quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Federação expulsa dos Jogos atletas que tentaram entregar no badminton


Entidade anuncia exclusão das oito jogadores que tentaram perder suas partidas para conseguir um confronto mais fácil nas quartas de final

Por GLOBOESPORTE.COM Londres

A Federação Internacional de Badminton decidiu nesta quarta-feira excluir dos Jogos Olímpicos de Londres as quatro duplas femininas que jogaram para perder na última rodada da fase de grupos, na terça-feira. Estão fora das Olimpíadas as chinesas Wang Xiaoli e Yu Yang, as indonésias Greysia Polii e Meiliana Jauhari, e as sul-coreanas Jung Kyung-eun, Kim Ha-na, Ha Jung-eun e Kim Min Jung.


Árbitro conversa com Xiaoli/Yang, da China, e Jung/Kim, da Coreia do Sul, no badminton (Foto: Reuters)Árbitro para jogo e pede seriedade a Xiaoli/Yang, da China, e Jung/Kim, da Coreia do Sul (Foto: Reuters)

A decisão da entidade recebeu elogios do vice-presidente do Comitê Olímpico Internacional, Craig Reedie, que já foi presidente da Federação Internacional de Badminton.


- Se você tira o elemento competitivo do esporte, ele fica sem sentido. Você não pode permitir esse tipo de comportamento sem tomar uma ação firme. A federação acertou - disse.
As duas partidas que envolveram as duplas excluídas provocaram grande polêmica na terça-feira. Depois de sequências de saques no meio da rede e erros bizarros, os torcedores passaram a vaiar as duplas, e os jogos chegaram a ser interrompidos pelos árbitros, que pediram seriedade e ameaçaram desqualificar as atletas, mas nem assim foram atendidos.


As duplas tentaram entregar seus jogos na última fase de grupos porque já estavam classificadas às quartas de final e queriam evitar um confronto mais difícil. Mas, com dois times querendo entregar no mesmo jogo, criou-se um constrangimento de repercussão mundial. O presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, Sebastian Coe, criticou as atletas.


- Foi inaceitável e deprimente. Quem quer ver um jogo assim? - disse.


Na manhã desta quarta, a Federação Internacional de Badminton decidiu abrir uma investigação contra as atletas, por "não se esforçarem para ganhar um jogo". Horas depois, decidiu-se pela exclusão.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/08/federacao-expulsa-dos-jogos-atletas-que-tentaram-entregar-no-badminton.html

Camilo perde para grego líder do ranking, fica sem medalha e chora


Brasileiro é derrotado por Iliadis na disputa do bronze e não cumpre sonho de se tornar primeiro judoca a conquistar pódios em três pesos diferentes

Por Gabriele Lomba Direto de Londres

O punho direito, em riste, desta vez só conseguiu tocar o chão, para escorar o corpo. Sentou-se de cócoras, arrumou a faixa e recebeu um abraço do adversário. Ruía ali um sonho recarregado em doses: 12 anos depois da prata, quatro depois do bronze. Tiago Camilo tentava se tornar maior medalhista olímpico do judô brasileiro e o único judoca a subir ao pódio em três categorias diferentes. A quarta-feira, porém, foi mais um dia de choro para o país em Londres. Um choro discreto, mas doído. Depois de uma derrota para o sul-coreano Song Dae-Nam, o paulista perdeu o bronze da categoria médio (-80kg) para o grego Ilias Iliadis, líder do ranking: pontuação mínima, graças a dois shidos (advertências).


- É um momento de muita tristeza. Batalhei muito para chegar nessas Olimpíadas e tinha muita chance de ir para a final. É uma situação em que fico meio abalado.


Tiago Camilo na luta de judô contra Ilias Iliadis (Foto: Reuters)Iliadis (dir.) tenta contragolpear Tiago Camilo na disputa de medalha de bronze olímpica (Foto: Reuters)

É a primeira vez que Camilo sai de Olimpíadas sem medalha. Segue empatado com Leandro Guilheiro e Aurélio Miguel como maiores medalhistas do judô brasileiro em Olimpíadas, com duas cada. Escreveu boa parte da história do judô, que nesta quarta-feira comemorava os 20 anos do ouro de Rogério Sampaio em Barcelona. Judô que, naquele ano de 1982, quando o paulista nasceu, celebrava seu centenário.


Em Sydney 2000, um menino de 18 anos, estreante em Olimpíadas, arrematava a prata na leve. Em 2004, a tristeza por não ir a Atenas. Quatro anos depois, na meio-médio, um bronze com sabor de ouro.


Camilo sabia: teria que derramar muito suor sobre o tatame amarelo para sair dali e subir algum degrau do pódio. Tentou fazer do seu jeito, sem tentar ganhar "na regra". Em quatro dias de competição, os judocas brasileiros tinham vencido apenas duas lutas por ippon - Felipe Kitadai e Leandro Guilheiro. Camilo ganhou as duas primeiras com a pontuação máxima: a primeira, contra o ucraniano Roman Gontiuk, e a segunda contra o italiano Roberto Meloni, que deixou o tatame reclamando.


- Prefiro manter meu estilo, buscando o ippon o tempo todo. Algumas horas eu também vou ganhar na punição, mas não fujo da minha característica. Teve muita luta decidida na bandeira, ganhando na regra. Acaba ficando um pouco feio.


Teve muita luta decidida na bandeira, ganhando na regra. Acaba ficando um pouco feio."
Camilo

Contra o uzbeque Dilshod Choriev, o desafio mais duro, uma vitória pela pontuação mínima: um yuko. Levantou-se calmamente, esbravejou. Agora teria o coreano Song Dae-Nam. Tinha desvantagem de 2 a 1 no retrospecto.


Depois do intervalo de um hora, o Complexo Excel se vestiu de verde e amarelo. Nos primeiros 30 segundos, um susto. Wasari para o sul-coreano. A três minutos do fim, o árbitro deu um shido contra Camilo. A 30 segundos, punição para o coreano.


Não havia tempo para se abater. O combate seguinte, 25 minutos depois, era contra o líder do ranking.


- O intervalo foi muito curto e não houve tempo para recompor a cabeça dele. Ele é um atleta que entra para ganhar sempre. Não teve tempo suficiente para recompor a cabeça - lamentou o coordenador-técnico da seleção brasileira, Ney Wilson.


Camilo, depois, discordou. Disse que estava preparado. Não queria saber de desculpas.
- Os melhores estão aqui, tudo pode acontecer. São detalhes. Essa competição foi definida nos detalhes - conta.


Camilo iniciou o combate mais agressivo que na semifinal, tentando a primeira entrada, e quase levou um contragolpe de Iliadis. Defendeu bem. A disputa por pegada era acirrada e nenhum dos dois conseguia espaço. O grego marcava as mãos do brasileiro e não o deixava agarrar seu quimono. A primeira metade do duelo passou sem pontuações, nem punições. Com 2m06s restando, Iliadis conseguiu um golpe, mas Camilo conseguiu se ajustar e proteger a queda.
Pouco depois, veio um shido (advertência) contra Camilo, significando que ele teria de ser mais ativo para não sofrer nova punição. Com 35s, porém, veio outro shido, somando um yuko para o grego. Iliadis só levou um shido a 6s do final, e segurou o resultado até o final para sair com o bronze. Insatisfeito com o resultado, o brasileiro não conseguiu impedir as lágrimas de escorrerem.


Esforçando-se para conter o choro, Camilo deixou a área de luta sozinho. Voltou alguns minutos depois, ainda de quimono, ainda de voz engasgada.


- Não tenho muito o que falar porque é bastante triste ter perdido a medalha.
Confira o resultado final das duas categorias do judô disputadas nesta quarta-feira:


Peso-médio feminino (até 70kg):
1ª: Lucie Decosse (FRA)
2ª: Kerstin Thiele (ALE)
3ª: Yuri Alvear (COL)
3ª: Edith Bosch (HOL)



Peso-médio masculino (até 90kg):
1º: Song Dae-Nam (COR)
2º: Asley Gonzalez (CUB)
3º: Ilias Iliadis (GRE)
3º: Masashi Nishiyama (JAP)


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/olimpiadas/noticia/2012/08/tiago-camilo-perde-para-grego-lider-do-ranking-e-termina-sem-medalha.html