas estavam no time, que atropelou o Japão na semifinal dois dias depois e avançou para a decisão deste sábado, às 14h30m (horário de Brasília). Se encontrar uma fórmula para vencer os Estados Unidos e desbancar as favoritas, Zé vai ser o primeiro brasileiro da história com três ouros olímpicos, embora o treinador não tenha direito a medalhas. Difícil é arrumar um lugar na cabeça dele para esse tipo de preocupação.

ze roberto volei brasil x russia londres 2012 olimpiadas (Foto:  JONNE RORIZ/AGÊNCIA ESTADO )Ao fim do jogo contra a Rússia, Zé não pensou duas vezes... (Foto: JONNE RORIZ/AGÊNCIA ESTADO )

- Não penso muito nessas coisas, sinceramente, desde que ouvi uma história do ator Juca de Oliveira. Ele disse que, quando monta uma peça de teatro, pensa na arte, e não no dinheiro que pode ganhar ou na fama que pode vir. Comigo é assim também - disse o treinador de 58 anos, após a vitória sobre as japonesas na quinta-feira.

Campeão em 1992 com a seleção masculina e em 2008 com a feminina, Zé tem dois ouros, assim como Adhemar Ferreira da Silva no salto triplo, Robert Scheidt, Torben Grael e Marcelo Ferreira na vela, e Mauricio e Giovane no vôlei.

Não tenho saído do quarto. Fico só estudando. Somos seis no quarto vendo vídeo. Só saí para conhecer a Vila uma vez, porque a minha família veio. Não tenho uma foto da Vila, um vídeo, nada, vou ter que pedir para os caras da comissão depois"

José Roberto Guimarães, técnico da seleção

A longa jornada

Para chegar lá, o paulista de Quintana atravessou uma longa estrada. Durante 13 anos, levantou milhares de bolas como jogador de vários clubes no Brasil. Atuou também na Itália e defendeu a seleção nas Olimpíadas de 1976, um discreto sétimo lugar em Montreal. Antes mesmo de parar, já estudava Educação Física pensando no passo seguinte: a carreira de técnico. Começou como assistente de Bebeto de Freitas e assumiu a seleção masculina pouco antes dos Jogos de Barcelona, onde chegou ao topo pela primeira vez. Virou dirigente de futebol, mas voltou ao vôlei a tempo de sofrer a doída derrota para a Rússia nas semifinais de Atenas 2004 (o famoso 24/19 que evaporou no quarto set) e, quatro anos depois, chegar ao ouro em Pequim.

Em cada uma dessas etapas, pontos em comum: a serenidade e o trabalho obsessivo. Em Londres, não tem sido diferente. Enquanto atletas de todos os países curtem o clima passeando na Vila Olímpica, Zé mal conhece a área residencial. Passa os dias enfurnado no quarto, analisando vídeos, e geralmente só sai de lá para os treinos e para os jogos.

- Não tenho saído do quarto. Fico só estudando. Somos seis no quarto vendo vídeo. Só saí para conhecer a Vila uma vez, porque a minha família veio. Não tenho uma foto da Vila, um vídeo, nada, vou ter que pedir para os caras da comissão depois - conta o técnico.

José Roberto Guimarães, Brasil x China (Foto: Divulgação / FIVB)Zé Roberto no jogo contra a China: estudo e mais
estudo no quarto do hotel (Foto: Divulgação / FIVB)

As jogadoras sabem que o esforço do chefe vale a pena. Nesta quarta, passaram fácil pelo Japão e deram a Zé Roberto a vitória como presente pelos 20 anos do ouro em Barcelona. E querem mais.

- A gente tem o objetivo de dar esse ouro de presente para o Zé. Ele tem que curtir, aproveitar este momento. E nós jogadoras também, né, para sermos bicampeãs olímpicas junto com ele - conta Fabiana, capitã da seleção.

A missão de transformar o treinador no maior campeão olímpico da história do país é nobre, mas se o ouro não vier, o tropeço será duplo: além de não conseguir seu terceiro título, Zé verá o técnico americano, Hugh McCutcheon, empatar com ele como os dois únicos vencedores à frente das seleções masculina e feminina. A líbero Fabi sabe disso e quer manter Zé sozinho no topo.
- É uma situação interessante, porque o McCutheon pode igualar. Mas vamos fazer de tudo para que o americano não entre para a história desse jeito não!

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/08/com-dores-do-peixinho-ze-pode-ser-maior-campeao-olimpico-do-pais.html