quarta-feira, 19 de junho de 2013

Allen força prorrogação com cesta milagrosa, e Heat sobrevive na final

Em jogo alucinante, repleto de reviravoltas, equipe de Miami supera noite inconstante de LeBron James e vai buscar título no jogo 7, dentro de casa

Por GLOBOESPORTE.COM Miami, EUA

Ray Allen recolhe com a mão direita, salta diante da marcação de Tony Parker e arremessa. A cinco segundos do fim, a bola desce pelo aro sem quase tocar a rede. Àquela altura, tudo parecia perdido. Mas, enquanto todos esperavam pelo brilho de um astro, coube ao veterano de 37 anos fazer todo um ginásio explodir de esperança. Apagado em quase toda a série final, o ala-armador forçou a prorrogação com um arremesso milagroso no estourar do tempo normal. No fim, o Miami Heat venceu o jogo 6 por 103 a 100, depois de um empate em 95 a 95, e igualou em 3 a 3 a briga pelo título da NBA contra o San Antonio Spurs.

Foi a única cesta de três de Ray Allen na partida. Em um momento em que quase todos dentro do ginásio sentiam os Spurs se aproximarem de seu quinto título, o veterano, que saiu de quadra com nove pontos, manteve o time da casa no jogo. Astro da franquia, LeBron James teve uma noite instável. Depois de passar todo o terceiro quarto sem acertar um arremesso sequer, subiu de produção no período final, mas desperdiçou dois chutes que quase selaram o fim para o Heat. Ainda assim deixou sua marca com um triplo-duplo (32 pontos, 11 assistências e dez rebotes).

Ray Allen NBA Miami Heat San Antonio jogo 6 (Foto: EFE)Ray Allen salta para empatar o jogo e deixar tudo igual (Foto: EFE)

Do outro lado, Tim Duncan se candidatou ao papel de herói em ótima noite. Com 30 pontos e 17 rebotes, liderou os Spurs durante todo o jogo. Tony Parker também cresceu no último quarto e guiou o time à reação provisória, que foi interrompida com a cesta de Allen no fim do quarto final. Kawhi Leonard foi outro a ter um bom desempenho, com 22 pontos e 11 rebotes. O brasileiro Tiago Splitter jogou apenas 8m13s, anontou cinco pontos e pegou um rebote.

A decisão do título ficou para a próxima quinta-feira. Novamente em Miami, as duas equipes voltam a se enfrentar às 22h, e o GLOBOESPORTE.COM acompanha tudo em Tempo Real.

O jogo


Nas arquibancadas, um grande anel branco. Torcedores do Miami usavam a cor para incentivar a equipe em quadra desde o primeiro tapa na bola. Chris Bosh, dentro do garrafão, abriu o placar e deu ainda mais voz ao público. No lance seguinte, porém, Tim Duncan deu início a uma atuação magistral. O veterano acertou seus primeiros oito arremessos e manteve os Spurs vivos, apesar da intensidade ofensiva do Heat.

LeBron James comemoração NBA jogo final Miami Heat San Antonio jogo 6 (Foto: Getty Images)LeBron, sem a tradicional faixa, cresceu no fim e sai como cestinha do jogo (Foto: Getty Images)

LeBron parecia tímido em quadra, assim como Wade. Shane Battier, Chris Bosh e, principalmente, Mario Chalmers ditavam o ritmo dos donos da casa. Do outro lado, Duncan e Kawhi Leonard eram os melhores dos Spurs, que viam o argentino Manu Ginóbili ter uma noite bem inferior à do jogo 5. Splitter, que iniciou a partida no banco, foi para quadra a pouco mais de um minuto para o fim do quarto. O brasileiro, no entanto, não foi bem. Nervoso, errou algumas marcações e desperdiçou um lance livre perto do zerar do cronômetro.  O Heat, então, largou em vantagem: 27 a 25.

Battier deu início ao segundo com uma cesta de três. Green devolveu no ataque seguinte e acertou seu primeiro arremesso da noite fora do garrafão. O momento dos Spurs, porém, não era dos melhores. Wade aproveitou uma marcação ruim de Ginóbili para marcar mais dois pontos e levar o Miami à maior vantagem até então (36 a 30).

Neal, completamente desequilibrado, diminuiu a diferença em cesta de três. O lance deu força aos Spurs, que foram buscar. Duncan continuava imparável. A pouco mais de um minuto do fim, fez com que os visitantes empatassem e, na sequência, tomassem a dianteira novamente (46 a 44). Em bela infiltração, Boris Diaw ampliou, e Leonard, com um tapinha, fez a equipe de San Antonio ir para o intervalo com seis pontos de vantagem (50 a 44).

Wade, com dores no joelho esquerdo, deu lugar a Ray Allen na volta à quadra, mas logo retornou. Ginóbili, zerado até então, ampliou a diferença para os Spurs em cesta de três. Àquela altura, o Heat parecia implorar por um despertar de LeBron. O astro até tentou. Subiu um pouco de produção, e o Miami encostou. Mas foi por pouco tempo.

Os Spurs sobravam. Duncan seguia em uma noite espetacular. Leonard brilhava como coadjuvante, enquanto Diaw fazia marcação implacável sobre LeBron. Com uma defesa sólida e um bom aproveitamento no ataque, a equipe de San Antonio abriu 13 pontos de vantagem (71 a 58). Allen, de três, e Wade deram esperança à torcida da casa. Mas, depois de LeBron desperdiçar um ataque e cair pedindo falta, Tony Parker partiu para cima da marcação e devolveu a calma aos visitantes. No minuto final, Gregg Popovich ainda mandou Splitter e Ginóbili de volta para a quadra. A vantagem, na saída para o último intervalo, era de dez pontos: 75 a 65.

Ray Allen NBA Miami Heat San Antonio jogo 6 (Foto: Getty Images)Partida foi brigada do início ao fim (Foto: Getty Images)

Chalmers tentou dar vida ao Heat em arremesso de três. LeBron, que errara todos os arremessos no quarto anterior e só marcara em lances livres, também diminuiu. Mike Miller, em lance espetacular, perdeu o tênis em quadra e, mesmo assim, acertou de longe. A diferença, então, era de apenas quatro pontos (77 a 73). Com Duncan no banco, Splitter foi para a quadra e respondeu com uma bela cesta.

Ray Allen acerta arremesso histórico, e Heat chega à vitória

LeBron, enfim, acordou. Em uma cravada sensacional, o astro do Heat levantou toda a torcida do ginásio e deu gás à tentativa de reação da equipe. Na subida de Tim Duncan, o Rei de Miami, sem sua tradicional faixa na cabeça, deu toco espetacular e, no ataque, levou o time ao empate. Ray Allen marcou mais dois, e o time da casa chegou à virada. O ritmo seguiu alucinante. Tony Parker, poupado durante boa parte do tempo, fez os visitantes reassumirem a liderança em uma cesta de três e outra dentro do garrafão.

Foi quando o jogo virou histórico. LeBron teve a chance de devolver a esperança a Miami, mas errou dois arremessos seguidos. No segundo, Bosh pegou o rebote e passou para Ray Allen. Pressionado, à beira da zona do garrafão, o veterano teve calma suficiente para saltar e marcar de três, deixando tudo igual, a cinco segundos do fim. Tony Parker ainda tentou um último ataque, mas errou a mira, e a partida foi para a prorrogação: 95 a 95.
No retorno à quadra, o San Antonio tentou pressionar. Retomou a dianteira e chegou a ter a chance de abrir quatro pontos, mas Tony Parker desperdiçou um lance livre. O Heat, então, passou à frente. Os visitantes ainda se esforçaram, mas Chris Bosh se agigantou com dois tocos em sequência, em Tony Parker e Danny Green. Allen também impediu uma bandeja de Ginóbili que teria dado outro rumo à partida. A torcida, enfim, suspirou aliviada, e a equipe de Miami, enfim, comemorou: o publicidade

Touradas no Maracanã: Fúria volta ao estádio para vingar passado

Último jogo dos europeus no Rio de Janeiro foi em 1950, quando levaram 6 a 1 do Brasil na Copa do Mundo. Vai sobrar para o Taiti...

Por Alexandre Alliatti e Victor Canedo Rio de Janeiro


“Eu fui às touradas em Madri/ Para tim, bum, bum, bum/ Para tim, bum, bum, bum/ E quase não volto mais aqui/ Para ver Peri beijar Ceci”. As estrofes foram entoadas, simultaneamente, por mais de 150 mil vozes, enquanto lenços brancos balançavam no ar. Era 13 de julho de 1950. No gramado do Maracanã, o Brasil não deixava pedra sobre pedra na Espanha: 6 a 1. Nas arquibancadas, entre irônica e sádica, a torcida cantava o sucesso de Braguinha na época, “Touradas em Madri” – para humilhar de vez o adversário, como se fosse o toureiro dando a última estocada em uma vítima que já agonizava. Faz 63 anos. E só agora, tanto tempo depois, a Fúria volta ao palco de um de seus maiores pesadelos.

Brasil e Espanha jogo 1950 Copa do Mundo (Foto: Arquivo / Agência O Globo)Massacre: Espanha vai buscar seis vezes a bola nas redes do Maracanã (Foto: Arquivo / Agência O Globo)

O passado será exorcizado. O adversário desta quinta-feira, pela Copa das Confederações, é o Taiti, e a Espanha, se quiser, não deverá ter grande dificuldade para construir um placar até mais gordo do que aquele. Desta vez, será o toureiro. E um toureiro curioso pela oportunidade de jogar em um estádio tratado pelos jogadores com um adjetivo unânime: mítico.

Ninguém da atual geração espanhola, a melhor que o país já teve, conheceu o Maracanã. Os atletas parecem encantados com a chance que se avizinha.

- Vamos jogar em um estádio mítico. Desde pequenos, ouvimos histórias sobre o Maracanã. Qualquer um gostaria de jogar ali. É um estádio fantástico – resumiu o meia Juan Mata.

Para a história

O mundo vivia o pós-guerra. Ameaças de bomba atômica atormentavam a estabilidade que o planeta almejava depois de tanto sofrimento ao longo de quase uma década. No Brasil, finalmente voltava a ser disputada uma Copa do Mundo, após hiato de 12 anos – consequência justamente da II Guerra Mundial. O Maracanã era um encanto, um assombro. E a Espanha se mostrava como uma das seleções mais fortes.

jornal do Brasil 1950 Brasil vitória arquivo (Foto: Reprodução)"Jornal do Brasil" em 50 comemorava vitória sobre a Espanha e previa título que não veio  (Foto: Reprodução)

A primeira fase da Roja foi impecável. Serviu também para ela pegar intimidade com o Maracanã. Primeiro, venceu os Estados Unidos por 3 a 1 no Durival de Britto, em Curitiba. Depois, já no Rio, fez 2 a 0 no Chile e 1 a 0 na Inglaterra. O estádio parecia dar sorte à Espanha.

Só parecia. Veio o quadrangular final, e a Fúria sucumbiu. Largou empatando por 2 a 2 com o Uruguai, no Pacaembu. E voltou ao Maracanã para enfrentar o Brasil, que vinha de goleada por 7 a 1 sobre a Suécia.

Aparentemente, seria um jogo equilibrado. Na prática, foi um passeio. Com 30 minutos, já estava 3 a 0 – gols de Ademir Menezes, Jair e Chico. No segundo tempo, nasceram mais três – outro de Chico, outro de Ademir Menezes e um de Zizinho. A Espanha descontou com Silvestre, mas não poderia ser mais inútil aquele gol. A torcida, em êxtase, cantava “Touradas em Madrid”.

A pancada desnorteou a Fúria. No jogo seguinte, levou 3 a 1 da Suécia e morreu na competição. Já o Brasil rumou para o jogo que poderia torná-lo campeão do mundo pela primeira vez. E o resto é história: levou 2 a 1 do Uruguai e viveu o dia mais triste que o Maracanã, na época um recém-nascido, já experimentou.

A Espanha retornou apenas uma vez ao Brasil desde a goleada de 1950. Mas não foi no Rio de Janeiro. Em 1981, voltou a perder para a seleção verde-amarela, desta vez por 1 a 0, em Salvador.

Novos tempos

Pedro, Coletiva espanha (Foto: Agência AFP)Pedro e Mata (ao fundo) estão ansiosos para jogar no Maracanã (Foto: Agência AFP)

Pedro, uma das referências destes novos tempos na seleção da Espanha, foi questionado sobre a música “Touradas em Madrid” em uma entrevista coletiva no Rio de Janeiro. Ele não conhece a história, tampouco a canção. Mas se mostrou entusiasmado: será um dos espanhóis responsáveis por regressar ao Maracanã depois de tantos anos.

- Não conheço a música. Mas, para nós, o Maracanã é um estádio muito importante, com momentos inesquecíveis, um campo grande e bonito.

A Espanha não quer que o jogo contra o Taiti seja uma nova despedida do Maracanã. Ela pretende estar no estádio novamente em 30 de junho. É o dia da final da Copa das Confederações.~

- Vamos tentar conseguir. Passo a passo, queremos estar lá na final – disse Pedro.
- Queremos jogar lá agora e também na final – completou Mata.

A Espanha já conhecerá o novo Maracanã nesta quarta-feira. Às 15h15m, os atletas conhecerão o gramado, no treino protocolar de vésperas de partidas.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/copa-das-confederacoes/noticia/2013/06/touradas-no-maracana-furia-volta-ao-estadio-para-vingar-passado.html