terça-feira, 11 de junho de 2013

Jobson rechaça problema com álcool e, sem arrependimento, procura clube

Jogador treina separadamente no São Caetano à espera de uma nova chance: 'Quero jogar, ou quando estiver velho vou ficar reclamando da vida'

Por Thales Soares Rio de Janeiro



Ainda com apenas 25 anos de idade, Jobson já poderia escrever um livro. Uma biografia com páginas que contariam algumas histórias trágicas e de um talento desperdiçado. Vinculado ao São Caetano até o fim do ano por empréstimo, ele vem treinando separadamente desde o fim do Campeonato Paulista. Sem faltas ou polêmicas internas, o jogador garante que, desta vez, fez tudo certo e não tem motivos para arrependimento.

Jobson está morando em Sâo Paulo com o filho Vitor Leandro, de três anos, e a mãe Maria de Lourdes. Ele rechaçou que tenha problemas com o álcool, como relatou o médico Roberto Hallal, que acompanhou o jogador no começo de 2012, e espera encontrar um clube nas Séries A ou B que o acolha para poder mostrar seu futebol.

- Acho que há coisas que o doutor (Hallal) não tem que falar de mim. Ninguém sabe da minha situação aqui. Tenho 25 anos e as Séries A e B já começaram. Eu quero jogar, ou quando estiver velho vou ficar reclamando da vida - disse Jobson, que fez dois gols em sua passagem pelo São Caetano (veja um deles no vídeo).

Fui ao Sindicato para saber porque não poderia trabalhar e esse cara tinha falado que eu estava sumido há 15 dias. Fico triste. Esse (Genivaldo) Leal é um palhaço"
Jobson, sobre o diretor de futebol do Azulão

Contratado pelo Botafogo depois do bom desempenho no Campeonato Brasileiro de 2009, Jobson já passou por Bahia, Atlético-MG, Barueri e São Caetano. Agora, o jogador garante que não teve problemas extracampo, lembrando a polêmica com a ex-mulher Thayne Bárbara, mãe de seu filho, na qual acabou com o braço cortado, o que o afastou dos gramados por cerca de 15 dias.

Em outro episódio, chegou a ser levado para a delegacia por desacato ao tentar escapar de uma blitz. Na ocasião, o carro estava sendo conduzido por um amigo sem habilitação, já que o jogador havia consumido álcool.

- Não fiz nada demais. A única polêmica aqui foi de família, uma discussão com a mãe do meu filho. Dei minha cara para bater no São Caetano. Joguei normalmente, mesmo para cumprir tabela. Nessa mudança de comissão técnica, 15 jogadores foram afastados. Não tenho do que me arrepender. Agora foi diferente das outras vezes. Quem treina comigo sabe do meu dia a dia. Mas vai ver que a culpa de ter sido rebaixado foi minha. Se é isso que querem, então está bem - comentou Jobson.

Ao ser afastado, o jogador chegou a ser proibido de entrar no São Caetano. Jobson foi ao Sindicato de Atletas Profissionais de São Paulo para buscar seus direitos e conseguiu. Ele criticou o diretor de futebol Genivaldo Leal por algumas atitudes tomadas nesse período.

- Achei uma grande sacanagem. Na hora de me ligar para vir, o tratamento foi outro. Estava treinando separadamente até que um dia me barraram. Fui ao Sindicato para saber porque não poderia trabalhar e esse cara tinha falado que eu estava sumido há 15 dias. Fico triste. Esse Leal é um palhaço. Tenho que levantar a cabeça e continuar trabalhando - disse Jobson.

A esperança de conseguir dar certo no futebol não acabou. O São Caetano precisa encontrar outro clube interessado em Jobson para repassá-lo, já que não pode devolvê-lo, a não ser que pague uma multa de R$ 1 milhão. O Botafogo aceita que ele atue por outro clube e promete não criar problema.

Jobson está na expectativa e há pessoas cuidando de sua situação para ela seja resolvida o mais rapidamente possível. O jogador tem contrato até 2015 com o Botafogo. Por enquanto, ele ainda está em São Paulo, mas deve vir ao Rio aproveitar parte das férias durante a paralisação das competições nacionais para a disputa da Copa das Confederações.

- Espero que ainda haja portas abertas para eu jogar na Série A ou na B - afirmou Jobson.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/06/jobson-rechaca-problema-com-alcool-e-sem-arrependimento-procura-clube.html

Relatório de entrega do Engenhão apontava mais de 50 ações ignoradas

Vistorias relatavam parafusos soltos, peças amassadas e deformações 'acima da tolerância do projeto' do estádio feito para o Pan de 2007

Por Raphael Zarko Rio de Janeiro


Abraço engenhão (Foto: Thales soares) Torcida do Botafogo promove um abraço em torno do Engenhão (Foto: Thales soares)

Dois consórcios, cinco empresas e pelo menos três relatórios que apontavam falhas na montagem do estádio João Havelange. Esse é o início da conta de tantos problemas, além da pouca ou nenhuma manutenção que gerou um Engenhão interditado sete anos depois. O estádio, fechado para obras de reforços na estrutura do teto, já tinha série de recomendações para correções desde antes de ser entregue. Em 2006, 2007 e 2008, muitos dos atuais problemas do campo do Botafogo já eram conhecidos pelos consórcios construtores e pelos engenheiros do estádio.

Em 21 de julho de 2006, uma vistoria da empresa Alpha Projetos, do engenheiro Flavio D´Alambert, gerou um relatório com fotos e comentários a respeito de "deformações" e "não alinhamento" das estruturas da cobertura do estádio João Havelange. Pouco depois, em fevereiro e abril de 2007, uma nova vistoria constatou 56 ações pedidas, mas não realizadas, de um total de quase 70 no relatório chamado "Pendências da cobertura EOJH" (Estádio Olímpico João Havelange). O GLOBOESPORTE.COM teve acesso aos documentos, aos quais a comissão de avaliação do Engenhão, nomeada pela prefeitura, também tomou conhecimento durante a investigação para análise das causas e soluções para desinterdição do estádio.

Em outro relatório, denominado "Não Conformidades encontradas no Lado Oeste", o projetista do teto sugere série de intervenções imediatas e constata mais problemas na obra.

"É inquestionável que existem muitas deficiências na estrutura da cobertura do setor Oeste. Para além das que são visíveis nas fotografias obtidas pelo Consórcio II, nós pudemos observar outras, que se repetem em várias localizações. Encontramos: ligações com parafusos não instalados; peças não montadas; porcas não montadas e parafusos com comprimento insuficiente; parafusos mal instalados; peças empenadas; chapas torcidas", diz um trecho do relatório de 2007, assinado pela Alpha Projetos.

Montagem Engenhão vistoria (Foto: Divulgação)Foto de 2007 comparada à de uma semana atrás: problemas seguiram sem soluções (Foto: Divulgação)
 
À época, D´Alambert assinou a vistoria com pedido de "reparos e providências", mas ressaltou que "as não conformidades não oferecem risco de colapso da estrutura". Os engenheiros destacados para analisar o caso pela prefeitura afirmam, porém, que o erro foi de projeto.

- Levamos em conta todos laudos e memórias de cálculo. Um doente (o estádio) foi identificado. Agora fizemos uma ressonância magnética e constatamos os problemas - disse na coletiva de imprensa da sexta-feira passada o engenheiro Sebastião Andrade.

Para Flavio D´Alambert, se tivessem seguido as recomendações dos relatórios e o manual de manutenção, o estádio não teria chegado ao ponto de interdição.

- Em qualquer obra é normal encontrar não conformidades, que precisam ser corrigidas. Ainda mais numa obra complexa. Mas, até pelas fotos divulgadas pela prefeitura, é possível perceber que não foi feito quase nada para os reparos - explica D´Alambert.

No relatório de "Pendências da cobertura", a empresa do projetista constatou que pouco foi feito para realização de melhorias no estádio. Foram mais de 50 pontos descritos como "não realizados" e três "rejeitados" - quando o material colocado foi esmagado ou amassado. Em outro trecho, a vistoria supõe que a "anomalia, como não foi verificada deficiência de projeto, ocorreu durante o procedimento de içamento do módulo ou descimbramento."

A prefeitura do Rio diz que os problemas no estádio foram causados por erro de projeto. “O monitoramento de rotina realizado pelo consórcio teve continuidade e detectou falhas na cobertura do estádio, que poderiam oferecer risco à segurança dos frequentadores em determinadas condições. O laudo técnico embasa a recomendação de interdição estádio. Conforme apresentado, o erro não é de execução e sim de cálculo”, respondeu a prefeitura em nota.

Nessa segunda-feira, os consórcios Delta, Racional e Recoma, da primeira fase da obra, e Odebrecht e OAS, da segunda etapa, foram notificados pela prefeitura para iniciarem as obras de reforço na estrutura do Engenhão. As novas intervenções têm previsão de duração de 18 meses. Interditado desde fim de março, o Engenhão foi fechado após a prefeitura receber um relatório da empresa alemã SBP, que calculou até três vezes mais riscos de colapso na cobertura do que outras companhias do ramo, como a canadense RWDI e a inglesa BRE.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2013/06/relatorio-de-entrega-do-engenhao-apontava-mais-de-50-acoes-ignoradas.html