LIGA MUNDIAL DE VÔLEI 2016
Seleção sofre,
mas mostra frieza para vencer os atuais campeões da competição por 3
sets a 1. Neste domingo, equipe disputa o título com a Sérvia na Tauron
Arena
Por Danielle Rocha
Direto da Cracóvia, Polônia
(OBS. DO BLOG:
VEJA O VÍDEO CLICANDO
NO LINK DA FONTE NO FIM
DA MATÉRIA ABAIXO)
As
tarjas pretas coladas na camisa acima da bandeira do Brasil, eram em
solidariedade aos adversários. A noite de quinta-feira em Cracóvia foi
passada em claro, por conta do atentado terrorista em Nice. Mas o
respeito terminava ali. Quando a bola subiu, o que se viu foi briga e
das boas. Contra uma França que há um ano havia colocado fim ao sonho de
chegar à decisão da Liga Mundial no Rio. Contra a atual campeã do
torneio e da Europa, considerada a grande equipe da atualidade por
Bernardinho. Neste sábado, com paciência, espírito de luta, uma boa dose
de frieza e o saque eficiente de Eder, que encaixou uma sequência de 10
no quarto set, a
seleção venceu a partida por 3 a 1 (25/16, 23/25, 28/26 e 33/31). E
assim garantiu o direito de brigar pelo título contra a Sérvia,
exatamente a única a impor um resultado negativo à campanha que conta
com 11 triunfos.
O compromisso será neste domingo, às 15h30 (de
Brasília). O último troféu erguido pelos vice-campeões olímpicos e
mundiais foi na edição de 2010. A disputa pelo bronze será entre
franceses e italianos. O SporTV transmite e o GloboEsporte.com
acompanha em Tempo Real.
Eder saiu do banco e foi a arma da seleção
no saque (Foto: FIVB)
-
´É até ruim entrar numa situação como essa, com um companheiro que saiu
machucado (Maurício Souza). Mas é o que falo sobre a importância de
nosso grupo ser muito forte. Quem entra está pronto para fazer um ótimo
trabalho. Tive a felicidade de entrar bem no jogo, ter uma regularidade
boa como uma certa agressividade e estou feliz pela série de 10 saques. O
time funcionou muito bem. Não lembro se já fiz uma sequência tá grande
assim, mas é fruto do treinamento forte que estamos fazendo. Tive que
ter muito foco e aquilo foi causando uma pressão no time deles e
começaram a se perder no jogo. Por mim eu crio raiz lá no saque sempre.
Hoje eu criei (risos). Amanhã o saque vai ajudar muito a gente e é
importante e vai ser importante impor nosso ritmo - disse o central
Eder.
O jogo
Lucarelli
começava quente no saque. Maurício Borges crescia na frente de Ngapeth.
Lucarelli fazia o mesmo e o Brasil abria 10/7. Bruninho salvava uma bola
na quadra adversária e o esforço era recompensado. Pouco depois, fazia
uma grande defesa. Novo ponto. Ngapeth falhava na tentativa de fazer um
de seus ganchos no ataque e a seleção agradecia (16/10). A variação no
saque funcionava e Wallace assegurava um ace. Os franceses não se
encontravam em quadra. Trocavam as peças, mas a situação não mudava e a
seleção fechava o set: 25/16.
Com grande atuação, Wallace ajudou o Brasil
a vencer a França pela semifinal da Liga
Mundial (Foto: Efe)
Depois de ter passado em branco na
primeira parcial, o craque francês acordava. Mas era Rouzier quem
carregava a França nas costas. Clevenot sacava forte e colocava sua
equipe no comando (6/3). Bernardinho se irritava com as bobeadas do
time, no golpe de vista e na cobertura (13/7). Os jogadores respondiam
rapidamente. Wallace aparecia no momento difícil e o bloqueio se
apresentava diminuindo a diferença para apenas dois pontos (13/11).
Bruninho pedia desculpas pelo serviço na rede que poderia ter feito a
seleção encostar de vez. Maurício Souza era um paredão. Freava três
ataques franceses seguidos e empatava o jogo. Um ace de Lucarelli
garantia a virada (15/14).
Bernardinho fazia a inversão. William
e Evandro deixavam o banco. Os rivais não deixavam o Brasil escapar
(21/21). Um ace de Le Roux, pedido de tempo da seleção (23/21). Com
inteligência, Lucarelli passava pelo duplo da França, mas forçava demais
o saque logo em seguida. Maurício Souza, pelo meio, impedia que o set
terminasse ali. Mas Rouzier não desperdiçava a segunda oportunidade:
25/23.
Le Roux voltava do intervalo castigando no saque.
Derrubava quem estivesse no alvo. Para ajudar, o Brasil já não mostrava a
mesma energia e precisão. Não bloqueava Le Roux e facilitava a vida da
França (10/6). Quando o Brasil reagia, Maurício Souza, na tentativa de
salvar uma bola no fundo de quadra, ficava no chão, levava a mão às
costas e deixava a quadra. Eder entrava. Os comandados de Laurent Tillie
faziam defesas até com o pé (14/12). Mas o Brasil insistia e chegava ao
empate (15/15).
Bruninho foi um dos destaques da vitória
brasileira sobre a França pela semifinal
da Liga Mundial (Foto: Divulgação/FIVB)
Enquanto isso, Maurício Souza era atendido,
colocava uma proteção nas costas e fazia testes. Rouzier e Ngapeth
desequilibravam e abriam 20/17. William e Evandro iam para o jogo.
Wallace sacava e o Brasil fazia o placar andar (21/20). E numa jogada
que iniciou toda errada, os brasileiros empatavam.
Ngapeth respondia
passando pelo triplo. Maurício Borges retribuía. Evandro pegava Rouzier
no simples e o Brasil fazia 24/23. Rouzier deixava tudo igual. Evandro
recolocava o time em vantagem. Rouzier explorava o bloqueio e salvava a
França. Le Roux sacava. Para fora (26/25). Lucarelli também, assim como
Rouzier. Com um saque seguro, Eder criava a oportunidade que o Brasil
precisava. Lucão cravava e fazia os companheiros respirarem aliviados
após quatro set points: 28/26.
O bom momento era
ofuscado pelas falhas ofensivas bobas. Ngapeth chamava a
responsabilidade. Sacava forte, atacava do mesmo jeito. Sem barreira
(14/8). Bernardinho dava um puxão de orelhas. Funcionava. Wallace era
acionado e correspondia. Lucão resolvia pelo meio, atacando e
bloqueando. Eder seguia sacando (desde quando o marcador apontava
16/11), garantia um ace e o Brasil voltava ao jogo (16/15). Rouzier
cometia um erro. Empate. A virada viria com o freio em cima de Lyneel
(17/16). A França continuava pecando e a seleção tirava proveito,
abrindo 20/16. A série de Eder era quebrada e Lyneel iniciava a dele.
Os
pontos dados de graça levavam a França ao empate (20/20). O Brasil
sofria novo apagão. Por sorte, Rouzier atacava na antena (23/22).
Maurício Borges botava pressão demais no saque. No lance seguinte,
Lucarelli consertava tudo. Match point. Lipe entrava para sacar. Rouzier
explorava o bloqueio e igualava. Ngapeth desperdiçava seu serviço. Nova
chance dada ao Brasil. Apesar das lindas defesas de Serginho e Maurício
Borges com o pé, o ponto era francês. A vantagem chegava a trocar de
mãos, mas Le Roux sacava na rede (26/26). A igualdade prevalecia. O
pedido de desafio funcionava, mostrava o toque na rede de Ngapeth e a
seleção retomava o comando do marcador com Maurício Borges (29/28).
Rouzier mantinha sua equipe viva na partida. A marcação de dois toques
criava nova chance para o Brasil pôr fim ao sofrimento. Ngapeth não
deixava (30/30). Lucarelli fazia a sua parte, mas Lucão sacava para
fora. Wallace virava mais uma bola. E Le Roux dava a vaga na final para o
time de Bernardinho: 33/31. A arquibancada aplaudia de pé o fim daquela
batalha.
SELEÇÃO NA LIGA MUNDIAL 2016
Rodada no Brasil
16/06 - Brasil
3 x 0 Irã
16/06 - Estados Unidos 3 x 1 Argentina
17/06 - Brasil
3 x 0 Argentina
17/06 - Estados Unidos 3 x 1 Irã
18/06 - Irã 3 x 2 Argentina
18/06 - Brasil
3 x 1 Estados Unidos
Rodada na Sérvia
23/06 - Irã 3 x 1 Bulgária
23/06 - Brasil
1 x 3 Sérvia
24/06 - Brasil
3 x 1 Irã
24/06 - Sérvia 3 x 1 Bulgária
25/06 - Bulgária
0 x 3 Brasil
25/06 - Irã 1 x 3 Sérvia
Rodada na França01/07 - Brasil
3 x 0 Polônia
01/07 - França 3 x 0 Bélgica
02/07 - Brasil
3 x 2 Bélgica
02/07 - França 3 x 1 Polônia
03/07 - Bélgica 2 x 3 Polônia
03/07 - Brasil
3 x 1 França
Fase final na Polônia
13/07 - Brasil
3 x 0 Itália
13/07 - Polônia 3 x 2 França
14/07 - EUA 1 x 3 Itália
14/07 - Polônia 1 x 3 Sérvia
15/07 - Sérvia 2 x 3 França
15/07 - Brasil
3 x 2 EUA
16/07 - Sérvia 3 x 2 Itália
16/07 - Brasil 3 x 1 França
17/07 - 12h30 - Itália x França
17/07 - 15h30 - Sérvia x Brasil
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/volei/noticia/2016/07/com-autoridade-brasil-derruba-franca-e-vai-final-da-liga-mundial.html