sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Inovação à la governo Temer: pagar youtubers para enganar seus filhos e você. Por Kiko Nogueira




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http://www.diariodocentrodomundo.com.br/inovacao-a-la-governo-temer-pagar-youtubers-para-enganar-seus-filhos-e-voce-por-kiko-nogueira/



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Pergunte ao seu filho adolescente se ele leu o livro que a escola encomendou. Ele não saberá o nome, provavelmente.
Agora pergunte se ele assistiu ao último vídeo de algum youtuber. A resposta positiva virá com uma descrição minuciosa. Batata.
A estratégia do governo Temer de pagar influenciadores do YouTube para fazer propaganda disfarçada das reformas no ensino médio segue o padrão vigente: é um golpe vagabundo.
Esses rapazes estão sendo pagos com dinheiro público para enganar o público.
De acordo com reportagem da Folha, o canal “Você Sabia?”, de Lukas Marques e Daniel Molo, com 7,13 milhões de assinantes, recebeu 65 mil reais pelos elogios.
“Se eu tivesse que fazer o ensino médio e soubesse dessa mudança, eu ficaria muito feliz”, comenta Lukas, na maior cara de pau.
Um certo Pyong Lee, por sua vez, com seus 3,3 milhões de assinantes, tenta encaixar um texto técnico, que ele claramente não compreende, no estilo bobo alegre característico.
Não há qualquer aviso de que a discurseira é um comercial. É um estelionato.
Os vloggers são um fenômeno mundial. No Brasil, Kéfera Buchmann, por exemplo, tem milhões de fãs querendo vê-la dissertar sobre assuntos como depilação, seus cachorros ou Deus se masturbando diretamente de seu quarto. Tem de tudo para todo mundo.
Era natural que virassem garotos propaganda. Até aí, ótimo. A questão é a falta de transparência.
Nos Estados Unidos, essa discussão está avançada. Em novembro, a US Federal Trade Commission, agência de proteção ao consumidor, anunciou um acordo com a Warner Brothers, multada por não avisar apropriadamente que desembolsou milhões de dólares para youtubers promoverem um game.
“Os consumidores têm o direito de saber se as pessoas estão fornecendo suas próprias opiniões ou se estão sendo pagas para isso”, disse Jessica Rich, diretora da entidade.
Seria demais esperar que uma administração nascida de uma farsa jurídica acompanhada de uma empulhação nas ruas, cujo intuito era colocar uma quadrilha no poder, se preocupasse com questões éticas.
Ninguém da comunicação iria perguntar aos colegas: “Será que devemos mesmo dar uma grana para esses caras fazerem os outros de bobos na internet? Afinal, é educação, mano”.
O sujeito tem clareza de que, se vier com algo nesse sentido, será demitido. Ele se lembra que até o MBL foi contratado para propagandear feitos temeristas com base em sua “expertise de rua” e cala a boca.
É o novo normal na era do pós-ridículo. Se o prefeito de São Paulo faz jabá das vitaminas da empresa de um amigo numa reunião com secretários e filma tudo, qual o problema de tratar crianças como otárias?

AS PALMADAS MORAIS DE NASSAR NO LUGAR ONDE ROBERTO FREIRE GUARDA SEU INTELECTO




FONTE:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-palmadas-morais-de-raduan-nassar-no-lugar-onde-roberto-freire-guarda-seu-intelecto-por-kiko-nogueira/


No Prêmio Camões, escritor denunciou o golpe em discurso




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Na manhã de sexta-feira, dia 17, o escritor Raduan Nassar recebeu o Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa, pelo conjunto de sua obra.
Na cerimônia, realizada em São Paulo, o autor de “Lavoura Arcaica” fez o que se espera de um intelectual corajoso: denunciou o golpe.
O ministro da Cultura, Roberto Freire, ainda tentou uma pegadinha. Escalou Nassar para abrir os trabalhos, prevendo que viria chumbo, de modo a ele ficar por último. Batata (leia o pronunciamento abaixo).
O vexame foi inevitável. Freire, descontrolado em sua soberba e ignorância, mais um “notável” num governo vagabundo, sem qualquer legitimidade para o cargo, foi vaiado pela plateia, com quem bateu boca.
O melhor que conseguiu foi sugerir que Raduan não deveria aceitar o prêmio de 100 mil euros por ser um “adversário” — como se ele outorgasse a premiação, e não um júri de Brasil e Portugal — e que não estamos em uma “ditadura”.
Ouviu do professor Augusto Massi: “Acho que você não está à altura do evento”. Obviamente que não está. Resta-lhe procurar consolo em José Serra, que o inventou, enquanto não cai — se Serra não tiver mais o que fazer.
Eis o discurso de Raduan Nassar na íntegra: 
Tive dificuldade para entender o Prêmio Camões, ainda que concedido pelo voto unânime do júri. De todo modo, uma honraria a um brasileiro ter sido contemplado no berço de nossa língua.
Estive em Portugal em 1976, fascinado pelo país, resplandecente desde a Revolução dos Cravos no ano anterior. Além de amigos portugueses, fui sempre carinhosamente acolhido pela imprensa, escritores e meios acadêmicos lusitanos.
Portanto, Sr.Embaixador, muito obrigado a Portugal.
Infelizmente, nada é tão azul no nosso Brasil.
Vivemos tempos sombrios, muito sombrios: invasão na sede do Partido dos Trabalhadores em São Paulo; invasão na Escola Nacional Florestan Fernandes; invasão nas escolas de ensino médio em muitos estados; a prisão de Guilherme Boulos, membro da Coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto; violência contra a oposição democrática ao manifestar-se na rua. Episódios todos perpetrados por Alexandre de Moraes.
Com curriculum mais amplo de truculência, Moraes propiciou também, por omissão, as tragédias nos presídios de Manaus e Roraima. Prima inclusive por uma incontinência verbal assustadora, de um partidarismo exacerbado, há vídeo, atestando a virulência da sua fala. E é esta figura exótica a indicada agora para o Supremo Tribunal Federal.
Os fatos mencionados configuram por extensão todo um governo repressor: contra o trabalhador, contra aposentadorias criteriosas, contra universidades federais de ensino gratuito, contra a diplomacia ativa e altiva de Celso Amorim. Governo atrelado por sinal ao neoliberalismo com sua escandalosa concentração da riqueza, o que vem desgraçando os pobres do mundo inteiro.
Mesmo de exceção, o governo que está aí foi posto, e continua amparado pelo Ministério Público e, de resto, pelo Supremo Tribunal Federal.
Prova da sustentação do governo em exercício aconteceu há três dias, quando o ministro Celso de Mello, com suas intervenções enfadonhas, acolheu o pleito de Moreira Franco. Citado 34 vezes numa única delação, o ministro Celso de Mello garantiu, com foro privilegiado, a blindagem ao alcunhado “Angorá”. E acrescentou um elogio superlativo a um de seus pares, o ministro Gilmar Mendes, por ter barrado Lula para a Casa Civil, no governo Dilma. Dois pesos e duas medidas.
É esse o Supremo que temos, ressalvadas poucas exceções. Coerente com seu passado à época do regime militar, o mesmo Supremo propiciou a reversão da nossa democracia: não impediu que Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados e réu na Corte, instaurasse o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Íntegra, eleita pelo voto popular, Dilma foi afastada definitivamente no Senado.
O golpe estava consumado!
Não há como ficar calado.
Obrigado

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Sobre o Autor
Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.