sábado, 13 de dezembro de 2014

Murilo cobra ação da CBV: "É um sentimento de indignação, de traição"

Por causa de irregularidades, jogador pressiona gestão da confederação por "novo ponto de partida para o vôlei". Ele por ora descarta greve ou boicote à seleção


Por
São Paulo

treino sesi - murilo final superliga (Foto: Alexandre Arruda/CBV)Murilo descarta greve na Superliga no momento (Foto: Alexandre 
Arruda/CBV)


As irregularidades na gestão da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) geraram um sentimento de indignação nos jogadores da modalidade. O ponteiro Murilo Endres assumiu o posto de porta-voz do grupo e fez uma cobrança à nova gestão da entidade máxima do vôlei brasileiro para que os cartolas tomem as atitudes recomendadas pelo relatório da Controladoria-Geral da União (CGU).  A auditoria do órgão do Governo Federal identificou irregularidades em contratos que juntos têm o valor de R$ 30 milhões em pagamentos feitos entre 2010 e 2013.

- É difícil de se segurar. A gente acaba lendo as notícias na internet, e a rede social está ali como um modo de desabafar. A gente acaba atingindo muita gente, e as pessoas dão um feedback, então dá para ter uma ideia se você está falando coisas boas ou se está falando besteira. Nesse caso, 100% dos meus seguidores estão apoiando. Temos que deixar de ser o país da impunidade. Nós como atletas envolvidos com o voleibol precisamos cobrar, precisamos dar a cara à tapa, precisamos falar na televisão, precisamos pedir punição às pessoas envolvidas nesses escândalos, precisamos pressionar a nova gestão da CBV para que peça o ressarcimento desses valores que são destinados ao voleibol. Não é para mim, não é para o Bernardo, não é para a seleção feminina, mas para o voleibol em si, para o desenvolvimento, para o fomento do esporte. É isso que a gente deseja - disse Murilo.


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Medalhista olímpico e campeão mundial, Murilo já se posicionava contra as irregularidades da CBV antes mesmo da confirmação apontada pela auditoria da CGU. Ele conta que os jogadores da modalidade têm conversado bastante nos últimos dias, especialmente na última noite, e que o grupo quer a punição dos dirigentes envolvidos e o ressarcimento do dinheiro irregular.

- É um sentimento de indignação, de traição por parte dessas pessoas. Estamos esperando uma resposta da CBV, não em forma de nota oficial, que é muito fácil fazer uma nota oficial. Nós queremos que a nova gestão venha a público e se pronuncie. Vamos continuar cobrando para que eles se pronunciem e tomem uma atitude. Confiamos que eles possam tomar as atitudes corretas, que foram até mesmo solicitadas pela auditoria da CGU, que eles corram atrás e punam os responsáveis e sejam ressarcidos desses valores. É isso que nós atletas esperamos para termos um novo ponto de partida para o voleibol. A gente não vai compactuar com esse tipo de ação, de desvio de dinheiro.
Entre as irregularidades apontadas pela CGU está o não repasse de bônus de performance aos atletas. Murilo pede esclarecimento sobre o que os contratos da CBV com seu principal patrocinador, o Banco do Brasil, em relação às premiações.

- Precisamos entender direito a forma com que isso é feito, porque a gente nunca teve acesso aos contratos com o Banco. Não sabemos quais campeonatos são premiados ou não. Temos um acordo direto com a CBV, a maioria dos casos a gente negocia os prêmios, mas a gente não tem ideia de quanto o banco paga para eles. Agora deu para ver que os valores são muito mais altos do que a gente imaginava. Acho que a questão não é nem o dinheiro para mim ou para outros jogadores. É dinheiro que seria usado na fomentação do voleibol. Isso é o que mais me preocupa. A gente ganhar um pouco a mais ou um pouco a menos talvez não vá diferença, mas para o voleibol, para a comunidade, faz uma grande diferença.

O Banco do Brasil, que foi isentado de responsabilidade pela CGU, suspendeu o pagamento de valores referentes ao patrocínio da CBV.

- Para ser sincero, eu não me espantei com a interrupção. É uma medida preventiva do banco. É um patrocinador que está junto da CBV há 23 anos. Achei uma ótima atitude dele (do Banco do Brasil) de pedir uma solução para os casos denunciados e comprovados agora pela CGU. O Banco está fazendo a parte dele, está cobrando atitudes da nova gestão da CBV. É isso que a gente também quer cobrar. A gente quer cobrar que eles se posicionem, que os envolvidos sejam punidos, que o dinheiro seja ressarcido, porque o voleibol brasileiro não pode sair prejudicado dessa maneira.

greve ou boicote à seleção?

Murilo afirma que no momento os jogadores não pensam em fazer greve na Superliga. Eles confiam que a nova gestão da CBV se posicionará e tomará as atitudes recomendadas pela CGU. Deixar de defender a seleção brasileira também não está nos planos no momento. A próxima convocação é apenas em maio. No entanto, se o cenário não mudar até lá, Murilo acredita que o boicote tem de ser cogitado pelos jogadores.

- Agora de imediato não (pensamos em greve na Superliga). Vamos esperar um posicionamento da nova gestão da CBV, precisa saber como eles vão proceder daqui em diante. Nós vamos pressionar, nós vamos falar, nós vamos protestar, nós vamos nos manifestar, mas acho que o momento para essa rodada agora não é de greve. É difícil falar em convocação agora. A próxima convocação acho que vai ser só em maio. Acho que muita água ainda vai rolar até lá. Hoje estou no meu clube (Sesi-SP), represento o meu clube. Não posso falar como jogador da seleção. Quem me convoca é o técnico, quem eu represento é o meu país, não é a CBV. Tenho fé que a gente vai conseguir que tudo se solucione. Caso essas atitudes não sejam tomadas até o dia da convocação é de se repensar


FONTEf
http://glo.bo/13gq9Rv

Brasil abre mão de sediar a final da Liga Mundial após punições da FIVB

CBV considera decisão de punir Bernardinho, Mário Jr, Murilo e Bruninho por episódios ocorridos no Mundial da Polônia como uma demonstração de retaliação


Por
Rio de Janeiro

A Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) desistiu de organizar a fase final da Liga Mundial, prevista para julho de 2015. A decisão foi tomada nesta sexta-feira, depois do comunicado enviado pela Federação Internacional de Vôlei (FIVB) informando sobre punições relativas ao Mundial da Polônia, disputado em setembro. Pelo "mau comportamento", forma como os dirigentes da FIVB se referiram à conduta dos tricampeões durante o confronto contra o time anfitrião na terceira fase, e pelas declarações de Bernardinho após a jogo decisivo, a entidade resolveu punir o técnico com 10 partidas de suspensão e multa de US$ 2.000; o líbero Mário Junior com seis jogos; Murilo Endres por uma partida; e Bruninho, com multa de US$ 1.000. 

Bernardinho, França X Brasil - mundial de vôlei (Foto: Divulgação / FIVB)
Bernardinho é suspenso por 10 jogos 
(Foto: Divulgação / FIVB)


Em nota oficial, a CBV diz repudiar a atitude da FIVB, "um dia depois do seu presidente, Ary Graça, virar alvo novamente das manchetes dos principais veículos de comunicação do Brasil". Diz também que a atitude é "uma clara demonstração de retaliação ao posicionamento da CBV frente aos indícios de irregularidades apresentados pela CGU". 

Depois que o relatório da Controladoria-Geral da União apontou irregularidades na gestão do dinheiro público na CBV, o Banco do Brasil suspendeu o pagamento de verbas relacionadas ao patrocínio. Os atletas foram para as redes sociais cobrar explicações e chegaram a cogitar um boicote à Superliga. O ponteiro Murilo assumiu o posto de porta-voz do grupo e fez uma cobrança à nova gestão da entidade máxima do vôlei brasileiro para que os cartolas tomem as atitudes recomendadas pelo relatório da CGU. Os jogadores querem a punição dos dirigentes envolvidos e o ressarcimento do dinheiro irregular.

Pouco depois de a CBV divulgar que não irá mais sediar a Liga Mundial, a FIVB se pronunciou. Também em nota, afirmou que seu presidente não tem qualquer ingerência na decisão do painel disciplinar da Federação. E que, caso a Confederação confirme a decisão de não sediar a fase final da Liga Mundial, terá de arcar com todas as penalidades impostas pelo regulamento esportivo e pela constituição da Federação Internacional.   


Confira a nota da CBV na íntegra:


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"Em meio as notícias que envolvem o voleibol brasileiro, posterior ao relatório da Controladoria Geral da União e, principalmente, depois do posicionamento da CBV em acionar judicialmente os responsáveis pelos contratos e pagamentos suspeitos na gestão do ex-presidente Ary Graça, a modalidade mais vitoriosa do esporte do nosso país foi mais uma vez surpreendida com um duro golpe.
Nesta sexta-feira (12.12), a CBV recebeu a decisão da Federação Internacional de Voleibol (FIVB), presidida por Ary Graça, sobre fatos ocorridos no Mundial Masculino, na Polônia, em setembro. O técnico Bernardo Rezende foi punido com 10 jogos de suspensão e multa de 2 mil dólares. O líbero Mário Junior recebeu seis jogos como punição, Murilo Endres está suspenso por um jogo e o capitão da seleção brasileira, Bruno Rezende, foi multado em 1.000 dólares.

A CBV repudia a atitude da FIVB um dia depois do seu presidente Ary Graça virar alvo novamente das manchetes dos principais veículos de comunicação do Brasil, numa clara demonstração de retaliação ao posicionamento da CBV frente aos indícios de irregularidades apresentados pela CGU.

A CBV está prestando suporte jurídico aos ídolos brasileiros e vai apresentar recurso em instância superior. Mais do que isso, em solidariedade aos nossos jogadores, ao nosso técnico multicampeão e em respeito ao torcedor brasileiro, a CBV, por decisão do presidente Walter Pitombo Larangeiras, comunica que NÃO REALIZARÁ EM SOLO BRASILEIRO a fase final da Liga Mundial, prevista para acontecer no Brasil em julho de 2015.

Entendemos que o torcedor brasileiro ficará frustrado por não ter a oportunidade de ver aqui as melhores equipes do voleibol mundial, mas a CBV não compactua com as práticas desenvolvidas pela FIVB e toma essa atitude para resgatar o respeito que o Brasil tem e merece no cenário esportivo internacional."



Confira a nota da FIVB:

"A FIVB declara que recebeu da Confederação Brasileira de Voleibol - CBV - uma carta de aceitação de sediamento do referido evento, assinada pelo Vice-Presidente da CBV, no dia 3/Outubro/2014, cumprindo formalidade do “Bidding Process” do evento Finais da Liga Mundial 2015, a ser sediado no Rio de Janeiro, em Julho de 2015.

Igualmente, a FIVB declara que o Presidente Ary Graça não tem qualquer ingerência na decisão do “Disciplinary Panel” da Federação, que decidiu pela punição para os jogadores e treinador tendo em vista sua conduta durante o Mundial de Voleibol na Polônia em 2014. Trata-se de um órgão disciplinar absolutamente independente, que recebe denúncias do Presidente do Comitê de Controle de cada competição.  


O evento denominado Finais da Liga Mundial 2015 é um dos principais eventos anuais da Federação Internacional de Voleibol e não pode ser tratado dessa forma. Portanto, a CBV, se realmente confirmar a decisão descrita na nota oficial emitida, arcará com todas as penalidades impostas pelo Regulamento Esportivo e pela Constituição da FIVB.

A FIVB lamenta profundamente ver uma Federação Nacional ir de encontro à decisão de um Tribunal Independente, fato nunca antes ocorrido na história do Voleibol."



FONTE:
http://glo.bo/13hrO9f