OLIMPÍADAS RIO 2016
GINÁSTICA ARTÍSTICA
Ginasta iguala
Daiane dos Santos com melhor posição de uma brasileira em Olimpíadas.
Sanne Wevers é ouro, Laurie Hernandez prata e Simone bronze
Por Alexandre Alliatti, Amanda Kestelman, João Gabriel Rodrigues e Marcos Guerra
Rio de Janeiro
A
tensão tomou a Arena Olímpica à espera da nota de Flávia Saraiva. Era a
última para a definição do pódio, e os desequilíbrios na série ainda
não a tiravam da disputa pela medalha. Era ela ou a estrela Simone Biles
no pódio. Não foi desta vez. Lamentos e até vaias para a nota 14,533
pontos, que colocou a brasileira no quinto posto nesta segunda-feira.
Dona de três ouros no Rio de Janeiro, a americana falhou em se
equilibrar na trave de 10cm de largura, mas ainda assim conquistou um
bronze, com 14,733. O ouro ficou com a holandesa Sanne Wevers (15,466),
uma das favoritas no aparelho. A prata foi para a americana Laurie
Hernandez (15,333).
Com 16 anos, Flavinha ainda não chegou ao
pódio olímpico, mas igualou Daiane dos Santos com a melhor posição de
uma brasileira em Olimpíadas - a campeã mundial foi a quinta do solo nos
Jogos de Atenas 2004. Motivo de sobra para comemorar, até com lágrimas.
A baixinha de 1,33m está entre as grandes ginastas da trave.
+ De volta ao pódio! Arthur Zanetti leva prata e vê rival grego ser campeão
Flavia Saraiva teve desequilíbrios que a
tiraram do pódio (Foto: Getty Images)
No
carisma, Flavinha entrou no ginásio campeã. Já havia arrebatado
torcedores do mundo inteiro nas classificatórias. A Pequena Notável
queria mais, queria ser notada também por ter uma medalha no peito. Por
isso a comissão técnica até a poupou da final individual geral. O foco
total era na trave.
No entanto, as rivais eram fortes. A
americana Simone Biles já dispensa apresentações, com três ouros no Rio.
A romena Catalina Ponor é uma lenda, campeã olímpica em 2004. Sanne é a
atual vice-campeã mundial e se destaca por suas sequências de giros em
um show de equilíbrio. Flavinha ainda não conseguiu chegar ao pódio, mas
já se colocou entre as grandes.
PROVA A PROVA
Fan
Yilin tinha a missão de defender a tradição da China na prova da trave -
Deng Linlin venceu em Londres. Foi a primeira a se apresentar e teve
alguns grandes desequilíbrios. Conseguiu se segurar na trave, mas a nota
14,500 não a animou. Sabia que só quedas das rivais a colocaria no
pódio.
A canadense Isabela Onyshko entrou na disputa como
azarona, e não deu sorte. Ela sofreu uma queda em um mortal. Ganhou
muito apoio da torcida com aplausos para fechar a série e conseguir
13,400.
Era a vez de Simone Biles. E até a máquina de
conquistar ouros mostrou que também é humana, também erra. Em seu
aparelho menos firme, a dona de três ouros no Rio teve de segurar a
trave com a mão para não ir ao chão depois de uma acrobacia. isso é
considerado queda também. Mesmo assim ela conseguiu a liderança: 14,733
pontos. Só que o quarto ouro estava muito ameaçado.
Simone Biles segura a trave com a mão para ir
no chão depois de uma acrobacia (Foto:
REUTERS/Ruben Sprich)
Atual
vice-campeã mundial, Sanne Wevers tratou de acabar logo com a chance de
um quarto ouro de Simone. A holandesa manteve o equilíbrio em
sequências de giros que são sua marca. Ninguém consegue fazer igual. A
nota 15,466 mostrou isso. O sorriso era de quem estava muito perto do
título no Rio.
Holandesa Sanne Wevers, com apresentação
equilibrada, conquista o título no Rio (Foto:
REUTERS/Ruben Sprich)
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A
lenda romena Catalina Ponor entrou na sequência com a missão de manter o
país no pódio olímpico. A tradição que vinha desde o surgimento de
Nadia Comaneci, nos Jogos de 1976, foi interrompida. A campeã olímpica
de 2004 cometeu muitas falhas, perdeu ligações e só conseguiu 14,000
pontos.
A caloura Laurie Hernandez tentou colocar os Estados
Unidos mais uma vez no topo do pódio e por pouco não conseguiu. A
carismática ginástica descendente de portorriquenhos foi firme, mas não o
suficiente para superar Sanne. Com 15,333 pontos, ela assumiu o segundo
posto.
A francesa Marine Boyer teve alguns desequilíbrios e
repetiu os 14,600 da classificatória. Restava então apenas Flavinha. Era
ela ou Simone Biles no pódio. A torcida na Arena Olímpica levantou e
gritou o nome da ginasta, mas fez silêncio na hora da apresentação a
baixinha, quebrado apenas duas vezes por expressões de medo em
desequilíbrios da ginasta. Como se a torcida pudesse dar uma força para
ela se equilibrar no aparelho. Não chegou a cair, mas a nota 14,533 não
foi o suficiente para o pódio. Não desta vez. Quem sabe em 2020?
Com apoio da torcida, Flavinha consegue 14,533
e não consegue um lugar no pódio (Foto: Getty Images)
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