terça-feira, 31 de janeiro de 2017

EIKE & DORIA, UMA TRISTE HISTÓRIA




FONTE:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/doria-tenta-eliminar-eike-de-sua-biografia-porque-se-enxerga-nele-por-kiko-nogueira/



Doria tenta eliminar Eike de sua biografia porque se enxerga nele. Por Kiko Nogueira


Eles
Eles


João Doria apagou os elogios que fez a Eike Batista nas redes sociais. Em 2011 e 2012, Doria dirigiu vários encômios ao empresário.
“Se privatizar e Eike administrar, vai melhorar!”, escreveu.
Eike foi homenageado por sua empresa Lide com o prêmio “empreendedor do ano”. O almoço com ele foi uma “lição de eficiência e otimismo”.
A assessoria do prefeito de São Paulo está tentando também tirar do YouTube uma entrevista de seu programa Show Business.
Nela, Doria, pegajoso de carpete, diz que “o Rio é do Brasil e o Eike também é do Brasil”. Sobre Sérgio Cabral, afirma que é amigo dele “desde menino”.
Doria estava fazendo o que sempre fez: bajulando o poderoso de ocasião e tentando faturar. Mas o revelador de seu caráter e de seu estilo de gestão é a tentativa desesperada — e, de resto, inútil — de apagar o passado.
Doria poderia alegar que foi enganado por Eike. Ponto. Estaria em seu direito, já que todo o mundo foi enganado por Eike.
Em 2012, ele apareceu como o oitavo homem mais rico do mundo em uma lista da Bloomberg. Garantia que assumiria o topo do ranking em 2015 ou 2016.
Vivíamos tempos de otimismo, de pré-sal, de futuro brilhante, de Brics. “O Eike é nosso padrão, nossa expectativa e orgulho do Brasil”, afirmou Dilma.
A Veja deu uma capa com o ex-marido de Luma vestido de Deng Xiaoping, triunfal, símbolo de uma nova geração de milionários nacionais.
A revista Alfa, sob minha direção, também estampou Eike na capa (seu assessor me contaria, anos depois, que viu o chefe chorar no banheiro numa reunião com seus acionistas quando a derrocada ficou inevitável).
Eike representava um sonho — jeca, admitamos — de que o brasileiro podia chegar lá. Como os chineses, tínhamos um compatriota entre os top 10 dos bilionários da Forbes.
A bolha Eike era uma pirâmide da qual milhões fizeram parte porque quiseram acreditar em sua fábula. Erramos. Acontece. Os americanos tiveram Bernie Madoff.
Que sentido faz, agora, lincha-lo? Virou nossa especialidade? A Globo, que ajudou a montar o heroi, como fez com Cunha, não tira do ar a cena dele entrando num carro de cabeça raspada. O tamanho de sua cela e as companhias viraram fetiche.
Doria não vai eliminar de sua biografia os flagrantes de puxa saco de Eike Batista. Sua correria para tentar dar sumiço nesses rastros levanta apenas as suspeitas sobre essa relação que parecia íntima. Quem pagou a conta? Que negócios foram fechados?
Doria quer se livrar disso porque sabe que Eike Batista, como ele, era também uma farsa montada num marketing eficiente, mas de curto prazo, surfando numa circunstância especial.
A diferença entre eles, basicamente, é a peruca.

joao-doria-eike-batista
Acompanhe as publicações do DCM no Facebook. Curta aqui.
Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

Reforma da Previdência de Temer é retrocesso, alerta Gleisi Hoffmann



FONTE:
http://jornalggn.com.br/noticia/reforma-da-previdencia-de-temer-e-retrocesso-alerta-gleisi-hoffmann





Jornal GGN - A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) defende que a Reforma da Previdência, enviada pelo governo de Michel Temer ao Congresso, representa uma "barbaridade" ao trabalhador, considerando o alto nível de desemprego, o impacto no salário mínimo com a PEC 55, e as diferenças regionais de locais em que a expectativa de vida é ainda menor do que a idade prevista para se aposentar.
 
"Essa PEC atinge, principalmente, o lado mais pobre da população, aquele que mais precisa de previdência e da assistência social. Mas essa reforma da Previdência já está na boca, em todos lugares ela é comentada, porque ela é perversa", disse a parlamentar em entrevista à Rádio Brasil Atual.
 
"Uma das coisas mais absurdas é a desvinculação do salário mínimo dos benefícios assistenciais e o fim da política de sua valorização. Hoje, 80% dos aposentados ganham salário mínimo, ou seja, sem a política de valorização nós vamos deixar a maioria das pessoas no Brasil com uma renda (a cada ano) menor", informou, ainda.
 
Ouça a entrevista completa e, abaxo, a transcrição da Rede Brasil Atual
CLICANDO NO LINK DA FONTE ACIMA  


Senadora, como está a mobilização contra a PEC 287, que piora a situação dos trabalhadores e aposentados?
Nós vamos retomar os trabalhas do Congresso no dia 1º. A Câmara vai votar primeiro essa proposta.
Essa PEC atinge, principalmente, o lado mais pobre da população, aquele que mais precisa de previdência e da assistência social. Mas essa reforma da Previdência já está na boca, em todos lugares ela é comentada, porque ela é perversa.
Uma das coisas mais absurdas é a desvinculação do salário mínimo dos benefícios assistenciais e o fim da política de sua valorização. Hoje, 80% dos aposentados ganham salário mínimo, ou seja, sem a política de valorização nós vamos deixar a maioria das pessoas no Brasil com uma renda (a cada ano) menor. 
Temos ainda a questão da idade. Hoje você pode se aposentar proporcionalmente e consegue se aposentar de uma maneira integral, mesmo com menos idade, pois é considerado o tempo de contribuição. Com a PEC, eles mudam a regra: as mulheres precisão ter 65 anos de idade e 30 anos de contribuição para se aposentar, mas sem o benefício previdenciário completo. Para a pessoa se aposentar integralmente, ela precisa contribuir por 49 anos. Isso vai pegar a população mais pobre, que precisa dessa assistência.
Tem regiões no Brasil onde a expectativa de vida é de 64 anos. Como essas pessoas se aposentarão?
Não vão, porque a PEC não pensa na diferença regional, então na região Nordeste, por exemplo, as pessoas morrerão trabalhando para se sustentar. Outra coisa que a PEC não pensa é o tipo de trabalho, porque é muito diferente ter 65 anos e trabalhar em um escritório para aqueles que vão trabalhar na roça.
A característica especial da aposentadoria rural, que poderia contar o tempo de trabalho, isso acaba, ou seja, ficará igual ao sistema de aposentaria dos trabalhadores do meio urbano.
Como a senhora vê o argumento do governo, que justifica essa reforma por conta do déficit da Previdência?
Se nós olharmos a Previdência contributiva pode se dizer que há um déficit, porque o total de pessoas que recebem os benefícios que são pagos dá uma diferença. Só que o nosso sistema previdenciário é montado no sistema de seguridade social. A Constituição de 88 prevê três pilares da seguridade social: a Previdência Social, a saúde e a assistência social. Esses três pilares são os responsáveis por diminuir a diferença de renda entre a população. Para isso, foram criados outros tributos: a Cofins, que é a contribuição sobre o faturamento, e a Contribuição sobre o Lucro Líquido das empresas. Isso serve para financiar esse sistema de seguridade.
Portanto, não dá para se falar em déficit, porque a nossa concepção é diferente. Se nós pegarmos tudo que a seguridade social arrecada e tudo que paga nesses três itens do pilar, não temos déficit.
O que eles querem é fazer com que a Previdência seja só contributiva, colocar um salário menor para dar aos cidadãos que não conseguiram contribuir, para ter mais recursos e pagar os juros da dívida. Ninguém é contra pagar a dívida, mas é errado esses juros altos fazerem um aperto na população e satisfazer o sistema financeiro.
Além disso, esse governo parte de um pressuposto de que todas as pessoas terão emprego durante toda a vida, então não teria problema de contribuir por 49 anos. Mas sabemos que isso não é verdade, olha a situação de desemprego. Não dá para apoiar essa reforma, é uma barbaridade o que estão fazendo.