quarta-feira, 26 de junho de 2013

Imagina na Copa: europeus sofrem com calor, e Mundial promete ser pior

Espanhóis e italianos reclamam da temperatura em sedes do Nordeste. Daqui a um ano, Recife, Salvador, Fortaleza e Natal terão jogos às 13h

Por Alexandre Alliatti, Carlos Augusto Ferrari, Sergio Gandolphi e Victor Canedo Fortaleza

Se a Copa das Confederações é mesmo um teste para a Copa do Mundo, já se sabe o que não deu certo: as condições climáticas são, até aqui, um dos grandes percalços na trajetória especialmente dos europeus. No ano que vem, as reclamações de Espanha e Itália serão potencializadas por outras 11 seleções do continente que virão ao Brasil. O forte calor e alto nível de umidade em algumas cidades-sede do Mundial prometem exigi-los ao máximo após as habituais e exaustivas temporadas por seus clubes. Com o agravante de que alguns jogos no Nordeste serão disputados às 13h (no horário local), três horas a menos do que as habituais 16h de 2013. E aí não há São Pedro que dê jeito.

Para se ter noção da dimensão do problema basta voltar até o último domingo. Debaixo de um sol escaldante, Espanha e Nigéria fizeram o último jogo da fase de grupos no Castelão, em Fortaleza. Os termômetros apontavam oficialmente 29ºC, mas a sensação dentro do estádio era de que os dois disputavam uma partida dentro de uma sauna seca. A analogia foi feita inclusive pelo zagueiro Piqué, no contato com a imprensa na zona mista após a partida. O lateral-esquerdo Jordi Alba, autor de dois gols, contou que seus pés pareciam estar queimados.

Copa das Confederações Calor - Giaccherini treino itália se hidrata (Foto: EFE)O italiano Giaccherini se hidrata em treino da Itália (Foto: EFE)
 
Na opinião do técnico Vicente del Bosque, o clima foi um adversário tão árduo quanto a Nigéria. Se a Espanha não jogou como costuma e cedeu espaços aos africanos, o treinador acha que a explicação passa pelo calor.

É impossível jogar com intensidade todo o jogo em condições como essa"
Del Bosque, técnico da Espanha
 
- É impossível jogar com intensidade todo o jogo em condições como essa. Tivemos dois grandes rivais, a Nigéria e um enorme ar sufocante. Jogar nesse ritmo por 90 minutos é impossível – argumentou.

Já o zagueiro Sergio Ramos talvez não soubesse que em 2014 terá de ir a campo mais cedo se o sorteio não for amigo dos espanhóis. Muito provavelmente será obrigado a abandonar a tradição de atuar com mangas longas, tal qual Piqué. Ainda assim, manteve uma postura digna em seu discurso.

- Foi muito duro o jogo contra a Nigéria e talvez tenha sido o mais complicado pelo rival e pelo calor, mas é o mesmo para todos. O Mundial será aqui e não somos crianças mimadas nem reclamonas. Não viemos para cá pela festa, e sim para tratar de ganhar a competição.

Copa das Confederações Calor - Sergio Ramos espanha se hidrata (Foto: Reuters)Na atividade da Espanha, mesmo à noite, todos com uma garrafa de água na mão (Foto: Reuters)
 
Necessidade de atletas, e não apenas jogadores

Sergio Ramos e a Espanha terão novo teste contra o calor nesta quinta-feira. Novamente às 16h (de Brasília) e no Castelão, em Fortaleza, os campeões do mundo enfrentarão a Itália. A previsão é de uma temperatura próxima a 30ºC no horário da partida, no Castelão, além de 68% de umidade relativa do ar. O estádio receberá no ano que vem um jogo de oitavas de final às 13h.
Vamos precisar de 23 atletas e não de 23 jogadores"
Prandelli, treinador da Itália
 
- Essa situação serve para a Copa do Mundo. Vamos precisar de 23 atletas e não de 23 jogadores. Teremos de preparar o time para superar essa umidade – avisou o técnico Cesare Prandelli.
O treinador da Azzurra foi acompanhado pelo meia Claudio Marchisio. Ele também reclamou das distâncias entre cidades do Sudeste e Nordeste. Na Europa Ocidental, três horas de voo são suficientes para ir praticamente de uma ponta a outra.

- É um clima muito adverso do Rio para Fortaleza. Isso precisa ser mais bem trabalhado. Precisamos levar o calor em conta para a Copa do Mundo também. Além do calor, há também o problema com as distâncias. É como se jogássemos a Copa das Confederações por toda a Europa.

Copa das Confederações Calor - Torcida mineirão sol, Taiti x Nigéria (Foto: Reuters)Sol fez algumas 'vítimas' nos estádios: Mineirão ficou com cadeiras vazias (Foto: Reuters)
 
‘Caldeirão’, Manaus terá jogos às 15h

A Fifa garante ter levado todos os fatores possíveis em consideração para a realização de jogos às 13h na Copa do Mundo. Em comunicado, a entidade máxima do futebol reforçou a preocupação com a saúde dos jogadores e afirmou que a definição dos horários e sedes foi um longo processo que levou quase dois anos.

- Um aspecto central na definição dos horários foi a análise muito cuidadosa do clima histórico em todas as sedes. As sedes com maior média de temperatura como Manaus, Cuiabá e Fortaleza não têm jogos às 13h durante a fase de grupos. Neste contexto, é importante notar que os principais critérios para a equipe médica são baseados na Wet Bulb Glob Temperature (WBGT) e não apenas a temperatura média geral. O WBGT é um mecanismo usado para estimar o efeito da temperatura, umidade, velocidade do vento e radiação solar – disse Delia Fischer, diretora-adjunta de Comunicação da Fifa.

Copa das Confederações Calor - Torcida maracanã sol, México x Itália (Foto: Getty Images)Rampa no Maracanã exposta castiga os torcedores
antes de Itália x México (Foto: Getty Images)
 
Dentre as sedes, Manaus é a cidade que registra a maior média máxima de temperatura no mês de junho, quando toda a primeira fase é disputada. A capital do Amazonas sofre com um calor que chega a 33,5ºC e receberá duas partidas às 15h (hora local) e uma às 16h. Cuiabá vem em seguida, com média máxima de 31ºC e um jogo às 16h. A diferença de fuso em relação a Brasília para ambas é de uma hora.

Cabeças de chave torcem, desde já, para não serem sorteados no Grupo C e E, chaves com jogos à tarde em Cuiabá e Manaus (o sorteio será em 6 de dezembro, na Costa do Sauípe). Assim, evitariam outro adversário severo, além da distância - motivo de reclamações por parte de Marchisio e outros atletas ao longo das Confederações.

Com Fortaleza, Natal, Recife e Salvador, porém, não houve jeito. As quatro cidades do Nordeste terão ao menos uma partida às 13h num inverno que só se faz presente no nome. A posição da Fifa é de que não havia nada melhor a ser feito.

- A equipe médica da Fifa está sempre monitorando cuidadosamente todos as sedes durante qualquer competição da entidade para proteger a saúde dos jogadores. Também deve ser notado que três jogos no mesmo dia são necessários para uma competição como a Copa do Mundo. E desde a primeira edição, em 1930, as primeiras partidas do dia são jogadas na hora do almoço – encerrou Delia Fischer, lembrando que o Mundial de 1994 também foi marcado pelo forte calor nos Estados Unidos, como o frio tomou conta da África do Sul em 2010.
 
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-das-confederacoes/noticia/2013/06/imagina-na-copa-europeus-sofrem-com-calor-e-mundial-promete-ser-pior.html

Neymar manda beijos, Paulinho decide, Brasil bate Uruguai e vai à final

Em cobrança de escanteio do atacante para o volante, Seleção resolve clássico de puro coração contra a Celeste, e agora espera adversário do Rio

Por Alexandre Lozetti

 

Beijinho, beijinho, tchau, tchau! Quando era baixinho, Neymar deve ter curtido o bordão de Xuxa. 
Agora, criança grande, moleque arteiro, não o esqueceu. Beijinho pra você, Alvaro González! E tchau pra vocês, Uruguai! Foram duas cobranças de escanteio nos minutos finais. Na primeira, o beijo serviu como resposta à provocação do uruguaio. Na segunda, o passe perfeito para o craque Paulinho serviu para aliviar o peito de milhões de brasileiros: vitória por 2 a 1 sobre a Celeste no Mineirão, na semifinal da Copa das Confederações.

O Brasil está na final. Superou a velocidade asiática do Japão, a resistência latina do México, a disciplina tática europeia da Itália, e agora passou por um Uruguai que tem tudo isso e mais um pouco. Tem raça, história, respeito, Cavani, Suárez, Lugano... Mas o Brasil foi mais. Talvez tenha sido menos time, mas foi maior nos braços de Julio César, mais decisivo no lançamento e na cabeçada de Paulinho, mais oportunista na inteligência de Fred, mais genial em Neymar.

Mais coração! Quem achou que seria fácil bater o Uruguai se enganou. Muito mais do que a pressão colocada por Lugano no árbitro Enrique Osses, a Celeste jogou no seu limite. Merece aplausos. Os últimos minutos, com goleiro uruguaio na área, tensão nas 57.483 pessoas que foram ao Mineirão, provaram que é, sim, um dos maiores clássicos do planeta.

Paulinho gol Brasil Uruguai (Foto: AFP)Herói da partida, Paulinho comemora seu gol, decisivo para a vitória brasileira (Foto: AFP)
 
Mas o Brasil está na final. E, que nos perdoem os jogadores que terão pela frente craques como Iniesta, Xavi e companhia, mas o mundo clama por um duelo contra a Espanha.

O Brasil jogará a final no próximo domingo, às 19h, no Maracanã, contra o vencedor do duelo entre La Roja e a Itália, que se enfrentam na quinta-feira em Fortaleza. O Uruguai vai a Salvador tentar o terceiro lugar diante de quem perder o clássico europeu.


Entretanto, se o Mineirão lotado comemorou a vitória sobre o Uruguai, do lado de fora do estádio milhares de pessoas fizeram mais um dia de protestos pelas principais vias de Belo Horizonte.
 Com as ruas no entorno do Mineirão fechadas pela polícia, manifestantes entraram em confronto com a Polícia Militar de Minas Gerais. A cobertura completa você acompanha no G1.
Verde, amarelo e vermelho

Poucas cores são tão tradicionais no futebol mundial quanto a amarelinha do Brasil e a Celeste uruguaia. Mas quis o destino que o vermelho brilhasse no primeiro tempo. A cor da roupa, do coração e do sangue que corre nas veias de Julio César, inflamado desde que a torcida mais uma vez assumiu para si o hino nacional. Enquanto o Mineirão cantava, ele balançava os companheiros. Era quase um aviso: hoje é comigo!

Quando David Luiz puxou Lugano dentro da área e o árbitro chileno Enrique Osses deu pênalti, aos 12 minutos, o estádio silenciou. Coube ao goleiro, que tanto gosta do barulho dos torcedores, levá-los ao delírio ao defender no canto esquerdo. Julio deu seus passinhos à frente, saiu antes.Forlán foi mal. Olhou só para a bola. Se levantasse a cabeça, tocaria no outro canto e faria o gol.

Fred gol Brasil jogo Uruguai (Foto: Getty Images)De canela, Fred completa para o gol e abre o placar para o Brasil (Foto: Getty Images)
 
O Brasil levou mais de 20 minutos para chegar à área celeste. E quando conseguiu pouco fez. O Uruguai ficou menos com a bola, mas foi mais perigoso, como no belo chute de Forlán que passou ao lado do gol. O “1” e o “9” estavam fora do jogo. Julio orientava e pedia concentração. Fred se esforçava para compor a marcação e rezava por uma bolinha. Uma só...

E bastou que ela passasse pelos pés de quem a trata melhor para chegar ao centroavante. O lançamento de Paulinho, o domínio e o chute de Neymar entortaram a firme marcação dos bicampeões mundiais. Muslera defendeu a primeira tentativa, mas ela sobrou para Fred. Quietinho, mineirinho, no lugar certo como sempre. Certeiro como sempre. 1 a 0.
Como todo bom Brasil x Uruguai, o primeiro tempo teve um chute de Luiz Gustavo no estômago de Rodríguez, a camisa esgarçada de Lugano e o nariz de Paulinho sangrando. O segundo tempo prometia.

Neymar beijo Brasil Uruguai 2 (Foto: Reprodução SporTV)Neymar manda beijo para González antes de
cobrar escanteio (Foto: Reprodução SporTV)
 
O beijo, o passe e o gol

Prometia mesmo! Quem resolveu comer o famoso tropeiro no intervalo pode ter perdido o gol de Cavani. Até então, ele brilhara mais na marcação do que no ataque. Mas, aos dois minutos, ele não perdoou o vacilo coletivo da defesa em que David Luiz errou o chutão, Thiago Silva tentou sair jogando em lugar errado e Marcelo perdeu a bola. Nem o homem de vermelho seria capaz de impedir. Tudo igual no Mineirão: 1 a 1.

O Monstro se redimiu logo em seguida ao evitar que a bola de Suárez chegasse à cabeça de Forlán. A cor do jogo no momento era celeste. O som do Mineirão era um bom termômetro. E ele saiu do silêncio para ir quase abaixo quando Felipão chamou Bernard, xodó do Atlético. Hulk saiu vaiado pela primeira vez na Copa das Confederações.

Entre um sufoco e outro, um quase gol contra de Thiago Silva, e bolas e mais bolas levantadas por Forlán, o melhor jogador da última Copa do Mundo, Bernard achou Fred. Ele, que sempre espera por uma chance, dessa vez não aproveitou e chutou por cima. Absolutamente tudo poderia acontecer.

A entrada do pupilo de Felipão melhorou a Seleção. Até surgiu uma tabela, raríssima até então. A boa jogada de Neymar e Oscar parou nas mãos de Muslera.

Cavani gol Uruguai Brasil Mineirão (Foto: Reuters)Cavani festeja: artilheiro empatou o jogo para o Uruguaio no início do segundo tempo (Foto: Reuters)
 
Os minutos passavam cada vez mais rapidamente e a vontade de ganhar se tornou medo de perder. Principalmente depois que um chute desviado de Cavani passou rente à trave de Julio César. Mas Neymar ainda precisava retribuir o lançamento de Paulinho. Aquele, perfeito, que originou o gol no primeiro tempo.

Foram duas cobranças de escanteio. Na primeira, Neymar foi provocado por Alvaro González e mandou beijinhos ao uruguaio. Na segunda, aos 40 minutos, mandou um golpe no peito de toda Celeste, uma bola na cabeça de Paulinho. A cabeça, que tantas alegrias já deu ao Corinthians, dessa vez alegrou o Brasil.

Só falta um! E que venha a Espanha...

Paulinho gol Brasil Uruguai (Foto: Reuters)Jogadores vibram com a torcida após a classificação (Foto: Reuters)
 
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