quarta-feira, 17 de abril de 2013

Fim da concentração tem apoio de atletas e desconfiança de dirigentes


niciativa do Coritiba, que relaxou confinamento em 2013, é vista como modelo, ganha adeptos como Botafogo, mas não convence a todos

Por Alexandre Lozetti* São Paulo

jogadores na concentração do São Paulo (Foto: Divulgação / SPFC)São Paulo concentra na véspera das partidas
(Foto: Divulgação / SPFC)

Domingo de futebol. Os jogadores se encontram às 11h30 no estádio, vão de ônibus até o hotel, almoçam, descansam, e voltam ao palco da partida, às 16h. Onde dormiram na noite anterior? O que comeram e beberam? Não se sabe. O Coritiba resolveu mexer em um dos assuntos mais delicados e polêmicos do futebol brasileiro: a concentração. Desde o início deste ano, a famosa rotina de fechar o grupo sempre um ou dois dias antes dos jogos não existe. Uma atitude corajosa que coleciona elogios de atletas, dúvidas de dirigentes, e já tem adeptos como o Botafogo.

Em 2012, o técnico Marquinhos Santos e a diretoria já discutiam aliviar a concentração. Durante a pré-temporada de 17 dias em Foz do Iguaçu, isso foi debatido com os jogadores, juntamente com uma “cartilha” de recomendações. A conta é simples: no ano passado, o Coxa disputou 78 partidas. Levando em conta um dia de concentração na véspera de cada uma delas, seriam 156 dias de reclusão.

- Imagine mais de cinco meses dormindo em camas e colchões diferentes, com pessoas diferentes, o prejuízo, o estresse e o desgaste que isso pode causar. É um processo que amadurecemos por três anos para fazermos um trabalho de obrigações e deveres com os atletas - explica o superintendente de futebol Felipe Ximenes.

info concentrações 2  (Foto: arte esporte)Como é o processo de concentração nos principais clubes brasileiros (Foto: arte esporte)

O Coritiba ganhou o primeiro turno do Campeonato Paranaense, mas no segundo é apenas o terceiro colocado. O desafio dos dirigentes é mostrar que os resultados não dependem de os jogadores estarem “controlados” na véspera. Ximenes conta, por exemplo, que eles se concentraram na véspera do clássico contra o Paraná, e perderam. Por outro lado, apresentaram-se horas antes de enfrentarem o Arapongas, e venceram.

Segundo o treinador Marquinhos, o estadual serviria como espécie de laboratório para o resto do ano. O dirigente confirma que a intenção é manter a fórmula. Experiente, o meia Alex, principal líder do grupo, ajudou com relatos dos tempos de Europa. Ídolo do Fenerbahçe, ele revela que a concentração na Turquia dependia do treinador. Houve quem utilizasse e quem abrisse mão. Alex não fica em cima do muro quando questionado sobre a melhor fórmula.

- Tenho certeza que concentrar dois dias antes não faz ninguém ganhar uma partida. É até pior. Se eu puder escolher entre dormir na minha casa ou no hotel, vou sempre preferir em casa. Os jogadores assimilaram muito bem. Se alguém comete um deslize, o sistema afasta porque os outros não querem ser prejudicados. O futuro aponta para isso - afirma o craque, endossado pelo técnico.

- O futebol brasileiro precisa voltar a evoluir, e um dos conceitos é essa questão da concentração. A tendência é partir logo para isso. Apesar de ser novo, se eu puder colaborar com alguns conceitos e atitudes que melhorem nosso futebol, ficarei muito satisfeito - pondera Marquinhos Santos, de apenas 33 anos.

Para o jogador é melhor, mas depende dele ser profisisonal, comprometido. É importante começar com algo assim, mostra que o time está bem e que todos estão indo para o mesmo lado"

Forlán, atacante do Internacional

A medida é polêmica. No caso do Botafogo, começou em razão dos salários atrasados. Em protesto, o grupo anunciou que não se reuniria na véspera dos jogos contra Madureira e Friburguense. O êxito da equipe e a opinião do técnico Oswaldo de Oliveira, que vê próxima a falência do modelo, farão com que a concentração seja avaliada jogo a jogo no clube.

Adilson Batista, técnico do Figueirense, também aboliu a concentração em partidas no início da temporada. Ele acha que os atletas precisam ter mais responsabilidade. Muricy Ramalho já manifestou essa intenção por diversas vezes, disse que deve ser um processo gradativo.

Por outro lado, recentemente, São Paulo e Palmeiras confinaram seus elencos por mais de 48 horas em partidas decisivas. O Atlético-MG tomou atitude semelhante durante o Campeonato Brasileiro do ano passado, e pessoas ligadas a jogadores do Galo apontam esse como um dos principais fatores para a queda da equipe, que era líder, mas acabou ultrapassada pelo Fluminense.

Os atletas, maiores beneficiados, são favoráveis. É o caso do zagueiro corintiano Paulo André, uma das figuras da classe que mais se manifestam sobre assuntos do futebol. Para ele, se todos os clubes tomassem esse caminho, daqui a três anos seria muito mais fácil separar os bons e maus profissionais.

- O Coritiba está sendo inovador ao dar ao atleta a opção de escolher o que fazer. Ele pode sair, tomar seu vinho, sua cerveja, se alimentar bem, descansar. É fundamental parar de tratar o atleta como um bebê. Ele é profissional, e suas escolhas vão ser cobradas ali na frente.

Ao citar os benefícios da medida, o meia Alex fala até da questão financeira dos clubes, que não precisariam gastar com hotéis. Quem possui alojamentos em seus centros de treinamento já faz essa economia. O Flamengo pretende abrigar seus atletas profissionais até o fim deste ano. O Fluminense também ressalta a construção de seu CT para poupar gastos com hospedagem. Nos primeiros meses deste ano, desembolsou R$ 137.600,00 com hotéis. O diretor executivo Rodrigo Caetano não vê o fim da concentração com bons olhos.

- Na questão cultural, ainda não estamos nesse nível. O atleta tem de entender que é uma proteção para ele. De que forma o torcedor vai encarar encontrar um jogador jantando com sua família na véspera de uma partida decisiva? Como falta de comprometimento? É um debate muito maior.

*Colaborou Edgard Maciel de Sá

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/04/fim-da-concentracao-tem-apoio-de-atletas-e-desconfianca-de-dirigentes.html

São Paulo joga vida contra o Galo, que tenta evitar duelo nas oitavas


Tricolor precisa vencer e torcer por derrota do Strongest para encarar o mesmo Atlético-MG no mata-mata. Mineiros querem evitar duelo com rival

por GLOBOESPORTE.COM São Paulo e Belo Horizonte

montagem Rogerio Ceni Ronaldinho Gaúcho São Paulo Atlético-MG (Foto: Editoria de Arte)Rogério Ceni e Ronaldinho Gaúcho vão travar
duelo nesta quarta-feira (Foto: Editoria de Arte)

O que acontecer no Morumbi, nesta quarta-feira, às 22h, vai ser decisivo para as oitavas de final da Taça Libertadores. O desespero do São Paulo contrasta com a tranquilidade de um Atlético-MG que ainda não encontrou adversários no Grupo 3, mas que olha para o futuro com desconfiança. À beira da crise, o Tricolor precisa vencer para continuar vivo. Necessidade que também tem o Galo para impedir que um rival poderoso esteja em seu caminho logo no início do mata-mata.

A pífia campanha – uma vitória, um empate e três derrotas – colocou o clube paulista em uma complicada situação, não dependendo apenas de suas forças para se classificar. Além de bater o melhor time do torneio até o momento, algo que ninguém conseguiu, terá de torcer para o Arsenal derrotar o Strongest, na Argentina.

Uma combinação que daria a vaga ao Tricolor no saldo é vencer por dois gols de diferença e contar com um empate em Sarandí. Há também a possibilidade de a decisão ir para o sorteio: vitória são-paulina por 2 a 1 e igualdade por 1 a 1 na outra partida. Assim, brasileiros e bolivianos ficariam iguais em tudo: pontos, saldo de gols, gols a favor e gols fora de casa.

A colocação dos times na chave criou uma condição curiosa. O Atlético-MG está garantido como o dono da melhor campanha entre todos os participantes. O Alvinegro enfrentará o pior segundo colocado, vaga que invariavelmente pertencerá ao São Paulo, caso avance. Por isso, a ordem de Cuca no Galo é impedir a classificação de um adversário que pode se fortalecer rapidamente. Um empate é o bastante.

Wilton Sampaio (Fifa-GO) apita a partida. Os assistentes são Kléber Lúcio Gil (Fifa-SC) e Rodrigo Correa (Fifa-RJ). A Rede Globo transmite a partida para os estados de SP, MG, RS, SC, PR, SE, GO, MS e TO. Você acompanha também, em Tempo Real, no GLOBOESPORTE.COM, a partir das 21h.

header as escalações 2
São Paulo: depois de dois treinos secretos, o técnico Ney Franco não revelou a equipe. Apenas o goleiro Rogério Ceni, recuperado de dores no pé direito, e o zagueiro Rafael Toloi, liberado após um edema na coxa direita, foram confirmados. A dúvida está na lateral direita, entre Paulo Miranda e Rodrigo Caio. Douglas assumirá a vaga de Jadson no meio de campo. A formação provável é a seguinte: Rogério Ceni, Paulo Miranda (Rodrigo Caio), Lúcio, Rafael Toloi e Carleto; Wellington, Denilson, Douglas e Ganso; Osvaldo e Aloísio.
Atlético-MG: sem Bernard, que segue em recuperação de uma contusão no ombro direito, Cuca escala, mais uma vez, o atacante Luan, que se destacou nas últimas partidas do Galo. Essa será a única alteração em relação ao time considerado titular. O Atlético-MG vai a campo com Victor; Marcos Rocha, Réver, Leonardo Silva e Richarlyson; Pierre, Leandro Donizete, Diego Tardelli, Ronaldinho Gaúcho e Luan;

quem esta fora (Foto: arte esporte)

São Paulo: Luis Fabiano e Jadson, suspensos, não atuam. Maicon, com um problema muscular na coxa esquerda, é desfalque.
Atlético-MG: somente Bernard, machucado, não está apto para participar da partida contra o São Paulo. Leandro Donizete e Diego Tardelli, que preocuparam durante a semana, foram liberados.

header fique de olho 2

São Paulo: passará pelos pés de Paulo Henrique Ganso as chances de o Tricolor se classificar. Sem Jadson, o meio-campista será o encarregado de criar as jogadas e, quem sabe, finalmente justificar os quase R$ 24 milhões investidos pelo clube para tirá-lo do Santos no ano passado.

Atlético-MG: Ronaldinho Gaúcho é sempre um espetáculo à parte. Na partida do primeiro turno, diante do São Paulo, no Independência, R10 protagonizou um lance curioso. Após receber um pouco de água de Rogério Ceni, Ronaldinho se aproveitou do descuido da zaga tricolor, recebeu a bola de um lateral cobrado por Marcos Rocha e tocou para Jô, que apenas empurrou para a rede. Qualquer descuido diante do craque pode ser fatal.


header o que eles disseram

Ney Franco, técnico do São Paulo:Precisamos fazer o nosso dever de casa. Esse é novo foco. Não adianta acontecer o resultado que precisamos na Argentina e nós não ganharmos o jogo. Vamos enfrentar o melhor time sul-americano, mas confiamos que podemos ganhar”.

Richarlyson, lateral do Atlético-MG:Sabemos das dificuldades que vamos enfrentar. O Morumbi deve ter lotação máxima. O Atlético-MG vai continuar com o que deve fazer. Não vai mudar nada do que tem feito. Eles vão tentar fazer gol o mais rapidamente possível, mas estamos confiantes em nosso trabalho”.


header números e curiosidades

* Quem tem vantagem? Confira o histórico do confronto na Futpédia

* As duas equipes têm histórias muito diferentes na competição continental. O Tricolor paulista é tricampeão e recordista brasileiro de participações (16 vezes). Já o Galo volta a disputar a Libertadores depois de 13 anos e participa apenas pela quinta vez desta competição internacional.

* Atlético-MG e São Paulo já se enfrentaram cinco vezes dentro da Taça Libertadores. O time paulista jamais derrotou a equipe mineira na competição. Na fase de grupos da Libertadores 72, as duas equipes empataram por 2 a 2, no Mineirão, e por 0 a 0, no Morumbi. Já em 1978, também na fase de grupos, Atlético e São Paulo empataram por 1 a 1, no Mineirão, e o Galo venceu por 2 a 1, no Morumbi. Em 2013, os mineiros fizeram 2 a 1, em BH.

* Os times brasileiros foram os "carrascos" do São Paulo nas últimas Libertadores. Desde o título de 2005, o Tricolor foi sempre eliminado por equipes brasileiras, perdendo o título de 2006 para o Inter; sendo eliminado em 2007 pelo Grêmio nas oitavas de final; em 2008 pelo Fluminense nas quartas; em 2009 pelo Cruzeiro nas quartas e em 2010 pelo Internacional nas semifinais.

* Apesar de ter sido eliminado por adversários brasileiros em suas últimas cinco Libertadores, o São Paulo leva vantagem nos duelos contra equipes brasileiras na competição. O Tricolor disputou 37 jogos, obtendo 15 vitórias, 12 empates e dez derrotas, marcando 49 gols e sofrendo 39.
* O Atlético-MG tem o seguinte retrospecto enfrentando outros times brasileiros em Libertadores: 12 jogos, três vitórias, sete empates e duas derrotas.

* Uma partida entre Atlético-MG e São Paulo não termina empatada por 0 a 0 há seis anos (11 jogos). O último empate sem gols aconteceu em 2007, no Mineirão, em jogo válido pelo segundo turno do Brasileirão.

header último confronto v2
O Atlético-MG deu início à arrancada na Libertadores ao vencer o São Paulo por 2 a 1, no estádio Independência, dia 13 de fevereiro, pela primeira rodada da fase de grupos. Os gols de Jô e Réver saíram dos pés de Ronaldinho, em noite inspirada. Os paulistas descontaram com Aloísio.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/libertadores/noticia/2013/04/sp-joga-vida-contra-o-atletico-mg-que-tenta-evitar-duelo-nas-oitavas.html