terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O que esperar da Fórmula 1 em 2015? Parte 2: Ferrari, RBR e STR

Em série de três matérias, Livio Oricchio faz projeção das equipes para próximo ano. No 2º capítulo, os destaques são RBR e Ferrari, que enfrentaram 2014 conturbado


Livio Oricchio - Especialista GloboEsporte.com (Foto: GloboEsporte.com)


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Depois de “sobrevoarmos” Brackley, sede da supercampeã Mercedes, Enstone, da Lotus, e Silverstoneville, da Force India, na primeira parte da análise sobre a temporada 2015, hoje é a vez de alçarmos voo sobre Milton Keynes, da RBR, na Inglaterra, Maranello, quartel central da Ferrari, nova casa do tetracampeão, Sebastian Vettel, e Faenza, também na Itália, sede da equipe STR, co-irmã da RBR. Na quarta-feira, encerramos nossa “viagem” com um pulo em Grove, base do time que da Williams, de Felipe Massa, Woking, sede da McLaren, e finalmente Hinwil, na Suíça, onde se encontra a Sauber, do brasileiro estreante Felipe Nasr. 
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Sergio Marchionne e Luca di Montezemolo dão entrevistas no Museu da Ferrari, em Maranello (Foto: Reprodução/Twitter)Ferrari passando por reformulação: entrou Sergio Marchionne, saiu Montezemolo (Foto: Reprodução)


As mudanças são profundas e de toda natureza: de piloto, técnica e administrativa. Elas começaram quando Stefano Domenicali era ainda o diretor geral, até abril. O italiano tirou do grego Nikolas Tombazis a responsabilidade maior do projeto dos carros e a repassou para a dupla que concebeu o veloz e equilibrado monoposto da Lotus em 2012 e 2013, James Allison, diretor técnico, e Dirk de Beer na aerodinâmica. Com ele, Kimi Raikkonen foi candidato aos títulos nas duas temporadas. E o orçamento da Lotus era a metade do da Ferrari.

Mas o presidente da Fiat, Sergio Marchionne, achou que era pouco. Primeiro pediu ao presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo, um novo diretor. Saiu Domenicali e entrou Marco Mattiacci, principal homem da Ferrari no mercado de carros esporte nos Estados Unidos. Sem experiência com F-1. Marchionne decidiu que queria mais. Dispensou Montezemolo e assumiu ele próprio a presidência da Ferrari, além de manter a da Fiat.

Não acabou: depois de apenas sete meses no cargo, chegou a vez de Mattiacci ser mandado embora por Marchionne. Para o seu lugar escolheu um profissional de personalidade forte, mas de pouco conhecimento de como uma equipe de F-1 internamente funciona, apesar de toda sua vivência no universo comercial e político da competição, Maurizio Arrivabene. A Ferrari volta a viver a fase em que se os resultados não surgem em curto prazo o presidente troca seu diretor, o que na F-1 definitivamente não funciona.


Marco Mattiacci no GP de Abu Dhabi, último à frente da Ferrari (Foto: Getty Images)
Mattiacci no GP de Abu Dhabi, último à frente 
da Ferrari. dirigente não completou um ano 
no comando (Foto: Getty Images)


Antes de sair, Domenicali e Montezemolo também substituíram o responsável pela unidade motriz deste ano, bastante inferior a da Mercedes, Luca Marmorini. Para a sua função vieram o projetista Lorenzo Sassi e para a gestão da área Mattia Binotto, ambos já técnicos da Ferrari. Os italianos têm grande tradição na área de motores.

O carro pode até não ser rápido, mas o motor tem de responder com potência, é uma questão também cultural. O motor da Ferrari não pode permitir ao seu monoposto velocidades tão inferiores às da Mercedes, como este ano. Montezemolo e depois Marchionne se sentiram agredidos com a falta de potência da unidade motriz.

Com a reestruturação no setor do chassi e no da unidade motriz, o próximo carro de F-1 da Ferrari provavelmente será mais rápido que o pilotado este ano por Fernando Alonso e Kimi Raikkonen. E para pilotá-lo Mattiacci foi até a RBR convidar Sebastian Vettel. Principalmente por estar preocupado com a concorrência interna com Daniel Ricciardo, que arranhava sua imagem de tetracampeão, pois o vencia quase sempre, Vettel aceitou trocar a RBR pela Ferrari.


Sebastian Vettel Ferrari teste Fiorano (Foto: Ercore Colombo/Ferrari)
Sebastian Vettel é a aposta da Ferrari para uma 
nova era (Foto: Ercore Colombo/Ferrari)


A grande dúvida no time italiano será de natureza administrativa. Faz sentido, diante da argumentação exposta, que o modelo de 2015 represente um avanço em relação ao deste ano. Mas Arrivabene saberá gerenciar uma escuderia de F-1? Suas decisões serão as melhores para a organização? As chances de as respostas serem não são maiores que sim.

Se a próxima Ferrari for um carro veloz e equilibrado, nas mãos de Vettel poderá significar a conquista de bons resultados. Mas se o modelo se mostrar não tão rápido e exigir do piloto correções regulares no volante para a manutenção da trajetória, a Ferrari sentirá saudade de Alonso. Com um monoposto instável não há piloto tão capaz quanto ele de somar pontos na F-1 e por vezes até surpreender, como este ano, com os dois pódios, terceiro na China e segundo na Hungria.

No que diz respeito ao companheiro de Vettel, o finlandês Raikkonen, tudo dependerá de como a Ferrari de 2015 irá se comportar. A exemplo de Vettel, ele é bastante sensível às reações do carro. Na Lotus venceu corridas e no fim do campeonato tinha chance de ser campeão. Este ano, com o desafiador modelo F14T, sumiu na disputa com Alonso. Somou 55 pontos diante de 161 do espanhol. De qualquer forma, Vettel e Raikkonen são, hoje, amigos, e a tendência é de unirem forças para ajudar a Ferrari evoluir.

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Adrian Newey em coletiva de imprensa após os problemas de superaquecimento do RB10 (Foto: Getty Images)Adrian Newey projetará seu último carro pela RBR e na F-1 em 2015 (Foto: Getty Images)


O modelo RB11-Renault será o último com a participação direta de Adrian Newey, o genial diretor técnico da equipe austríaca, o de maior sucesso na história da F-1. Este ano, para compensar a diferença de cerca de 60 cavalos a menos da unidade motriz da Renault, em relação à Mercedes, Newey tinha de manter o carro da revelação do Mundial, Daniel Ricciardo, e do então tetracampeão, Sebastian Vettel, com pouca carga aerodinâmica.

E mesmo assim sua velocidade final de reta era bem menor que a dos pilotos que competiam com unidade motriz da Mercedes: 15 km/h é uma diferença significativa na F-1. Essa menor carga aerodinâmica contribuía para reduzir o equilíbrio do RB10, mas sem ela as chances de resultado eram ainda menores.

Os engenheiros da Renault trabalham na nova unidade motriz na sede de Viry-Châtillon, ao sul de Paris. A RBR passou a financiar parte importante desse desenvolvimento. Esse foi um dos problemas da Renault este ano, investimento menor que Mercedes e Ferrari.

Apesar do congelamento na melhoria das unidades motrizes, em 2014, havia áreas onde era possível intervir. É só ver como elas os testes de inverno, em fevereiro, em Jerez, e depois terminaram o campeonato, em Abu Dhabi, bem mais eficientes nos parâmetros potência, consumo e resistência.

A direção da Renault decidiu que os recursos para o desenvolvimento do seu V6 Turbo tinham de vir do dinheiro arrecadado com a sua venda aos clientes, RBR, STR, Lotus e Caterham. A RBR tem um contrato diferenciado, pois é patrocinado pela Infiniti, empresa do grupo Nissan, montadora cuja principal sócia é a Renault. Mas as demais pagaram o preço médio de 20 milhões de euros (R$ 62 milhões) cada. O valor cobrado por Renault, Ferrari e Mercedes foi semelhante e motivo de protestos por parte dos times.


A Renault investiu menos e, claro, limitou a possibilidade de a sua unidade motriz crescer. É por isso que Christian Horner e Helmut Marko, da RBR, concordaram em patrocinar a melhoria da unidade da Renault que vai equipar seus carros. Apenas RBR e STR terão unidade motriz francesa em 2015. A Lotus a trocou pela da Mercedes e a Caterham dificilmente se apresentará na Austrália.

Daniel Ricciardo e seu indefectível sorriso - GP do Brasil (Foto: Getty Images)
Daniel Ricciardo e seu indefectível sorriso. 
Australiano é o novo "dono do pedaço" 
na RBR (Foto: Getty Images)


É de se esperar, portanto, que haja menor diferença de performance da Renault para a Mercedes em 2015. Quanto ao chassi, ninguém questiona que Newey conceberá outro grande monoposto. Já o deste ano, se tivesse uma unidade motriz mais eficiente, permitiria a Ricciardo vencer mais dos três GPs que ganhou. Bem como Vettel disputar temporada melhor.

A novidade é a saída de Vettel e a chegada do russo Daniil Kvyat. É talentoso, poucos duvidam, e demonstra maturidade maior da esperada para um homem de 20 anos. Tem, agora, como Ricciardo este ano, a oportunidade da sua vida. O conjunto RB11-Renault da RBR deverá ser mais veloz que o modelo deste ano. Kvyat deverá poder lutar por pódio, como Ricciardo. Dependerá, essencialmente, da sua capacidade. A F-1 conhecerá em 2015 sua extensão.


Russo Daniil Kvyat ganhou o troféu de estreante do ano com a STR (Foto: Divulgação)
Estreante do ano em 2014, russo Daniil Kvyat 
substituirá Sebastian Vettel na RBR em 2014 
(Foto: Divulgação)

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Tende a melhorar com a nova unidade motriz da Renault. O inglês James Key é o diretor técnico. Será o segundo projeto da STR que coordenará. A equipe existe para revelar talentos. De pilotos a técnicos para a RBR. É do mesmo proprietário, o austríaco Dietrich Mateschitz. A STR dispõe de orçamento modesto. Quando marcar pontos será já um avanço. 



Max Verstappen se tornou o mais jovem a participar de um treino de F-1, aos 17 anos com a STR, no Japão (Foto: Getty Images)
Max se tornou o mais jovem a participar 
de um treino de F-1, aos 17 anos com a 
STR, no Japão (Foto: Getty Images)


Em 2015 terá o talentoso Max Verstappen, de 17 anos, sensação na Fórmula 3 europeia. Ele terminou o campeonato em terceiro, no ano de estreia no automobilismo, com 10 vitórias e 7 poles. Em outubro do ano passado disputava (e foi campeão) o Mundial de kart, com 16 anos, e em outubro deste ano já andou no carro da STR no primeiro treino do GP do Japão, dias depois de completar 17 anos, quebrando o recorde de precocidade da F-1. O outro piloto da equipe é também um menino, o espanhol Carlos Sainz Junior, de 20 anos, campeão da Fórmula Renault 3.5, categoria similar a GP2. Carlos é filho do campeão dos ralis, Carlos Sainz.

Max e Carlos foram escolhidos pelo diretor do programa de formação de pilotos da RBR, o austríaco Helmut Marko, hoje com 71 anos, ex-piloto de F-1 no início dos anos 70. O mesmo que descobriu o tetracampeão Sebastian Vettel, ainda no kart, e a revelação do ano, Daniel Ricciardo.


Carlos Sainz, piloto da STR em 2015 (Foto: Divulgação)
Espanhol Carlos Sainz Jr., de 20 anos, formará 
dupla mais jovem da história com Max na STR 
em 2015 (Foto: Divulgação)


Acompanhar o trabalho de pilotos tão jovens, 17 e 20 anos, sem experiência com carros de elevada potência, como os da F-1, será uma das atrações da próxima temporada. A RBR inova também nisso. Nunca uma dupla teve tão pouca idade na história. A FIA já impôs limites nessa história. A partir de 2016, para estrear será preciso ter no mínimo 18 anos e duas temporadas de experiência com monopostos.



FONTE:
http://glo.bo/1GdtnRO

Mexeu geral: Verdão muda técnico, dirigentes e até 40% do elenco

Após saída de Dorival Júnior, Brunoro e Omar Feitosa, presidente Paulo Nobre convoca coletiva para explicar mudanças no departamento de futebol


Por
São Paulo


Paulo Nobre Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)Nobre mexe na estrutura do futebol do Verdão (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)


A luta contra o rebaixamento para a Série B do Campeonato Brasileiro já é página virada no Palmeiras. A diretoria trata agora de esquecer os resultados inexpressivos no ano do centenário do clube e já começa a traçar o planejamento para a próxima temporada. As primeiras mudanças aconteceram já na noite desta segunda, um dia depois da salvação na Série A: o técnico Dorival Júnior, o gerente de futebol Omar Feitosa e o diretor-executivo José Carlos Brunoro foram dispensados pelo clube.

Nobre trabalha para remontar a estrutura do futebol profissional. Alexandre Mattos, que fez ótimo trabalho no Cruzeiro, é o principal nome para assumir a a função de diretor. Ele já negociou com o clube e há até quem dê o negócio como certo.

A intenção da diretoria é acertar com o novo técnico o mais rápido possível, para definir o planejamento de 2015 já com o futuro comandante. Nobre não vai abrir mão da política de ter cuidado com as finanças e não fará loucuras para contratar um profissional com salário considerado muito alto, também pela necessidade de investir para remontar a equipe. Mano Menezes é um dos preferidos, mas o ex-corintiano disse em entrevista que pretende trabalhar fora do país.

Definida a estrutura de comando do futebol, que deve contar também com participação mais efetiva de um dirigente estatutário nos próximos dois anos - o vice Maurício Galliote tem tomado frente das decisões há alguns meses - o Verdão deve começar a definir seu elenco. E na diretoria há um consenso de que a reformulação precisa ser grande. Dessa forma, 15 dos 38 atletas do grupo - ou seja, quase 40% - devem sair

Jogadores com contratos a vencer em dezembro, casos de Bruno César, Bernardo, Diogo, Juninho, Eguren, Fernandinho e Victorino, não devem ficar. Henrique, artilheiro do Verdão, ainda discute sua permanência. Outro com vínculo perto de se encerrar, Marcelo Oliveira pode parar no futebol japonês. Existe o interesse do clube em ficar com estes dois últimos.

Wesley Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)Wesley é um dos cotados a deixar o Palmeiras(Foto: Cesar
Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)


Em baixa com a torcida, Wesley é outro que não deve vestir mais a camisa alviverde. Na mira do São Paulo, o volante não renovou seu contrato com o Verdão, que se encerra em fevereiro, apesar de o presidente Paulo Nobre ter afirmado já ter chegado a um acordo com o atleta. 
A reformulação não vai parar por aí. Dos seis goleiros que fazem parte do grupo profissional, ao menos três devem sair. Jailson tem vínculo até o fim do Paulista, enquanto os contratos de Bruno e Deola acabam no fim de 2015. Raphael Alemão deve ser emprestado. Só Prass e Fábio têm presença garantida.

Weldinho, Rodolfo, Felipe Menezes e Mazinho são outros que possuem vínculo com o Verdão em 2015, mas a tendência é que o clube tente emprestá-los ou envolvê-los em negociações.
Apesar das indefinições, Paulo Nobre prometeu investir na mudança da equipe e, logo após ser eleito, chegou a dizer que o Palmeiras terá um time para disputar títulos - mas sempre com "responsabilidade financeira".

- O que aconteceu neste ano estava completamente fora de qualquer plano, é óbvio. O que o torcedor pode esperar é um time para disputar títulos nos campeonatos que participar. Mas tenho um estilo de responsabilidade e não vou ficar comprometendo as finanças futuras do clube, porque tenho um respeito aos futuros gestores da Sociedade Esportiva Palmeiras. Isso, porém, não significa que não possamos ter um time competitivo - afirmou o dirigente.


FONTE;
http://glo.bo/131Jvtp