terça-feira, 9 de abril de 2013

Casagrande lança livro e comemora liberdade: 'Droga é uma roleta russa'


Comentarista da TV Globo conta que tinha necessidade de relatar período de dependência química e que há luz no fim do túnel, mas alerta: 'É longo'

Por Alexandre Lozetti e Juliano Costa São Paulo


O ex-jogador e comentarista da TV Globo Walter Casagrande Jr. lança na tarde desta terça-feira, em São Paulo, o livro "Casagrande e seus demônios", escrito pelo jornalista Gilvan Ribeiro. Na publicação, ele fala sobre seu problema com as drogas, acentuado entre 2005 e 2008. Há espaço também para algumas experiências divertidas, como as reuniões na época de adolescente na Zona Leste da capital paulista, e também histórias do futebol, principalmente na Democracia Corintiana, no início dos anos 80.

Em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Casagrande revelou que mudou completamente depois de passar um ano "preso" em tratamento numa clínica (assista no vídeo acima). Ele agora consegue viver sozinho tranquilamente. Antes isso o deixava melancólico. E cada obrigação ou compromisso cumpridos, hoje, são comemorados com autoelogios, como: "Você está bem, hein, cara!".

Segundo o comentarista, a ideia de escrever o livro se originou do tratamento contra a dependência química. Ele sentia necessidade de falar, e também via interesse nas pessoas em ouvirem, sobretudo aquelas que têm familiares em situação similar. Casagrande garante que há luz no fim do túnel, embora seja difícil enxergá-la. Corajoso, ele afirma que a relação com as drogas é um risco constante de perda de controle.

- Você joga. A droga é uma roleta russa. Se quiser brincar, experimentar, beleza. Você não sabe se vai conseguir ter controle sobre isso a vida inteira, ou se ela vai te controlar, e você vai passar a correr riscos, como de morte.

O evento de lançamento do livro terá início às 18h30 na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, localizado na Avenida Paulista, número 2.073, em São Paulo. Na entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, Casagrande contou um pouco de sua experiência e fez uma análise da classe atual dos jogadores, principalmente os que "desperdiçam talento", como Adriano Imperador. Confira:

Casagrande livro Bem Amigos (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Casagrande fala sobre o drama com as drogas no livro (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)

Você, que sempre pregou a liberdade, mudou muito depois de passar aquele tempo 'preso' numa clínica? Passou a ver o mundo de uma forma diferente?
Eu mudei muito. Não tenho condições de dizer se para melhor ou pior, se hoje sou mais ou menos legal ou divertido. Independentemente da droga e do efeito na minha vida, sempre fui um cara extremamente livre, desde garoto. Eu não admitia nenhum tipo de imposição. Ficar trancado para mim era a morte. Quando a droga toma conta da sua vida, ela inverte seus valores, passa a ser o maior que você tem. Eu fui perdendo valores na minha vida. No ano em que fiquei na clínica houve uma coisa muito interessante, fantástica. Num grupo de terapia, a psicóloga perguntou a um cara que estava lá há três anos do que ele mais sentia falta na vida. Ele disse que era de abrir a geladeira. Eu pensei: que papo é esse? Estou sentindo falta de pegar meu carro, tomar um chope... Depois de seis, sete meses, em outra reunião, ela me perguntou isso. E eu estava sentindo falta de abrir a geladeira (risos). De ligar a televisão, ficar sem fazer nada. Quando abrir a geladeira é tão importante, você pensa no resto das coisas da vida, na convivência com amigos, família, trabalho.

O que significa ter liberdade? Ter poder de escolha. Quando você acorda de manhã e fala 'vou cheirar', não está mais livre"
Casagrande

E como você lidava com a contradição entre querer ser um cara livre e se ver preso pela dependência química?
Eu não entendia, fui entendendo com o tratamento. Você começa a ficar mais lúcido, limpo, e conclui que não vivia livre. Seria mentira se eu falasse que minha vida toda com droga foi uma bobagem. As pessoas se viciam porque a droga é legal. Por isso usam, gostam e, às vezes, ficam dependentes como eu fiquei. De 2004 pra frente, eu fiquei preso. O que significa ter liberdade? Ter poder de escolha. Quando você acorda de manhã e fala "vou cheirar", não está mais livre. Eu estava desse jeito. Num determinado ponto do tratamento, percebi que estava livre dentro da clínica, e era conflitante para mim. Como posso estar livre se não tenho a escolha de sair? Minha família percebeu que era uma necessidade ficar sem escolha para eu me livrar de uma prisão, e poder me ver livre de novo.


Mas quando você teve o primeiro contato, foi por influência de alguém ou uma escolha sua?
Sempre tive tendência à droga, tive isso na cabeça. Talvez pela influência dos meus ídolos de garoto, dos mitos que criei na cabeça, eu queria experimentar. Era muito curioso. No dia do show do Peter Framptom (roqueiro britânico), o cara falou que estava com cocaína, e nós cheiramos. Foi uma escolha minha. Quero deixar duas coisas bem claras: primeiro, nunca ninguém me forçou a usar droga. Não tem esse papo que os pais falam, de que foram amigos, influência. O perigoso era eu. E segundo, nunca ofereci nada a ninguém.

Sempre tive tendência à droga, talvez pela influência dos meus ídolos de garoto. Mas nunca ninguém me forçou a usar droga. O perigoso era eu. E nunca ofereci nada a ninguém"
Casagrande

Então a droga, por si só, é contraditória? Ela dá uma ideia de liberdade, mas acaba o levando a uma prisão?
Não necessariamente. Não podemos pegar meu caso, ou de outras pessoas que até morreram, como o Chorão, como regras. É chocante, mas nem todos são assim. Você joga. A droga é uma roleta russa. Se quiser brincar, experimentar, beleza. Você não sabe se vai conseguir ter controle sobre isso a vida inteira, ou se ela vai te controlar, e você vai passar a correr riscos, como de morte.


Você diz que se detestava, mas que as pessoas têm uma tendência a gostar de você. Por que os outros gostavam mais de você do que você de si mesmo?
Isso era conflitante para mim, me deixava melancólico. Quando eu tinha de ir para casa, eu entrava numa melancolia porque eu não gostava de mim, me achava muito chato, não consigo explicar o porquê. Eu não me suportava sozinho. Acho que por isso eu buscava pessoas o dia inteiro. E hoje vivo sozinho durante boa parte do tempo, tranquilamente. Leio um livro, ouço música, vejo um filme, numa boa.


Então hoje você vai sair daqui para casa sozinho, e vai ficar bem? Você se sente feliz?
Vou tranquilo. Quando faço um trabalho como o "Bem, Amigos", ou um jogo como fiz no sábado, e vou para casa, faço uma autoanálise do meu desempenho, e me sinto bem. É uma festividade cumprir minhas obrigações porque antes eu tinha muitas dificuldades para fazer isso. Já faz cinco anos que saí da internação, mas o efeito de ter marcado uma entrevista aqui com vocês às oito da noite, e ter chegado às oito, é motivo de comemoração interna.


Casagrande (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)Casagrande: 'É uma festividade cumprir minhas obrigações'  (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)

Há uma saída, há uma luz no fim do túnel. O túnel é longo pra c... quando você é dependente de drogas. Podem achar que um filho não tem saída porque não veem a luz acesa, mas é preciso caminhar de encontro a ela, procurar tratamento, pedir ajuda"
Casagrande

Quando você anda na rua, sabe que está sendo julgado pelas pessoas, não? Como se sente?
Olha só, vivo da seguinte maneira: o importante para mim é meu julgamento, aquilo que eu penso, faço e julgo certo para mim. Passei por um período brabo de 2005 a 2008. Foram três anos em que me droguei muito, sofri um acidente, fiquei internado um ano. Não sabia o que ia acontecer na minha vida. Hoje dou valor ao que faço. Se me acharem legal, um exemplo, fico orgulhoso e satisfeito. Se me disserem que sou um drogado, fico chateado, lógico, mas o importante é o que eu acho. Tenho uma maratona de coisas agora por causa do livro, vou ao Jô, à Fátima Bernardes, a outras televisões, e vou dar conta. Quando acabar, vou me premiar com tranquilidade, paz de espírito, e vou tomar um chope com os amigos. As coisas mínimas têm muito valor para mim, não preciso de nada mirabolante.


Mas por que lançar um livro em que você diz tudo isso? Você queria contar, precisava contar, sentia que poderia deixar um legado?
É tudo isso. Aprendi na clínica que tem de falar, era uma comunidade terapêutica. E muita gente tem pessoas como eu na família, problemas assim, e não sabem o que fazer. Sou um dos que têm problemas com droga, mas consigo levar a vida porque há uma saída, há uma luz no fim do túnel. O túnel é longo pra c...... quando você é dependente de drogas. Podem achar que um filho não tem saída porque não veem a luz acesa, mas é preciso caminhar de encontro a ela. Procurar tratamento, pedir ajuda. O Narcóticos Anônimos nada mais é do que isso, dar seu depoimento e ouvir.


Casagrande (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)Casagrande: 'Se me disserem que sou um drogado, fico chateado' (Foto: Marcos Ribolli/globoesporte.com)

Você fala em falta de coragem de assumir que precisa de ajuda, mas ao mesmo tempo foi um jogador extremamente corajoso, por quebrar paradigmas. Consegue traçar esse paralelo?
No caso, a falta de coragem é porque você não percebe que precisa de ajuda. Quando percebe, tem vergonha. Para pedir ajuda, você tem de reconhecer que fracassou, e um ser humano reconhecer que fracassou é muito complicado. Para qualquer pessoa, não só dependentes químicos, dizer "eu perdi" é complicado. No jogo eu era corajoso porque fazia aquilo com prazer. Quando você precisa de ajuda na droga é porque foi derrotado.


Como vê a classe de jogadores de futebol hoje em dia? Acha que eles são omissos em relação a determinados assuntos?
Não é que incomoda, mas acho que o jogador de futebol poderia fazer muita coisa em prol da classe, da sociedade, politicamente, socialmente. Ele tem a mídia o tempo todo: internet, 300 televisões, qualquer coisa que ele fala dá um eco enorme. Na época da Democracia Corintiana não existia celular, nada disso, e fazia barulho porque a gente ia de encontro a isso. Falta o jogador largar um pouco do egoísmo. Ele está bem, ganha muito, mas poderia ir de encontro à realidade da sociedade, que não é aquela em que ele vive. Nem a realidade do futebol é a do grande jogador. São poucos que ganham bem e se destacam. Raramente vejo algum movimento, manifestação ou depoimento interessante para a sociedade.


Casagrande (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)Casagrande gostaria de ver jogadores mais mobilizados (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)

Você acha que os jogadores deveriam se mobilizar mais em torno de questões sociais e até de política, como vocês fizeram na época das Diretas Já? O contexto daquela época era bem mais sério, e mesmo assim vocês não omitiam opiniões.

Olha, sou um cara altamente democrático. Apesar de me incomodar e achar que eles poderiam fazer mais coisas hoje, estamos numa democracia, eles fazem o que bem entendem, não precisam levantar bandeira de questão nenhuma. Acho que poderiam fazer, mas não dá para cobrar. Mas acho um desperdício, pela mídia que o futebol tem, só se falar de futebol.


A falta de preparação do ser humano é muito grande"
Casagrande

No livro você fala da importância da terapia. Ela poderia ser mais utilizada no futebol, faz falta aos jogadores?
Muito. Deveria haver psicólogo trabalhando já nas equipes de base. O garoto joga a Copa São Paulo de juniores e no outro dia já está no Manchester United, sem ter uma transição, um crescimento. Isso acontece demais no futebol. A falta de preparação do ser humano é muito grande. Deveria ter um trabalho psicológico, sim. Você precisa trabalhar o cara para esse impacto, de um dia estar na base do Corinthians e no outro fazendo gol no Boca Juniors na final de uma Libertadores da América, e sendo campeão do mundo. Se preparado já é difícil segurar a onda, imagina sem estar preparado.


Você fez terapia na época de jogador?
Na época da Democracia a gente fazia terapia em grupo, com o Flávio Gikovate (hoje um dos principais psicoterapeutas do Brasil). Se o jogo era na quarta-feira, tinha a concentração para o jogo na terça-feira, e aí rolava a terapia em grupo, que era voluntária, mas a maioria descia e participava. A gente falava em grupo temas que vocês nem imaginam, como amor, vaidade... era muito bom ter esse trabalho psicológico.


Casagrande (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)Casagrande lamenta 'desperdício' do talento de
Adriano (Foto: Marcos Ribolli / globoesporte.com)

Como comentarista, você analisa o que os jogadores fazem dentro de campo, mas é evidente que o que eles fazem fora também acaba se tornando assunto. Imagino que você se incomode de ver talentos sendo desperdiçados por conta de, digamos, atitudes erradas, não?
Ah, muito, vejo muito desperdício de talento. Se você for analisar friamente o futebol, vai ver mais histórias de desperdício do que de vitórias, sucessos. Vamos pegar o Robinho. Pô, hoje ele está no Milan, fantástico, é um vencedor. Mas ele foi tudo o que a gente imaginava? Vamos falar a verdade. Quando ele surgiu, com as oito pedaladas sobre o Rogério, nós vimos o novo Pelé. Hoje ele é um jogador de sucesso, mas acho que, com trabalho psicológico, seria muito mais, chegaria perto daquilo que imaginávamos. Com a maioria dos jogadores é assim.


O Adriano é um exemplo também?
Sim, e eu falo isso há pelo menos dois anos, o Adriano é um cara que precisa de ajuda, ele precisa de terapia. Eu tenho A.T., que é “acompanhante terapêutico”, para me sentir mais seguro, e ele tinha que ter também. Quantos Adrianos ainda não vamos ver por aí? Olha o Jobson. Ele é o novo Adriano. É um cara talentoso, que teve várias chances, e hoje está aí no São Caetano. Muita gente tenta ajudar, mas não é ajuda correta, é só para tentar fazer o cara jogar bem. Ninguém pensa em fazer do cara um ser humano melhor. Pensam só em si mesmos.

Minha situação de risco é ir a um bar. Não frequento o banheiro porque é um lugar onde pode acontecer de oferecerem drogas. Se eu tiver a necessidade, pago a conta e vou para casa"
Casagrande

Você tem amigos no futebol?
Não. Não tenho amigo nenhum, não tenho afinidade com dirigente nenhum, com jogador nenhum, e não quero ter com ninguém. Eu faço comentário. Quero sentar na cadeira da transmissão e ter total liberdade de fazer uma crítica. Não posso ter constrangimento porque ontem a gente saiu para almoçar e amanhã vou comentar um jogo seu. Não posso me sentir influenciado.


E com os jogadores da sua época, tem amizade?
Tenho amizade com o Paulo Roberto, que era lateral, foi do Grêmio, do Vasco, do Cruzeiro. No geral, tenho pouco contato. Às vezes encontro alguém num evento, no aeroporto, mas contato mesmo, de procurar alguém ou alguém me procurar, (meu amigo) é o Paulo Roberto.


Como você lida hoje com as chamadas “situações de risco”?
Eu lido bem. Minha situação de risco é essa de ir num bar e não frequentar o banheiro, porque é um lugar onde pode acontecer de oferecerem drogas. Eu não vou a bar à noite. Quando eu vou a um bar, e eu vou só na Vila Madalena, eu vou às 5 da tarde, no happy hour, e evito ao máximo ir ao banheiro. Se eu tiver necessidade, pago a conta e vou para casa. Faço isso porque evito a tal situação de risco, uma das coisas que aprendi na clínica.


E para os jogadores há mais situações de risco hoje ou na sua época?
Na minha época tinha mais. Hoje eles são vigiados, tem celular... hoje eles não têm liberdade para fazer o que querem, eles têm vontade de se divertir um pouco mais e não conseguem porque a privacidade foi para o saco com toda essa tecnologia.  Na minha época era mais difícil, a oferta vinha em todo canto. Era mais difícil arrumar droga, mas como você era menos exposto, ficava mais seguro de si. Era menos vigiado e dava mais passos errados.


Mosaico Casagrande (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)Casagrande concedeu entrevista ao GLOBOESPORTE.COM, e falou sobre seu livro e as experiências com drogas, antes de 
 participar do programa 'Bem, Amigos', do Sportv (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
   
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2013/04/casagrande-lanca-livro-e-comemora-liberdade-droga-e-uma-roleta-russa.html

Lucas 'corre atrás', ganha camisa de Messi, mas torce para ídolo não jogar


Atacante revela ajuda de colegas e pedido da mãe para trocar de uniforme com o argentino, se diz confiante na vaga e afirma que é outro 'taticamente'

Por Alexandre Lozetti São Paulo

O PSG está em situação delicada na Liga dos Campeões. Nesta quarta-feira, precisará vencer o poderoso Barcelona no Camp Nou para avançar à semifinal (ou empatar a partir por 3 a 3). Seria esse o maior triunfo, até o momento, da passagem de Lucas pela equipe francesa. Mas, pelo menos, o atacante já tem outro prêmio do confronto contra os catalães: o uniforme de seu ídolo. Na semana passada, o brasileiro deixou o Parque dos Príncipes com o empate e a camisa 10 de Lionel Messi.

Como nada contra o Barça é fácil, conseguir a recordação também foi uma novela. A camisa de Messi foi um pedido da mãe de Lucas, que teve ajuda de dois “empresários”: o lateral-esquerdo Maxwell, seu companheiro no PSG, e o lateral-direito Daniel Alves, um dos melhores amigos do argentino no time espanhol.

- O Maxwell jogou com ele, eles são amigos. Ele pediu para o Messi trocar comigo, e ele aceitou numa boa. Como ele saiu no intervalo, eu pedi para o Daniel Alves, que disse que estava tudo certo. No fim do jogo, o Daniel levou a camisa do Messi para mim, e pegou a minha para dar a ele - explicou o atacante em entrevista ao GLOBOESPORTE.COM.

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Lucas psg camisa messi barcelona  (Foto: Alexandre Lozetti)Lucas com o 'prêmio' conquistado no empate contra o Barcelona de Messi (Foto: Globoesporte.com)

Nesta terça-feira, a delegação francesa viaja a Barcelona para a árdua missão de conseguir a classificação. Adaptado à vida europeia, Lucas é só elogios ao técnico Carlo Ancelotti, e diz que tem aprendido muito na parte tática. Paris também já se tornou uma paixão do brasileiro, que classifica a cidade como “encantadora”. A saudade do Brasil, no entanto, é forte, é o que mais incomoda o jogador, reforço mais caro da era milionária do PSG. Uma saudade que ele espera matar, ao menos em parte, na Copa das Confederações.

- Apesar de todas as dificuldades, é o nosso país, o país que a gente ama, conhece a cultura, e só esse entusiasmo de falar a língua portuguesa nos motiva ainda mais. Jogar no Brasil será uma inspiração grande.

Confira a entrevista completa abaixo:
GLOBOESPORTE.COM: Enfrentar o Barcelona foi a realização de um sonho, talvez um dos maiores no futebol europeu?

Lucas Thiago Silva PSG (Foto: Reuters)Lucas e Thiago Silva comemoram o empate do
PSG contra o Barça na última terça (Foto: Reuters)

LUCAS: Sem dúvida, foi uma experiência maravilhosa. Com apenas 20 anos poder disputar uma Liga dos Campeões contra o Barcelona é muito bacana. Estou aprendendo muito, procurando tirar o máximo proveito dessa experiência. Foi uma honra, um prazer, como está sendo tudo para mim.

Você disse que está aprendendo muito. Em que seu futebol mais melhorou até agora?
Aprendi bastante na parte tática, melhorei meu posicionamento. Tenho que jogar sem a bola, né. Aqui cobram muito, todo mundo tem de marcar, fazer sua função dentro de campo. No Brasil aposta-se muito na qualidade técnica, e a parte tática fica um pouquinho de lado.

E o Ancelotti é um cara paciente para te ensinar tudo isso? A relação com ele é boa?
Ele é uma pessoa muito bacana, do bem, tem paciência para falar o que quer que eu faça. A gente usa bastante os brasileiros para me ajudarem na comunicação quando não entendo o que ele fala, mas é uma pessoa excelente.

A situação do PSG é difícil na Liga. A classificação é possível?
Aquela ansiedade de jogar contra o Barcelona, viver um sonho de criança, passou no primeiro jogo. Deu para tirar um pouquinho do nervosismo. Agora é entrar com a cabeça mais tranquila. Eles têm uma grande equipe, são favoritos, mas a gente tem elenco para vencer, passar à próxima fase. Vamos nos concentrar bastante, focar no jogo. Será mais um jogo da minha vida.

E o Messi? Como foi enfrentá-lo?
Ele é diferente, não é a toa que foi eleito quatro vezes o melhor do mundo. Sou fã dele, é meu ídolo, muito rápido, forte, pega a bola e vai sempre em direção ao gol com muita qualidade. Foi uma honra enfrentá-lo.

Jordi Alba Lucas PSG (Foto: Reuters)Lucas persegue Jordi Alba: atacante diz ter evoluído taticamente no futebol europeu (Foto: Reuters)

O que mais te impressionou nele de dentro do campo?
A qualidade de conduzir a bola muito próxima do pé e a força quando arranca. É muito difícil parar, ele não cai, vai sempre em direção ao gol com dribles curtos. É muito imprevisível.

Então você torce para ele não se recuperar a tempo de jogar na quarta?
(risos) Se ele puder ficar fora iria nos ajudar. Ele é um astro, um ídolo, um gênio. Se ele jogar, espero que não esteja tão inspirado.

E você ficou com a camisa dele?
Pois é, consegui pegar. Minha mãe pediu, e eu também já queria. Comentei com o Maxwell, que jogou com ele, é amigo, e pedi para ele falar com o Messi, que aceitou numa boa. Como ele saiu no intervalo, pedi para o Daniel Alves, que disse que estava tudo certo. No fim do jogo, o Daniel levou a camisa do Messi para mim, e pegou a minha para dar a ele.

Então o Messi também está com a sua?

Carlo Ancelotti Leonardo PSG (Foto: Reprodução / Site Oficial)Carlo Ancelotti ao lado de Leonardo: italiano foi
elogiado por Lucas (Foto: Reprodução / Site Oficial)

Se o Daniel não pegou para ele, sim (risos).

Além da parte tática, que diferenças você destaca do futebol europeu para o brasileiro?
A estrutura dos estádios. É tudo organizado, certinho, as pessoas ficam bem próximas do campo. Não tem a violência que existe ainda entre torcidas no Brasil, com ônibus apedrejados, quebrados. O gramado é bem ralinho, sempre molhado. O clima é diferente, estava muito frio, agora já tem até sol. Sem falar que o estádio está sempre lotado com 40 mil pessoas, isso torna cada jogo muito emocionante.

E a torcida tem gritado seu nome em todos os jogos. Você sente esse carinho?
É verdade, eu sinto, e estou muito surpreso com isso. Apesar de já estar adaptado, não totalmente, eu não esperava por isso tão rapidamente. Tenho muito a melhorar ainda, mas gritam meu nome nos estádios, nas ruas. Havia uma expectativa muito grande na época da transferência, e estou conseguindo conquistar cada um aos poucos. É um carinho enorme, e me deixa muito contente.

Falta o primeiro gol, não é? Está ansioso?
Fica sempre a ansiedade de marcar o primeiro gol na Europa, na Liga dos Campeões, no Campeonato Francês, e poder comemorar com a torcida. Mas o importante é a equipe vencer, e eu conseguir ajudar. Na hora certa vai sair. Toda hora é boa, mas logo vai sair, e aí vai abrir a porteira.

lucas Leonardo psg fundação gol de letra (Foto: Divulgação / Site oficial do PSG)Lucas com Leonardo em evento da fundação 'Gol de letra' no domingo (Foto: Divulgação / Site oficial do PSG)

O PSG abriu sete pontos, está perto do título francês. É importante ganhar logo um campeonato para consolidar sua passagem e também o investimento do clube?
Sem dúvida, está se aproximando. É difícil, ainda faltam alguns jogos, mas temos tudo para sermos campeões, e coroarmos essa nova era do PSG, que não conquista um título faz tempo. Seria maravilhoso chegar campeão, quero ganhar tudo que disputo.

Quais as melhores e piores coisas de se morar em Paris?
Jogar no Brasil será uma inspiração grande"

Lucas, sobre a Copa das Confederações
São vários pontos positivos: a cidade é linda, encantadora, em cada canto há uma coisa diferente para se admirar, tirar foto, os restaurantes. A pior, sem dúvida, é a saudade do Brasil, dos amigos, da família, minha casa em São Paulo.

A Copa das Confederações, mesmo fora de São Paulo, pode te ajudar a matar essa saudade?
Sem dúvida. Seja onde for, espero estar lá para matar a saudade de estar com nosso povo. Apesar de todas as dificuldades, é o nosso país, o país que a gente ama, conhece a cultura, e só esse entusiasmo de falar a língua portuguesa nos motiva ainda mais. Jogar no Brasil será uma inspiração grande, sabendo que teremos a torcida do nosso lado, com mais cobrança também, mas poderemos fazer bons jogos com a empolgação da torcida.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/liga-dos-campeoes/noticia/2013/04/lucas-corre-atras-ganha-camisa-de-messi-mas-torce-para-idolo-nao-jogar.html