sábado, 21 de julho de 2012

Carnaval ao som dos Beatles: Brasil faz festa para a chegada da Tocha


Trio elétrico, carros alegóricos e artistas brasileiros garantem o agito na recepção da chama olímpica em Londres. Monobloco é principal atração

Por Cahê Mota Direto de Londres

Ao som dos Beatles, mas com um swing bem brasileiro, a Tocha Olímpica chegou a Londres neste sábado e provocou um verdadeiro carnaval nas ruas da cidade. Com direito a trio elétrico, carros alegóricos e fantasias, o Brasil marcou presença em desfile realizado na região Norte e que teve como principal atração a banda carioca Monobloco e o bloco de carnaval Sargento Pimenta, que tem repertório destinado aos quatro rapazes de Liverpool. Escolas de Samba brasileiras fundadas na capital britânica ainda ajudaram a tornar o Brasil a nação mais festejada no percurso, o mesmo por onde a chama das Olimpíadas passou horas depois.

passistas tocha olímpica Londres 2012 (Foto: EFE)Em Londres, passistas desfilam pelas ruas e fazem um verdadeiro carnaval neste sábado (Foto: EFE)
 
A iniciativa de convidar os artistas brasileiros partiu da própria organização dos Jogos, em mais uma ação que visa aproximar as duas próximas sedes olímpicas, e foi batizada de “Rio Lapa Londres”. Apresentações culturais de outros países também fizeram parte da programação, mas ninguém empolgou tanto as milhares de pessoas presentes no desfile quanto os brasileiros. Durante toda a próxima semana, a Tocha Olímpica segue rodando a imensa e cosmopolita Londres, até fixar “moradia” no Estádio Olímpico, em Stratford, bairro por onde também passou neste sábado.
Monobloco com sotaque britânico
Atração mais esperada pelos brasileiros presentes ao evento, o Monobloco levou um sotaque especial para as ruas londrinas. Dos 65 ritmistas, 40 eram ingleses, formados pela oficina inaugurada no local em visita em 2007. A apresentação, que teve início por volta das 11h (local, 7h de Brasília), durou cerca de duas horas e meia e intercalou músicas em inglês, parte destinada ao Sargento Pimenta, e sucessos em português. Já no fim da tarde, o grupo voltou ao trio elétrico, momentos antes da passagem da Tocha, para apresentação no bairro de Dalston.

Monobloco e Sargento Pimenta em trio elétrio em Londres (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com)Monobloco e Sargento Pimenta em trio elétrio em Londres (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com)
 
- Essa experiência é o maior barato. É diferente. Ficamos muito felizes por termos sido lembrados para representar o Rio em uma data tão especial. É legal ver a reação da galera com o nosso som – disse Celso Alvim, maestro da bateria do Monobloco.

tocha olímpica Londres carnaval  (Foto: Cahê Mota / Globoesporte.com)Tocha olímpica é conduzida pelas ruas de Londres
neste sábado (Foto: Cahê Mota/Globoesporte.com)
 
No embalo das bandas cariocas, duas escolas de samba fundadas em Londres compuseram a ala carioca: Paraíso School of Samba e London School of Samba. Ambas levaram para as ruas tudo que se tem direito no carnaval, desde passistas, carros alegóricos e Mestre Sala e Porta-Bandeira até uma bateristas fantasiados da tradicional guarda real britânica.
Presidente da Paraíso School of Samba, Henrique da Silva comemorou a oportunidade de apresentar a escola em um evento com grande presença do público.
- Sempre que saímos aqui em Londres é uma festa .Não podíamos perder essa oportunidade de representar o Brasil, e justamente em um evento que mostra a diversidade. Foi um verdadeiro Carnaval.

A apresentação de artistas brasileiros neste sábado não foi uma ação isolada. Para integração das próximas cidades olímpicas, a organização dos Jogos de Londres tem realizado o projeto “Rio Occupation London”, que faz parte do London 2012 Festival e conta com programação diária até o dia 3 de agosto.

A ex-atleta romena Nadia Comaneci, primeira ginasta a conquistar uma nota 10, nos Jogos de Montreal-76, com apenas 14 anos, e o ex-jogador de basquete John Amaechi conduziram a chama neste sábado, na Greenwich Arena, na capital britânica. 
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Nadia Comaneci e John Amaechi com a tocha olímpica na Greenwich Arena Londres (Foto: AP)Nadia Comaneci e John Amaechi conduzem a tocha na Greenwich Arena, em Londres (Foto: AP)

 FOBTE:
http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/07/carnaval-ao-som-dos-beatles-brasil-faz-festa-para-chegada-da-tocha.html

Janela fechada: 45% dos jogadores contratados têm 30 anos ou mais

Botafogo foi quem mais fez uso do mercado externo, com três contratações de fora do país. Período de transferências para o exterior segue até agosto

Por Mariana Kneipp Rio de Janeiro

Fim da janela de transferências do exterior para o Brasil, e um número chama a atenção em meio a nomes de peso, como Seedorf, Forlán e Juan. Dos 22 jogadores contratados, dez têm 30 anos de idade ou mais: 45% do total. A média de idade entre os recém-chegados ao país alcança os 29 anos. A crise econômica na Europa ajuda a explicar a procura por cenários mais favoráveis, mas o envelhecimento das contratações com altos salários preocupa pelo risco da aposta. A forma física não é mais a mesma, a adaptação ao estilo de futebol pode demorar. Mas ainda sobram talento e marketing para justificar.

- Acredito que a maioria dos jogadores que está fora entende que vir para o Brasil é como um fim de carreira. Eles acabam passando uma mensagem para o mercado de que não têm mais chances na Europa. Então, estão vindo para cá os caras de 30 anos, que têm vontade de jogar no país, já que aqui têm bons salários, que não teriam mais em um time na Europa. Claro que o Brasil está evoluindo, é a sexta economia mundial, tem a Copa do Mundo em dois anos. Mas ainda é uma aposta de mudança de cenário para a gente também. Eles precisam ter a garantia de que vão receber os salários prometidos, porque o passado mostra situações complicadas - lembrou Amir Somoggi, da empresa de consultoria BDO, que atua no mercado esportivo e todo ano divulga um estudo baseado no balanço divulgado pelos principais clubes brasileiros.

montagem Seedorf Forlán Botafogo Internacional (Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)Seedorf e Forlán deixaram a Europa pelo Brasil
(Foto: Editoria de Arte / Globoesporte.com)
 
O time que mais conseguiu reforços no mercado externo durante a janela foi o Botafogo, com três atletas: Seedorf, Lodeiro e Rafael Marques. Bahia, Corinthians, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Sport e Santos contrataram dois. Já Coritiba, Flamengo, Portuguesa, Palmeiras e Vasco assinaram com um jogador. O país que mais perdeu atletas para o Brasil foi a Itália, com cinco no total. A Argentina cedeu três.

Para esse levantamento, foram consideradas negociações entre clubes brasileiros e estrangeiros (caso do cruzeirense Sandro Silva, que estava no Inter mas pertence ao Málaga-ESP) ou entre clubes brasileiros e jogadores cujos contratos com um clube estrangeiro chegaram ao fim e estavam livres (caso de Seedorf).
Dos 22 jogadores que chegaram durante a janela de transferências, 14 foram repatriados e oito são estrangeiros. Os meias foram os mais procurados, com sete - contra cinco atacantes, quatro volantes, quatro laterais e dois zagueiros. Nenhum goleiro foi negociado.
Amir Somoggi pede calma na euforia pela chegada de grandes nomes ao futebol brasileiro. Para ele, é preciso analisar as contratações em longo prazo e entender suas consequências e riscos.

- Os clubes entenderam que estamos vivendo um período de vacas gordas, mas será que pagar salários milionários é o melhor caminho? E se esse cenário mudar? Estão pulando etapas, isso me assusta. Se essas contratações estiverem fundamentadas em projetos, ótimo. Se não, temo por apostarem todas as fichas em um jogador que pode não resolver e terem de pagar alto por isso, como foi o caso do Ronaldinho Gaúcho no Flamengo. Vão precisar ralar muito para equilibrar as contas ou, pelo menos, empatar a visibilidade e o retorno com o investimento inicial - afirmou Somoggi.

Balanço de chegadas e saídas é positivo
A janela de transferências para Europa, Japão e mundo árabe, com exceção da Arábia Saudita, fecha somente em 31 de agosto.
 
A janela da China já fechou
A janela do lado brasileiro fechou, mas a porta está aberta. Apenas a China já encerrou o período de contratações de quem está jogando fora do país. Europa, Japão e mundo árabe continuam contratando até 31 de agosto, com exceção da Arábia Saudita, que fecha em 25 de julho.

No entanto, a balança, pelo menos por enquanto, está favorável ao Brasil. Enquanto 22 chegaram, 17 saíram. Corinthians e Vasco foram os clubes que mais perderam jogadores, três cada. O segundo ainda corre o risco de perder Diego Souza e Fagner. Botafogo e Cruzeiro cederam dois. Atlético-PR, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Internacional, Náutico e São Paulo tiveram uma saída.

Houve recusas de propostas importantes também. O São Paulo não quis saber de oferta do Manchester United (Inglaterra) por Lucas. O Corinthians fechou a porta para o Inter de Milão (Itália), que queria Paulinho. Leandro Damião também disse não ao Tottenham (Inglaterra), e o Botafogo preferiu manter Elkeson, que despertou interesse do Kashiwa Reysol (Japão) e do Bologna (Itália).

- Até o fim de 2007, os clubes sempre usavam aquela frase feita de que precisavam vender jogadores para fechar a conta do ano. Então, houve a crise internacional, que obrigou todo mundo a acordar. Para obter melhores receitas, investiram em marketing, teve uma melhora na venda de ingressos, patrocínios, cotas de TV. Os clubes viram que não precisavam mais vender tanto, que poderiam também comprar. A musculatura dessa estratégia ainda é frágil, mas agora eles têm mais condições para segurar os jogadores - concluiu Somoggi.

FONTE:
 http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2012/07/janela-fechada-45-dos-jogadores-contratados-tem-30-anos-ou-mais.html