Expectativa é de
que em novembro o estádio esteja totalmente liberado, mas o uso efetivo
do lugar pode só ocorrer em 2015. Reabertura parcial não deverá
acontecer
Por Fred Huber e Gustavo RotsteinRio de Janeiro
Nesta
quarta-feira, o Botafogo completa um ano fora de sua casa. Já são 12
meses desde a interdição do Engenhão, e a expectativa é de que o estádio
fique ao menos mais nove meses em obras até a liberação total. Como
novembro já é a reta final do Brasileiro, existe o risco de o uso
efetivo só acontecer em 2015.
Engenhão virou um canteiro de obras
para a reforma da cobertura
(Foto: André Durão)
O
último jogo aconteceu no dia 23 de março de 2013, no empate por 0 a 0
entre Flamengo e Boavista. Os relatórios, porém, apontaram que a
cobertura gerava risco para os espectadores em caso de ventos fortes.
Depois de muito jogo de empurra, as obras começaram sob a
responsabilidade do consórcio, que reúne as construtoras OAS e
Odebrecht, e têm como objetivo a reforma da cobertura e o reforço dos
arcos.
Atualmente, o local virou um canteiro de obras. São
máquinas, guindastes, cordas de isolamento e operários por todos os
lados. Apesar disso, o Botafogo segue usando a estrutura de vestiários,
sala de musculação e o campo anexo para a realização dos treinos. Estas
mesmas instalações também devem ser utilizadas por alguma seleção na
Copa do Mundo, assim como aconteceu durante a Copa das Confederações.
Não recebemos nada diferente do prazo de liberação em novembro, e é com
isso que trabalhamos. Não pensamos em nada antes".
Sergio Landau, diretor executivo
Diretor
executivo do Clube e principal responsável pelo Engenhão, Sergio Landau
disse que tem grandes planos para 2015 e que a ideia de uma reabertura
parcial, com capacidade para 25 mil pessoas, não será possível.
-
Nós temos acompanhado este processo comandado pela Prefeitura. Não
recebemos nada diferente do prazo de liberação em novembro, e é com isso
que trabalhamos. Não pensamos em nada antes (liberação parcial). A
Prefeitura tem feito também intervenções no entorno para facilitar a
chegada dos equipamentos. Estamos muito confiantes, acho que em 2015
será um ano bastante interessante para o Engenhão.
Em nota, a
Prefeitura do Rio de Janeiro confirmou o prazo de conclusão para o
"final de 2014" e explicou em que estágio está a reforma.
"As
obras de reforma da cobertura do Estado Olímpico João Havelange seguem o
cronograma previsto. No momento, é executada a montagem de 34 torres de
escoramento. Erguidas com a ajuda de guindastes, as estruturas
metálicas emergem dos degraus da arquibancada para aliviar o peso da
cobertura e permitir a instalação dos mastros e tirantes que reforçarão
os arcos superiores. Quando a reforma estiver concluída, a cobertura
será retensionada e as torres de escoramento serão retiradas. O prazo de
conclusão está confirmado para o final de 2014".

Equipamento para as obras da cobertura
do Engenhão (Foto: Gustavo Rotstein)
Fechamento acarreta uma grande perda de receita para o Bota
De
acordo com a estimativa do Botafogo, a interdição do Engenhão faz o
clube deixar de ganhar cerca de R$ 40 milhões neste período de 19 meses.
A diretoria teve que se virar para entrar em um entendimento com
fornecedores e anunciantes do estádio. Além disso, o clube perdeu a
chance de vender os naming rights (cerca de R$ 20 milhões) e a verba de
aluguel para os jogos de Flamengo e Fluminense.
O Bota, que já
vivia uma situação financeira ruim, viu ela ficar ainda pior. Em 2013,
jogadores e funcionários conviveram com salários atrasados. Apesar
disso, os resultados dentro de campo foram satisfatórios.
Além do
Botafogo, o fechamento do estádio teve uma grande influência na vida
dos moradores dos arredores, que relataram o aumento de assaltos por
causa da diminuição do policiamento, além do fechamento de muitos
estabelecimentos comerciais que se sustentavam nos dias de jogos.
Até
as estátuas de ídolos como Nilton Santos e Garrincha sofreram, já que
viraram alvo de vandalismo depois que o local ficou abandonado.

Interdição afetou o comércio nos
arredores do estádio
(Foto: Thales Soares)
Os números do Engenhão:
* 34
torres de escoramento erguidas para aliviar o peso da cobertura e
permitir a instalação dos mastros que reforçarão os arcos superiores;
* 4 mil cadeiras retiradas para a instalação das torres;
* 340 trabalhadores, podendo chegar a 550 no pico da obra;
* 15 alpinistas - além de outros 15 em treinamento;
* 19 meses - tempo que o Engenhão deve ficar fechado;
* R$ 40 milhões é valor estimado que o Bota deixa de ganhar neste período
Confira a íntegra da nota da Prefeitura do Rio de Janeiro:
As
obras de reforma da cobertura do Estado Olímpico João Havelange seguem o
cronograma previsto. No momento, é executada a montagem de 34 torres de
escoramento. Erguidas com a ajuda de guindastes, as estruturas
metálicas emergem dos degraus da arquibancada para aliviar o peso da
cobertura e permitir a instalação dos mastros e tirantes que reforçarão
os arcos superiores. Quando a reforma estiver concluída, a cobertura
será retensionada e as torres de escoramento serão retiradas. O prazo de
conclusão está confirmado para o final de 2014.
Para dar
suporte ao trabalho dos atuais 340 trabalhadores envolvidos na obra foi
necessário montar uma infra-estrutura com implantação do canteiro
administrativo, oficina de solda, refeitório e espaço de lazer para os
colaboradores. Duas das quatro gruas já estão instaladas. No momento,
quatro guindastes atuam na lateral do campo auxiliando no transporte de
equipamentos e peças. Os refletores, passarelas, luminárias e caixas de
som também foram retirados e a instalação de elevadores e escadas de
acesso ao topo do Engenhão estão concluídos. Há uma expectativa do
número de trabalhadores chegar a 550 no pico a obra. São 15 alpinistas
trabalhando e outros 15 em treinamento.
Desde o fechamento
preventivo do estádio, em março de 2013, o Consórcio Engenhão detalha o
projeto executivo e estuda a alternativa mais segura para implementar
como solução de reforço. Após meses de ensaios, cálculos e análises, o
projeto adotado é o de recuperação das estruturas.
O projeto
consiste na reforma da cobertura e reforço dos arcos. A primeira etapa é
a instalação das torres de escoramento. Essa é a parte mais importante
no processo. Na próxima etapa, prevista para final de maio, haverá o
lift, ou seja, o macaqueamento da estrutura através destas torres. Em
seguida serão instalados os mastros e tirantes para reforços nos arcos,
além da introdução de reforços em outros componentes como joistes,
tesouras e contraventos. Além disso, será feita a conversão de arcos em
treliças, que irá instalar mastros ligando algumas estruturas,
permitindo a estabilização da cobertura. Quando a reforma estiver
concluída, a cobertura será retensionada e as torres de escoramento
serão retiradas. Os trabalhos também incluem neste momento estudo do
solo e avaliação de profundidade para instalação das gruas que irão
auxiliar a execução da obra.
Cerca de 4 mil cadeiras precisaram
ser retiradas para a instalação das torres. Elas serão reinstaladas logo
que a intervenção no local termine. A pista de atletismo e o campo não
serão afetados. A RioUrbe frisa que o cronograma apresentado
anteriormente não é invalidado com a solução adotada, já que os meses
anteriores a janeiro de 2014 estavam dedicados a pré-obra e detalhamento
do projeto - conforme está sendo executado. Os custos são integralmente
assumidos pelo Consórcio Engenhão, sem ônus aos cofres públicos.
O
projeto executado preserva as características do estádio e todo o seu
modelo arquitetônico. A solução encontrada priorizar a segurança dos
torcedores, sem ser radical em termos de estilo. Procurou-se
restabelecer a segurança, cumprir o prazo definido pela Prefeitura do
Rio e preservar o design do estádio.
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/botafogo/noticia/2014/03/engenhao-completa-um-ano-fechado-e-causa-prejuizos-ao-botafogo-e-local.html