domingo, 13 de novembro de 2016

Jogo dos sete erros: o planejamento que derrubou o Tupi-MG na Série B




TUPI-MG


Ano que deveria servir para reestruturar o clube passa em branco e não tem impacto esperado na história carijó. GloboEsporte.com elenca causas do rebaixamento




Por
Juiz de Fora, MG



Marcos Serrato Tupi-MG Bragantino (Foto: Felipe Couri/tupifc.esp.br)
Ano ruim do clube culminou na queda 
(Foto: Felipe Couri/tupifc.esp.br)


Ninguém disse que 2016 seria um ano fácil para o Tupi-MG. Aliás, há muito tempo a palavra facilidade passa longe de Santa Terezinha. Porém, depois da promoção à Série B do Campeonato Brasileiro, em outubro de 2015, muita gente acreditou no discurso de que o acesso seria a chave para a mudança, a reestruturação e a afirmação alvinegra no cenário do futebol nacional. Nada disso aconteceu. Pouco mais de um ano depois de chegar à Série B, o Tupi-MG se despede da competição com as mãos vazias e sem ter o que comemorar, nem dentro, nem fora de campo.

O rebaixamento para a terceira divisão nacional, decretado nesse sábado, foi se desenhando com uma sucessão de acontecimentos, que surgiram por culpa ou pela incapacidade do clube em evitá-los. O GloboEsporte.com tentou elencar as razões para explicar a derrocada carijó. No "jogo dos sete erros" do Tupi-MG, a palavra "planejamento" foi retirada do tabuleiro, e a brincadeira não acabou bem, nem para o clube, nem para os torcedores alvinegros.

1 - CINCO TREINADORES EM UMA TEMPORADA

Junior Lopes técnico Tupi-MG (Foto: Bruno Ribeiro)
Júnior Lopes iniciou a temporada pelo Galo, 
mas só ficou dois jogos no comando 
(Foto: Bruno Ribeiro)


O Tupi-MG demorou duas semanas para rasgar as primeiras páginas de seu planejamento para 2016. Após encerrar sua participação na Série C, sendo eliminado pelo Londrina, em novembro de 2015, o clube não renovou com Leston Júnior e passou a procurar o homem que seria o responsável pela montagem do elenco. Não demorou muito, e Júnior Lopes foi anunciado. Um mês e meio depois e com apenas dois jogos no comando carijó, o treinador já estava demitido e toda a pré-temporada feita em Juiz de Fora não valeu muita coisa.

Daí em diante, nomes de grife vieram, mas não conseguiram implantar a filosofia de trabalho em Santa Terezinha. Afinal, nem tanto tempo para isso eles tiveram. Ricardo Drubscky, campeão da Série D do Brasileiro em 2011, salvou a equipe da queda no Campeonato Mineiro, mas só teve sete jogos da Série B até ser sacado do comando técnico. Estevam Soares o substituiu, comandou a equipe durante um turno inteiro, fez o time jogar bem e foi quem mais se aproximou de tirar a equipe do Z-4. Por divergências internas, acabou demitido, dando lugar a Ricardinho, que teve nove jogos pela frente. Por não concordar com a maneira como o elenco vinha se portando em treinos e jogos, o treinador pediu o boné e deu lugar ao auxiliar permanente, Júlio Cirico.

Ricardo Drubscky, Técnico, Tupi-MG (Foto: Felipe Couri/tupifc.esp.br)
Ricardo Drubscky durou sete jogos na Série B 
(Foto: Felipe Couri/tupifc.esp.br)


Com tantos nomes e trocas no comando, nenhuma filosofia de trabalho foi assimilada e as contratações pedidas por um treinador não foram tão bem aproveitadas assim pelo seguinte. Sem contar que, até o técnico que acabara de assumir conhecer o elenco e conseguir resultados, pontos já haviam sido deixados pelo caminho, comprometendo a campanha na Segundona.


2 - GESTÃO DO FUTEBOL: MUDANÇA E GUERRA POLÍTICA

Durante 2016, o Tupi-MG teve dois homens responsáveis por gerir o futebol. Todo o planejamento e montagem do elenco para a temporada foram feitos por Cloves Santos, que montou a equipe que conseguiu o acesso em 2015. Porém, desde os últimos meses do último ano, a relação entre ele e a presidente Myriam Fortuna e seus pares não era das melhores, fato que culminou na saída do dirigente antes mesmo do término do Campeonato Mineiro. Daí em diante Cloves deixou de ser diretor de futebol e passou a fazer oposição a Myriam Fortuna. As eleições estavam programadas para este ano, mas em razão de um imbróglio jurídico, o pleito ainda não ocorreu.

Cloves Santos e Junior Lopes Tupi-MG (Foto: Bruno Ribeiro)
Cloves Santos trouxe Júnior Lopes, o demitiu, 
e se desligou do clube pouco tempo depois 
para se tornar opositor de Myriam 
Fortuna (Foto: Bruno Ribeiro)


No meio do caos, com o time precisando se livrar do rebaixamento no Estadual e com a missão de remodelar o elenco para a Série B, com novas contratações pedidas por Ricardo Drubscky, Gustavo Mendes chegou a Juiz de Fora, precisou conhecer o clube, as dificuldades orçamentárias e a mentalidade da diretoria. De imediato, o gerente de futebol e a cúpula carijó, de uma maneira geral, passaram a trabalhar em cima dos contratos de atletas que não estavam nos planos e tinham compromissos mais longos. Isso gerou custo para o clube, fosse na rescisão (caso do meia William Kozlowski), ou no pagamento de parte do salário em caso de empréstimo (situação específica do lateral-direito Osmar, que tinha boa relação com Cloves Santos, foi emprestado ao Volta Redonda e teve entre 60% e 70% dos vencimentos pagos pelo Galo Carijó).

Após arrumar a casa, Mendes e o clube tiveram dificuldades para repor as saídas de atletas importantes, de jogadores como o zagueiro Heitor e o volante Rafael Jataí. O clube se virou com o que tinha nos cofres, trouxe os experientes Gabriel Santos e Renan, mas não teve condições de trazer reforços de peso para a disputa da competição.

Gustavo Mendes diretor do Tupi-MG (Foto: Bárbara Almeida)
Gustavo Mendes chegou ao Galo em abril 
(Foto: Bárbara Almeida)


Na base da criatividade, alguns atletas, como o meia Octávio, em baixa no Botafogo, vieram por empréstimo. Outros jogadores, como o volante Fahel, ex-Botafogo e Bahia, o meia Mancini, ex-Atlético-MG e Inter de Milão (ITA), e o meia Edno, ex-Botafogo e Portuguesa, chegaram a ser oferecidos ao clube, que não tinha condições de bancar os salários dos atletas e escolheu ir por outros caminhos na montagem do elenco.

3 - LESÕES: PREJUÍZO TÉCNICO E FINANCEIRO

Sidimar Tupi-MG (Foto: Bruno Ribeiro)Sidimar se lesionou em abril (Foto: Bruno Ribeiro)


Um time que disputa uma competição de regularidade precisa estar preparado para eventualidades, como lesões. Porém, o Tupi-MG não conseguiu repor as saídas de determinados jogadores por questões médicas. Em abril, o Galo perdeu o zagueiro Sidimar, que foi um dos destaques do Alvinegro na Série C de 2015. O jogador, que escolheu vir para o Tupi-MG no início do ano em vez de assinar um contrato de dois anos com o Atlético-MG, sofreu uma lesão no joelho e não voltou mais a jogar em 2016.

Outro atleta que era titular e se machucou foi Filippe Formiga. O lateral-direito sofreu uma fratura na perna direita na derrota para o Londrina, no dia 4 de junho, no Estádio do Café. O atleta também não atuou na sequência da temporada. Mais um que abandonou os campos em 2016 foi o zagueiro Hélder, também uma ruptura de ligamentos do joelho direito. O Tupi-MG precisou arcar com os direitos de imagem dos jogadores, sem poder utilizá-los no restante da segunda divisão.


4 - ORÇAMENTO

Alguns torcedores do Tupi-MG acreditaram na ilusão de que os mais de R$ 5 milhões da cota de televisão seriam suficientes para montar um elenco cascudo, capaz de seguir na segunda divisão nacional. No entanto, a captação de parceiros seria ação fundamental para conseguir custear a formação do grupo para 2016. O momento financeiro do país não ajudou e, além de não captar grandes patrocinadores, o Carijó conseguiu perder o principal parceiro privado.

Tupi-MG, novo patrocinador, Juiz de Fora, presidente Myrian Fortuna e Dr. Renato Loures (Foto: Felipe Couri / tupifc.esp.br)
Tupi-MG conseguiu novo patrocinador, mas 
demora prejudicou contratações (Foto: 
Felipe Couri / tupifc.esp.br)


A MRS Logística tinha uma parceria de quase dez anos com o time de Juiz de Fora. Mesmo tendo reduzido seu aporte financeiro nos últimos anos para o Galo, a verba para custear as despesas do futebol era bem-vinda em Santa Terezinha. Após o fim do contrato, no início do ano, o time demorou a conseguir um substituto para o espaço nobre na camisa. O Plasc, empresa de planos de saúde, acertou contrato de um ano com o Carijó, a partir de julho. O elenco, no entanto, já estava montado, e o Tupi-MG teve dificuldades para ir ao mercado e trazer jogadores de qualidade para reforçar o grupo.


5 - CADÊ O MARKETING?

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? A analogia não é das melhores, mas serve para discutir as razões dos baixos públicos do Tupi-MG na temporada 2016. Será que o público não abraçou o Galo na Série B ou o Alvinegro não fez com que o público sentisse vontade de ir ao Mário Helênio? A questão é que, do ponto de vista do marketing, as ações para atrair os torcedores ao estádio não tiveram êxito.

Algumas promoções pontuais, como gratuidade para mulheres, vestidas com a camisa do Tupi-MG ou não, foram tentadas, assim como promoções de chute a gol do meio-campo valendo brindes. Porém, nenhuma intervenção como chamadas na TV aberta, redução do preço de ingressos e outras tentativas para aproximar o público do Carijó foi colocada em prática.

Tupi-MG baixos públicos na Série B (Foto: Bruno Ribeiro)
Baixos públicos foram tônica na Série B. 
Marketing carijó não teve êxito em 
2016 (Foto: Bruno Ribeiro)


Segundo levantamento feito pelo GloboEsporte.com, o Tupi-MG tem a 18ª colocação na média de ocupação de estádios, com 1.290 torcedores por partida. A mostra disso aparece no ranking de públicos da competição nacional. Dos cinco jogos que tiveram menos público na Série B, quatro deles tiveram o Tupi-MG como mandante.

Além disso, o Galo é o quinto que menos arrecadou na competição, com pouco mais de R$ 595 mil de renda bruta. E olha que o preço médio do ingresso do clube foi um dos mais caros da Série B, custando R$ 25. Só os bilhetes para jogos do Vasco, que tinham valor médio de R$ 34, eram superiores.


6 - DEMISSÃO DE ESTEVAM SOARES

O único momento em que o Tupi-MG deu mostras de que poderia ter uma reviravolta na temporada 2016 foi sob a batuta de Estevam Soares. O desempenho dele à frente do Galo não foi algo impressionante. Foram cinco vitórias, sete empates e sete derrotas em 19 jogos. Porém, o time vinha de resultados e atuações razoáveis, que permitiriam uma possibilidade de reação.

No início do returno, o time havia perdido para o Goiás, empatado com o Vasco e vencido o Paysandu, fora de casa. Depois veio a ducha de água fria, com a derrota para o Bragantino, e dois empates, diante dos também ameaçados Joinville e Oeste. A partida contra o time de Itápolis, em Osasco, foi a última de Estevam. Mas não foi só a questão técnica e de resultados que derrubou o treinador.
Estevam Soares Tupi-MG (Foto: Bruno Ribeiro)
Estevam Soares foi demitido em melhor momento 
do clube na Série B (Foto: Bruno Ribeiro)


O GloboEsporte.com apurou que um mal-estar surgiu após o jogo diante do Rubrão. Vinícius Kiss vinha de um problema na coxa direita. Antes da partida, o médico e vice-presidente de futebol José Roberto Maranhas teria orientado Estevam a não escalar o jogador, pelo risco de agravar a lesão. Porém, Estevam escalou o meio-campista, que se colocou à disposição do treinador para atuar. Kiss durou oito minutos em campo, não aguentou as dores e foi substituído. Dois dias depois, a diretoria demitiu o comandante.

Os porquês da decisão de demitir Estevam, no entanto, não são o assunto principal. O debate está na nova mudança no comando técnico, restando apenas 12 rodadas para o fim da Série B do Brasileirão. O time, que dava sinais de que poderia escapar da degola com Estevam, não engrenou com Ricardinho, e acabou sendo rebaixado para a Série C.


7 - NENHUMA VITÓRIA EM CONFRONTOS DIRETOS

O entorno contribuiu para que o Tupi-MG não tivesse êxito na principal competição que disputou em sua história. Porém, é inegável que o campo teve parcela considerável. Além da péssima campanha até aqui, em que o clube não conseguiu vencer dois jogos seguidos e conquistou apenas uma vitória fora de casa, diante do Paysandu, o Galo não bateu nenhum de seus adversários diretos na briga contra o rebaixamento. O Alvinegro perdeu as duas partidas para o Bragantino, e empatou um jogo e perdeu o outro para Sampaio Corrêa, Oeste e Joinville.

Sampaio Corrêa Tupi-MG Castelão Série B gol olímpico (Foto: Reprodução/Premiere)
Galo não venceu nem o Sampaio Corrêa, lanterna 
da Série B (Foto: Reprodução/Premiere)



FONTE:

Emocionado, Magno Cruz dedica título da Série B do Brasileirão ao p




ATELÉTICO-GO -CAMPEÃO DA SÉRIE B 2016



Meia comemora conquista do Atlético-GO com a torcida rubro-negra no Estádio Olímpico e lembra do pai, já falecido, que não acompanhou seu crescimento no futebol




Por
Goiânia



(OBS. DO BLOG:
VEJA O VÍDEO CLICANDO NO
LINK DA FONTE NO FINAL DA
MATÉRIA ABAIXO)



Considerado um dos principais jogadores na vitoriosa campanha rubro-negra, o meia Magno Cruz se emocionou com o título da Série B conquistado neste sábado. Em partida bastante movimentada, o Atlético-GO bateu o Tupi-MG por 5 a 3, no Estádio Olímpico, chegou aos 70 pontos e garantiu a taça, já que não pode mais ser alcançado nas últimas duas rodadas.

Destaque do Dragão desde o Campeonato Goiano, Magno comemorou com a torcida, que encheu o Olímpico mais uma vez. Depois da partida, ele agradeceu pela conquista e dedicou o título ao pai.
- É indescritível. Batalhamos muito. As pessoas diziam que a gente não iria conseguir. Algumas pessoas ao nosso redor também falavam que não iríamos conseguir. Quero dedicar ao meu pai, que está no céu. Não pôde acompanhar meu crescimento. Quero agradecer à torcida também.


Magno Cruz - meia do Atlético-GO (Foto: Reprodução / SporTV)
Magno Cruz comemora título da Série B 
(Foto: Reprodução / SporTV)


FONTE: