sábado, 3 de setembro de 2016

Como Temer, a Folha é golpista mas não aceita ser chamada de golpista. Por Paulo Nogueira



FONTE:
http://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-temer-a-folha-e-golpista-mas-nao-aceita-ser-chamada-de-golpista-por-paulo-nogueira/



O mesmo jornal que simbolizou as Diretas Já representa hoje o oposto



O jornal que foi venerado nas Diretas Já é hoje abominado
O jornal que foi venerado nas Diretas Já é hoje abominado



A Folha é igualzinha a Temer. Foi peça vital no golpe, mas não aceita ser chamada de golpista.
Um editorial desta sexta é exemplar.
O jornal investe furiosamente contra os manifestantes anti-Temer que têm tomado as ruas de São Paulo. Chama-os de baderneiros, vândalos e coisas do 
O motivo: os manifestantes elegeram a Folha como um dos alvos do esculacho. Foram até a sede do jornal na Barão de Limeira, no centro de São Paulo. Picharam “Folha Golpista”.
A Folha fez jornalismo de guerra contra Dilma. Mas parece que gostaria de ser aplaudida por sua contribuição ao golpe.
Considere a diferença.
Nos anos 1980, a Folha se tornou o jornal mais influente, admirado e lido porque capturou a bandeira das Diretas Já.
Que as urnas falem. Que os brasileiros se manifestem. A Folha tinha captado o Zeitgeist, a expressão alemã que designa o espírito do tempo. Era vista como moderna, inovadora, sob certos aspectos até revolucionário no cenário da mídia brasileira.
Era chique ler a Folha, carregá-la sob os braços, citá-la para amigos. Era a referência número um dos universitários e dos formadores de opinião.
Agora, quando podemos estar no limiar de uma nova Diretas Já, a Folha está do lado oposto. É o anti-Zeitgeist. Não está entedendo o que se passa, como aquele personagem de Flaubert que passa por Waterloo e enxerga apenas homens lutando uns contra os outros.
A Folha era jovem, como as pessoas que pediam diretas já. Agora é velha como Temer, conservadora. Era venerada pela juventude. É detestada.
E o editorial em que ataca brutalmente os manifestantes anti-Temer mostra isso em cada detalhe.
Em nenhum momento a Folha sai da superfície e se pergunta por que a garotada está irada.
Ora, ora, ora.
Violência é pichar um jornal? Como classificaremos, então, a supressão de 54 milhões de votos por um grupo conservador e corrupto como este apoiado pela Folha?
A democracia brasileira foi estuprada à luz do dia mediante mentiras abjetas propagadas por todas as empresas jornalísticas.
Isso não é violência?
A Folha gostaria aparentemente que os brasileiros apanhassem calados. Que aplaudissem Temer, Cunha e todos os corruptos que fizeram o Brasil retroceder décadas com o golpe.
As Diretas Já foram um marco na ascensão da Folha mais de trinta anos atrás.
A segunda onda das Diretas Já vai ser um marco na decrepitude do jornal.
A Folha estava do lado certo. E por isso era louvada. Hoje está do lado errado e por isso é detestada. Os filhos e netos dos manifestantes daqueles dias em que a ditadura estertorava agora vão à Barão de Limeira para externar seu repúdio pelo mesmo jornal que seus pais e avós adoravam.
E os Frias parecem achar que vão resolver seu insolúvel problema de destruição de imagem terceirizando a responsabilidade por ele.
Não somos nós que estamos errados. É a sociedade. Esta é a lógica doentia da Folha.
A Folha não responde por seus atos. Daqui a pouco poderá lavrar um editorial com palavras semelhantes às imortalizadas nestes dias por Temer: “Não aceitaremos ser chamados de golpistas.”
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Paulo Nogueira
Sobre o Autor
O jornalista Paulo Nogueira é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

LULA ATACA ESTADO GOLPISTA


FONTE:
http://www.conversaafiada.com.br/politica/lula-ataca-estado-golpista


E quando o Delcídio delata o Temer? - PHA


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Conversa Afiada reproduz nota dos advogados do Presidente Lula:
O ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi ontem (3/9/2016) alvo de múltiplos ataques com claro intuito político de desgaste de sua figura pública, uma campanha sórdida, sem materialidade, e baseada única e exclusivamente em fragmentos de supostos depoimentos de Delcidio Amaral e Renato Duque vazados à imprensa. Há nítido interesse em inviabilizar a presença de Lula no pleito de 2018.
Na qualidade de seus advogados, esclarecemos o que segue.

1- Não há qualquer base concreta sobre a existência desses depoimentos, senão fofocas veiculadas por alguns agentes do Estado que se utilizam desse estratagema na tentativa de maquiar métodos ilegítimos de investigação e a inequívoca utilização do aparato estatal para perseguir o ex-Presidente;

2- As reportagens publicadas devem servir, exclusivamente, para que o Procurador Geral da República abra investigações reais e efetivas com o intuito de identificar os agentes do Estado que se utilizam de meios ilegais e contrários às garantias fundamentais para perseguir seus inimigos ou desafetos políticos;

3- A defesa de Lula fez, em julho, representações ao Procurador Geral da República para apurar eventual crime de abuso de autoridade e aquele previsto no art. 10, da Lei 9.296/96, diante da privação da liberdade imposta a Lula por meio de uma condução coercitiva sem previsão legal, da divulgação de conversas telefônicas realizadas por Lula – inclusive com seus advogados – dentre outros fatos. Nosso cliente é vítima de possíveis crimes praticados por agentes do Estado no âmbito da Operação Lava Jato, mas até hoje nenhuma providência foi tomada para apurá-los e puni-los;

4 – O processo de delação premiada deve, necessariamente, observar os requisitos previstos nos arts. 4º. a 7º. da Lei no. 13.850/2013, principalmente a voluntariedade, a efetiva e real colaboração para elucidação e punição da organização criminosa e o sigilo até a apresentação de denúncia. Sem a observância desses requisitos a delação premiada não tem qualquer valor jurídico (CPP, art.157);

5- Hipotéticas firmações genéricas e desprovidas de prova não servem para delação premiada segundo os critérios legais, e a divulgação desse material configura publicidade opressiva e abuso de autoridade;

6 – Há uma clara intenção de alguns agentes do estado de se utilizarem de delações premiadas negociadas com pessoas em situação processual desfavorável ou privadas da liberdade para obter versões que possam ser utilizadas contra Lula, após terem apurado, por meio de uma reprovável devassa, que ele não cometeu os crimes que haviam sido anunciados por esses mesmos agentes em entrevistas concedidas a partir do início da 24ª. Fase da Operação Lava Jato;

7- As inequívocas violações aos direitos fundamentais de Lula não foram corrigidas e paralisadas pelas autoridades brasileiras a despeito de todas providências que adotamos para essa finalidade. Em razão disso levamos o assunto, em julho, ao Comitê de Direitos Humanos da ONU. O comunicado será aditado para incluir as novas violações que estão sendo praticadas contra o ex-Presidente pelas autoridades brasileiras.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira