quinta-feira, 16 de maio de 2013

Tite cumprimenta árbitro, mas avisa: ‘Fui cínico, falso, podre’


Técnico do Corinthians não esconde indignação com Carlos Amarilla após eliminação na Libertadores e diz que ‘nunca mais quer encontrá-lo’

Por Diego Ribeiro e Rodrigo Faber São Paulo

Foi a primeira vez na vida em que fui cínico, muito cínico"
Tite, irritado com o árbitro

O técnico Tite não fez qualquer questão de se segurar após a eliminação do Corinthians da Taça Libertadores nesta quarta-feira, após o empate por 1 a 1 com o Boca Juniors, no Pacaembu. A bronca do comandante alvinegro foi com o árbitro paraguaio Carlos Amarilla e seus dois auxiliares, considerados determinantes para o resultado final da partida.

Ao final do duelo, mesmo irritado, Tite cumprimentou Amarilla e apertou-lhe a mão. Em entrevista coletiva, porém, o técnico do Corinthians revelou que seu ato foi “cínico”, e passou a disparar contra o árbitro paraguaio que comandou a partida contra o Boca.

– Foi a primeira vez na vida em que fui cínico, muito cínico. Fui até o árbitro e disse a ele: "Parabéns". Olhei para ele, para o bandeira, puxei-o duas vezes. Fui muito cínico, falso, botei meu lado podre e espúrio para fora. Apertei duas vezes a mão dele, apertei forte – afirmou Tite.

– Não gostaria nunca mais de tê-lo como árbitro. Meus olhos observam detalhes – completou o técnico, em tom misterioso.

Tite com árbitro Carlos Amarilla (Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians)Tite vai até o centro do gramado cumprimentar Amarilla (Foto: Daniel Augusto Jr / Agência Corinthians)

Sobre o jogo, as principais reclamações são sobre um suposto pênalti não marcado em Emerson Sheik e dois gols anulados, de Romarinho e Paulinho, um em cada tempo. Tite foi objetivo em suas queixas.

– Vou ser direto. Foi pênalti, o gol do Romarinho foi legal, o outro gol não vou avaliar. Só espero eliminar uma variável dessa nos meus jogos. Espero nunca mais ter o Amarilla na minha frente – disparou Tite.

O técnico ficou muito irritado com a arbitragem no duelo contra o Boca, mas lembrou que o Corinthians tem outra decisão daqui a menos de uma semana. No próximo domingo, a equipe vai à Vila Belmiro enfrentar o Santos, pelo jogo de volta da final do Campeonato Paulista. O Timão venceu o primeiro duelo por 2 a 1.

– A dor de quem é eliminado é muito forte. Lutei para que pudéssemos mais. Mas agora temos outra decisão e é preciso pensar nisso – analisou Tite.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/corinthians/noticia/2013/05/tite-cumprimenta-arbitro-mas-avisa-fui-cinico-falso-podre.html

Combinação fatal do Boca Juniors e erros do árbitro eliminam Timão


Sob a batuta de Riquelme e Carlos Bianchi, time argentino empata com o Corinthians no Pacaembu e avança na Taça Libertadores da América

A CRÔNICA

por Leandro Canônico


Pegue o Boca Juniors, escale Riquelme e o deixe sob o comando de um senhor chamado Carlos Bianchi. Uma combinação quase sempre fatal na Libertadores, principalmente contra times brasileiros. E foi assim contra o Corinthians de Tite, com uma ajuda considerável da arbitragem do paraguaio Carlos Amarilla. Dois pênaltis não marcados, dois gols mal anulados e um empate em 1 a 1 eliminaram o Timão do torneio sul-americano nesta quarta-feira, no Pacaembu. O atual campeão invicto caiu nas oitavas de final, mas saiu aplaudido pelo bando de loucos que reconheceu seu brio em campo - e concentrou sua raiva na arbitragem.

Os erros foram tão claros que até o diário "Olé" reconheceu a ajuda do árbitro e estampou em seu site a manchete "Una mano Amarilla" ("Uma Mão Amarela"), num trocadilho com o nome do paraguaio.

O Corinthians caiu também porque não foi o de sempre. Especialmente no primeiro tempo. O Timão frio, calculista e mortal de 2012 deu lugar a uma equipe nervosa, presa fácil para o futebol elegante de Riquelme, autor do gol dos argentinos. E que golaço.

Paulinho, o melhor guerreiro de Tite, deu mais um show de bola. Mas foi pouco para superar o tradicional e competitivo Boca Juniors, que já havia vencido em Buenos Aires por 1 a 0, no dia 1º de maio. Clique aqui e veja as notas dos jogadores do Corinthians.

Como consolo, os jogadores do Timão tiveram uma demonstração de amor de sua fiel torcida após o apito final. Reconhecendo a luta dos atletas dentro de campo, o que saiu da arquibancada foram gritos de incentivo e de apoio para superar a eliminação nas oitavas de final, justamente para aquele que ano passado foi derrubado pelo Alvinegro na decisão.

O semestre não está perdido. No próximo domingo, às 16h (de Brasília), na Vila Belmiro, contra o Santos, o Corinthians pode ser campeão paulista. Na primeira partida da decisão, venceu por 2 a 1. Com isso, levanta a taça com um empate. O Peixe precisa de dois gols de diferença para tirar o título do rival. Ou então por um gol para levar a decisão para os pênaltis.

Já o Boca, mal no Campeonato Argentino, prepara-se agora para encarar o Newell’s Old Boys nas quartas de final. O time de Rosário eliminou o Vélez Sarsfield.

Pato, Corinthians x Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli)Pato passa pelo goleiro e na hora do chute fura de forma bisonha (Foto: Marcos Ribolli)

À la Riquelme

Emerson recebe. Emerson toca. Emerson avança. Emerson dribla. O criativo Corinthians foi monotemático nos primeiros minutos do duelo com o Boca Juniors. Apostou no jogador que no ano passado fez os dois gols do título contra o mesmo time argentino. Mas a história desta vez desenhava-se diferente.

Por vários motivos. Primeiro porque a experiência do Timão deu lugar ao nervosismo. Depois, porque o árbitro Carlos Amarilla errou duas vezes contra o Corinthians logo no início do jogo - não marcou pênalti após toque de mão de Marín e se equivou ao marcar impedimento de Romarinho, que fez o gol aos 23. Por fim, porque o Boca foi Boca.

Guerrero, Corinthians x Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli)Guerrero para no goleiro Orion (Foto:Marcos Ribolli)

Mais do que isso, Riquelme foi Riquelme. Fora da primeira partida por conta de uma lesão muscular, o meia se recuperou em tempo de mostrar que ainda sabe muito de futebol. É verdade que está longe de ser o mesmo do auge, mas continua fatal. Chamou a responsabilidade e controlou a partida com maestria.

Se quis concluir a gol aos 24 minutos. Ou cruzar para área. Pouco importa. Riquelme acertou belo chute e ampliou a vantagem do time argentino. Cássio, adiantado, não alcançou. Lance cruel com o Corinthians, que na jogada anterior tinha comemorado um gol mal anulado de Romarinho.

O fato é que o Timão deixou o nervosismo pesar demais. Paulinho não conseguia ser o elemento surpresa. Danilo não via por onde ser decisivo. Emerson estava pilhado demais. E Romarinho, apesar daquele gol, perdeu incrível chance por puro nervosismo. O atacante, aos 21, adiantou demais a bola e não conseguiu finalizar. Se o Boca foi mais Boca do que nunca, o Corinthians deixou de ser o Corinthians de 2012.

Paulinho gol Corinthians x Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Paulinho comemora o gol de empate, no início da segunda etapa (Foto: Marcos Ribolli)

Só Paulinho não basta

Para o Corinthians voltar a ser o Corinthians que encantou a Libertadores do ano passado, alguma coisa precisava ser alterada. Tite sabia disso. Tanto que voltou para o segundo tempo com duas alterações. Sacou o nervoso Romarinho para a entrada de Pato, e colocou Edenílson no lugar de Alessandro, que já tinha amarelo.

Mais do que mudanças de peças, o Timão precisava mudar a postura. Mudou. E empatou. Na base da pressão, assustou com Danilo no primeiro minuto. Orión defendeu. Mas, aos cinco, o goleiro do Boca não foi suficiente para segurar a cabeçada de Paulinho, depois de cruzamento de Emerson Sheik: 1 a 1.

Corinthians x Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli)Timão abusou do jogo aéreo (Foto: Marcos Ribolli)
A partida que estava sob o controle do Boca na etapa inicial ganhou contornos emocionantes com o empate corintiano. Cássio falhou duas vezes, e em uma delas Blandí perdeu gol incrível. Depois, Paulinho fez outro gol, mas o árbitro anulou. O árbitro marcou um impedimento inexistente.

Além de ter de “brigar” contra a arbitragem, o Timão tinha também de superar a própria falta de sorte. Aos 30, um lance bizarro. Gil deu belo toque para Guerrero. O peruano ajeitou para Pato, e... O atacante se atrapalhou todo. Na pequena área, ele errou o chute, sem goleiro, e depois se enrolou, mandando para fora.

Não era para ser. A arbitragem também parecia não querer. Aos 36, Emerson Sheik foi empurrado na área, e mais uma vez Amarilla mandou seguir. O Corinthians bem que tentou fazer os dois gols que lhe dariam a classificação, mas não deu certo. Para amenizar a queda precoce, só mesmo o título do Campeonato Paulista. Ao menos por agora.

Jogadores do Corinthians x Boca (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Jogadores do Corinthians saúdam a Fiel após o jogo (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)


FONTE: