O
sonho do tri argentino parecia tomar forma no Maracanã, mas foi
interrompido pelo gol de Mario Götze no segundo tempo da prorrogação. A
derrota da equipe de Messi e cia. diante da Alemanha provocou reações
diversas nos torcedores que estavam reunidos no Obelisco, monumento
histórico de Buenos Aires, para acompanhar a final da Copa do Mundo.
Enquanto
alguns exaltavam a bela campanha da Alviceleste, que havia sido alvo de
desconfianças no início da competição, outros "hinchas" decidiram
descontar a frustração pela derrota com vandalismo. Um grupo de
torcedores atacou um carro de reportagem que fazia a cobertura dos
festejos e deu início a uma confusão generalizada, fazendo com que as
principais avenidas da capital vivessem cenas de guerra
Alguns torcedores frustrados com a
derrota da Argentina deram início a
uma confusão na região do Obelisco
(Reuters)
Cerca
de 15 pessoas subiram no teto do veículo e arrancaram uma das antenas.
De acordo com a imprensa argentina, eles apresentavam sinais de
embriaguez. Os profissionais que trabalhavam no estúdio móvel
abandonaram o carro. Por causa da multidão que lotava as ruas da região,
a polícia teve dificuldades para se aproximar da confusão e conter os
torcedores mais exaltados.
Na Plaza San Martin, outro
tradicional ponto de encontro da torcida hermana, alguns baderneiros
saquearam lojas e atiraram pedras em carros que circulavam pelo local. A
polícia também precisou intervir para conter o tumulto.
Em entrevista ao canal TN, o diretor do SAME Sistema de
Atención Médica de Emergencia, Alberto Crescenti, informou que 55 civis e
15
policiais saíram feridos.
Ruas de Buenos Aires são tomadas por
confusão após derrota da seleção na
final da Copa (Foto: Marcelo Hazan)
Apesar da derrota, argentinos festejam entrega da seleção
Buenos
Aires amanheceu respirando a final da Copa do Mundo, e pontos
importantes da capital argentina ficaram tomados por torcedores. A
superlotação da Plaza San Martin, equipada com dois telões para o
público ver o jogo, provocou uma confusão no intervalo. Grades que
separavam torcedores da imprensa foram derrubadas e algumas pessoas se
feriram no tumulto, que foi rapidamente controlado.
Diante da
multidão de gente que tomou conta da praça, arrumar um lugar para
acompanhar a final da Copa não era tarefa das mais fáceis. Por isso
árvores, postes de luz e demais lugares possíveis de serem escalados
viraram alvos dos argentinos, pendurados aos montes para "alentar".
Bandeirão,
Papa Francisco, taça gigante, provocação ao Brasil... sobraram figuras,
adereços e personagens entre os milhares de torcedores. E logicamente o
tal do sentimento. Que fez toda essa multidão pulsar em um só ritmo na
impressionante festa durante a execução do hino nacional argentino.
Só
menor do que a comemoração do gol irregular e bem anulado de Higuaín.
Multidão tomou conta do Obelisco, em
Buenos Aires, para acompanhar a final
da Copa do Mundo (Foto: Reuters)
Do
segundo tempo em diante, a festa foi dando lugar ao sofrimento com mais
uma prorrogação no caminho da Argentina. E nem mesmo a forte fé de um
dos argentinos, com vela, imagem de uma santa e do Papa Francisco em
mãos, foi capaz de evitar o vice. O choro de frustração foi inevitável,
mas os aplausos de reconhecimento pelo esforço da seleção também.
-
Muito orgulho de ser argentina. Eles deixaram tudo no campo. A próxima
(Copa) é nossa. Foi nos últimos minutos, mas tudo bem. Estivemos perto -
disse uma das torcedoras.
De fato, o sentimento de orgulho se
espalhou rapidamente pela cidade. Se um alienado sobre futebol chegasse
em Buenos Aires na noite deste domingo, teria certeza de que a
Alviceleste ganhara algo, dado o buzinaço e a quantidade de torcedores
no Obelisco, ponto turístico e de comemoração. A recepção aos jogadores
vice-campeões nesta segunda-feira, aliás, promete. Porque a festa
argentina não tem hora para acabar. Nem a paixão do seu povo pela
seleção.