segunda-feira, 9 de março de 2015

O cara: Kaká usa experiência, chama o jogo e lidera Orlando City em estreia

Brasileiro atua avançado, muitas vezes de costas para o gol, e evita desgaste físico excessivo em meio à correria da partida. Como capitão, camisa 10 tem postura serena


Por
Orlando, EUA

 
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Mais do que um símbolo de uma nova franquia da MLS, Kaká foi escolhido pelo Orlando City para ser um líder do time dentro de campo. E em sua estreia oficial, no domingo, ele deixou claro que vai buscar cumprir tal missão utilizando a experiência de quem, aos 32 anos, atuou nos gigantes Milan e Real Madrid. Um conhecimento que se mostra desde a inteligência nos passes até saber a hora certa de acelerar ou diminuir o ritmo. E que também dá as caras na hora da estrela brilhar, nos acréscimos, para marcar o gol de empate. Clique e veja como foi o gol.

Com nome estampado em muitas das camisas roxas nas arquibancadas do Citrus Bowl, Kaká também foi o preferido da equipe de transmissão do duelo entre Orlando e New York City. A primeira imagem do craque a aparecer no telão do Citrus Bowl foi um autógrafo concedido na camisa da mascote que o acompanhou na entrada em campo - quase que uma assinatura para provar que ele, o melhor jogador do mundo em 2007, estava ali, na Flórida, dando as caras no futebol norte-americano.

Kaka, Orlando City X New york (Foto: Getty Images)
Kaká mostrou repertório no começo do jogo, 
com direito a chute com o pé esquerdo (Foto: 
Getty Images)


Seu primeiro ato na MLS quase foi histórico: uma cobrança de 
falta certeira para cabeçada de Hines, que jogou ao lado do gol. Mas seu cartão de visitas apareceu mesmo logo depois: arrancada partindo do meio de campo, driblando, um, dois, e tentando o passe decisivo para o companheiro, em posição de impedimento. Também havia chute em seu repertório, mostrado em poucos minutos - e de canhota.

Após atuar no segundo semestre de 2014 no Brasileirão, com o São Paulo, e participar da pré-temporada do Orlando City, Kaká mostrou-se bem fisicamente. Um dos segredos foi posicionar-se mais à frente do que o de costume, quase que enfiado entre os zagueiros adversários, muitas vezes de costas para o gol. Com seu time tendo mais volume de jogo, era simples: receber a bola na intermediária, girar e estar a dois passos de dar um passe decisivo ou arriscar um de seus chutes de meia distância. Foi dessa forma que ele roubou a cena no primeiro tempo, enquanto David Villa, astro adversário, passava apagado em campo.

O perfil de líder também deu as caras. Como capitão, teve postura serena: conversava com o árbitro tranquilamente, sem os costumeiros gritos e movimentos bruscos com os braços. Sua única grande reclamação foi um cartão amarelo dado por Alan Kelly a Molino, por simulação. A relação com os companheiros também era muito cordial. Mesmo sendo "o cara" do Orlando City, abria mão de cobrar algumas faltas perto da área para Brek Shea ou Molino também arriscassem.

Kaka e David Villa, Orlando City x New York City (Foto: Getty Images)
Camisa 10, brasileiro também é capitão do 
Orlando City (Foto: Getty Images)


No segundo tempo, viu sua equipe ter maior dificuldade diante do crescimento do New York e, por isso, também tentou avançar mais pelas pontas. Em meio à correria intensa do futebol norte-americano, deu uma aula de ritmo ao saber as jogadas em que precisava colocar velocidade e quando teria que diminuir o ritmo - e foi desta forma que se manteve em campo do começo ao fim, sem comprometimento físico.

Por vezes, sua grande visão de jogo não era compartilhada pelos companheiros. Como aos 20 minutos do segundo tempo, quando o camisa 10 teve liberdade para indicar um lançamento pelo alto, forçar a movimentação de Rivas e dar o passe com precisão para a área. Entretanto, o colombiano demorou a perceber a oportunidade e não chegou na bola a tempo. Por isso, também tentava decidir finalizando - o brasileiro foi quem mais chutou durante a partida: cinco vezes.

Quando, aos 31 minutos, Diskerud colocou os visitantes à frente no placar, Kaká tomou o time pelo braço e mostrou que nada estava perdido. Usou a experiência para buscar o contato com os adversários e cavar faltas na entrada da área. Não perdeu a calma nem quando o zagueiro Collin foi expulso a sete minutos do fim do jogo e mostrou a frieza necessária no lance decisivo. Quando Molino caiu na entrada da área, aos 45 minutos, pegou a bola, colocou-a no gramado e nem deu chance de Brek Shea pensar que poderia cobrar. Foi ele, o cara, que chutou, viu a bola desviar em Brovsky e morrer no fundo do gol. O 10, o capitão, o líder, marcou o primeiro gol do Orlando City na MLS. Comemorou como sempre fez: braços erguidos, indicando para o céu. Nem precisava de assinatura: era mesmo Kaká.

Kaka, Orlando City x New York City (Foto: Getty Images)
Kaká comemora com sua marca: 
braços erguidos (Foto: Getty Images)


FONTE:

Guga se emociona com luta de Feijão e Mayer: "Espetáculo de guerreiros"

Brasileiro perdeu para argentino após 6h42, recorde na Davis. Tricampeão de Roland Garros diz: "Vontade de sorrir, chorar, gritar, vibrar, espernear, tudo ao mesmo tempo"


Por
Buenos Aires, Argentina
Ex-número um do mundo, tricampeão de Roland e maior da história do tênis brasileiro, Gustavo Kuerten ficou emocionado com o jogo que bateu recorde de mais longo da história da Copa Davis, com 6h42. O Brasil vencia o duelo contra a Argentina por 2 a 1 pelas oitavas de final do torneio, em Buenos Aires. Guga viu o compatriota João Souza, o Feijão, muito perto da vaga para as quartas em uma verdadeira batalha contra o argentino Leonardo Mayer. O confronto ganhou ficou dramático. O brasileiro, número um do país e 75 do mundo, conseguiu empatar a partida depois de ter perdido os dois primeiros sets e ainda salvou dez match points. No fim, os dois rivais estavam esgotados. Mayer, 29º colocado do ranking mundial, acabou levando a melhor por 3 sets a 2, mas não tirou o brilho de Feijão. O clássico ficou empatado por 2 a 2.

tênis guga gustavo kuerten evento (Foto: Thiago Lavinas)
Guga se emocionou com a "batalha de dois 
guerreiros", elogiando força de Feijão e do 
vencedor Mayer (Foto: Thiago Lavinas)


Para Guga, a disputa acirradíssima foi um "espetáculo de guerreiros", que se entregaram de corpo e alma sem se importar com o tempo e o calor que atingiu a capital da Argentina.

- Simplesmente inumano! Que espetáculo esses dois guerreiros proporcionaram numa partida de entrega total: corpo, alma e coração! Seis horas e 42 minutos de uma batalha extraordinária debaixo de um sol escaldante, recorde de duração de um jogo de Copa Davis! Esses jogos transformam a pessoa e o jogador, porque os sentimentos que vivemos lá dentro são tão intensos que dá vontade de sorrir, chorar, gritar, vibrar, espernear, tudo ao mesmo tempo! É fascinante e também desesperador quando conseguimos nos aproximar tanto do limite da nossa capacidade física! Parabéns Feijão e Leonardo Mayer, dois campeões num verdadeiro espírito de Copa Davis! #show #superação #fantástico #daviscup #BRAxARG #mayer #feijao #tennis #orgulho - comentou Gustavo Kuerten em sua conta no Instagram.

copa davis Tênis Mayer x Feijão (Foto: Cristiano Andujar/CBT)Feijão perdeu para argentino na partida mais longa de simples na Davis (Foto: Cristiano Andujar/CBT)


O placar de 3 a 2, com parciais de 7/6(4), 7/6(5), 5/7, 5/7 e 15/13, foi a mais longa de simples na Copa Davis. Superou as 6h22 da vitória do americano John McEnroe sobre o sueco Mats Wilander em 1982 (9/7, 6/2, 15/17, 3/6 e 8/6), época em que o sistema de tie-break ainda não era usado. A partida mais duradoura do torneio entre países foi o duelo de duplas entre Stanislas Wawrinka/Marco Chiudinelli, da Suíça, e Tomas Berdych/Lukas Rosol, da República Tcheca, em 2013, que se arrastou por 7h02, com vitória dos tchecos por 6/4, 5/7, 6/4, 6/7 e 24/22.

Com o empate entre Brasil e Argentina, a partida que vai definir o vencedor da série será o jogo entre o brasileiro Thomaz Bellucci (87º) e o argentino Federico Delbonis (83º). O duelo começou ainda neste domingo, mas teve seu término adiado para a segunda-feira, às 11h, por falta de iluminação natural após o brasileiro perder o primeiro set por 6/3.


FONTE:
http://glo.bo/1MlHXL