quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Três donos da Globo têm 23% da renda dos brasileiros



FONTE:
https://www.conversaafiada.com.br/economia/tres-donos-da-globo-tem-23-da-renda-dos-brasileiros



E não estão na cadeia...

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E devem achar pouco... (Reprodução: RobertoMarinho.com.br)
O “rendimento real habitual” dos brasileiros, em setembro, outubro e novembro de 2016 foi de R$ 2.032,00.
(Fonte: IBGE)
O rendimento de todos os brasileiros assalariados, segundo o IBGE, foi de R$ 180 bilhões, nesse período de 2016.
A organização Oxfam revelou na reunião de Davos, na Suíça, que oito pessoas têm a mesma riqueza dos 50% mais pobres do mundo.
(Fonte: UOL)
A mesma Oxfam revelou que 6 brasileiros têm a mesma riqueza que 100 milhões de brasileiros.
(Fonte: UOL)
A mesma Oxfam revelou que 0,5% dos brasileiros detêm quase 45% do PIB.
(Fonte: Oxfam Brasil)
A mesma Oxfam revelou que os três filhos do Roberto Marinho - os que não têm nome próprio -, cada um, tem uma riqueza de R$ 13,92 bilhões, CADA UM!
O filho do meio, João Roberto Marinho, que desempenha o papel de “cérebro” das negociações políticas e dá as instruções para o Gilberto Freire com “i”, João Roberto ultrapassou o irmão mais velho, Roberto Irineu, e, segundo a Oxfam, se inclui na lista dos oito brasileiros biliardários.
Assim sendo, os filhos do Roberto Marinho detêm 23% do rendimento de TODOS os brasileiros.

E tem, cada um, um rendimento R$ 7 milhões superior ao do brasileiro assalariado.

Assalariado, segundo os critérios do IBGE.

Nao se incluem aí os que não procuram mais emprego, os chamados “desalentados”.

Precisa desenhar, amigo navegante?

PHA

"Que se danem os pretos, pobres, desassistidos"



FONTE:
https://www.conversaafiada.com.br/brasil/que-se-danem-pretos-pobres-desassistidos



Diálogo de dois criminalistas desolados

David_Kakay3.jpg
David e Kakay: o Judiciário não pode ser cúmplice desse massacre


Conversa Afiada reproduz a conversa de dois queridos amigos navegantes:


Há diálogos privados que merecem ser públicos. Mostram a consciência e o coração dos interlocutores e revelam uma visão a um só tempo crítica da realidade e reflexiva sobre o modo de funcionamento das instituições. Por essa razão, Kakay e eu resolvemos divulgar nosso breve diálogo a respeito dos graves acontecimentos envolvendo a Justiça Criminal e a crise do Sistema Penitenciário.
- David
David,
Vão querer colocar a responsabilidade na guerra entre facções. O Estado, tanto o do Amazonas quanto o Federal, vão se declarar vítimas de grupos criminosos organizados. Ninguém assumirá a responsabilidade pela bestialidade que impera no sistema prisional.
Nosso Judiciário, nosso Supremo já afastou a presunção de inocência e determina a prisão antes do trânsito em julgado. Que se danem os pretos, pobres, desassistidos, que entulham as cadeias brasileiras. É necessário, numa visão tacanha e desumana, de parte do Judiciário, “dar uma satisfação à sociedade”, e, para responder parte da mídia que quer a prisão de 20 empresários da Lavajato, mandam para a prisão milhares de pessoas sem culpa formada. Quantos presos provisórios estão dentre estes mortos? Mas nenhum será destaque e manchete individual nos telejornais, pois são presos sem rosto, sem nome... mas suas famílias existem e merecem nosso respeito. Que a sociedade volte os olhos para o massacre diário no sistema prisional brasileiro e que o Judiciário deixe de ser cúmplice deste massacre. A prisão antecipada é em boa parte responsável por esta barbárie. A vulgarização da prisão preventiva só alimenta este estado de coisa inconstitucional. “Arre, estou farto de semideuses, onde há gente no mundo”.
- Kakay
Kakay, você tem toda razão.
É a “justiça” em seu iníquo e suposto nivelamento social. Não pode, para esses bárbaros de toga, haver privilégios: se a Lei é flagrantemente descumprida para muitos, os poucos que podem lutar pelos princípios e regras de um Estado democrático expressos em nosso sistema jurídico (CP, Lei de Execução etc) hão de ser crucificados em nome da “igualdade”; se muitos recebem o decreto de uma prisão absolutamente ilegal, desafiando as garantias constitucionais, por que ficariam dela livres os de status socioeconômico diferenciado?; se a grande maioria, para escândalo da lei e vergonha do estatuto dos direitos humanos, é depositada em calabouço, nada justificaria tratamento jurídica e humanamente “distinguido” para indivíduos e cidadãos de determinada classe social, econômica e política.
A miséria do direito e do processo, expressão cunhada por Carnelutti, valerá para todos. O desrespeito aos direitos humanos não deve conhecer classe social. A vertigem avassaladora da perseguição estatal medra sempre nesse ambiente infecto de desrespeito solene aos direitos da pessoa humana, progressivamente despersonalizada e reificada. Deixa de ser gente para ser coisa e, uma vez coisa, transforma-se em algo absolutamente descartável. Tempos trabalhosos estes! Tempos difíceis estes!
Parafraseando o texto, escatológico de Cristo em Mt 24:13, “quem perseverar até o fim, esse será salvo”.
Para essa batalha devemos, de prontidão, ser soldados vígilos e valentes. Havemos de combater o bom combate do direito, acabar a carreira e guardar a fé no homem, centro de todos os valores, a exercer sobre eles uma irresistível força centrípeta e centrífuga.
Um abraço consolador de seu companheiro de fé e de luta
- David


Em tempo
: Kakay é o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro. David é David Teixeira, professor de Direito Penal da Universidade de São Paulo. - PHA