Invicto, Peixe derrota o Palmeiras, na
Arena Barueri, e tenta segundo título da competição, em sua quarta
final, contra o Goiás, na próxima sexta-feira
Por Gustavo Serbonchini
Barueri, SP
Em noite iluminada, à la Neymar, o atacante Neilton, de 18 anos, fez
três gols, o último deles com direito a balãozinho dentro da área, e
conduziu o Santos à vitória por 3 a 2 sobre o Palmeiras, na Arena
Barueri, nesta terça-feira, garantindo a classificação alvinegra para a
final da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O adversário da decisão desta
sexta-feira, no Pacaembu, será o Goiás, que eliminou o Bahia nos pênaltis – após 1 a 1 no tempo normal, venceu por 3 a 0 nas penalidades.
Diante de mais de 15 mil torcedores, os times começaram bastante
nervosos, tanto em relação às jogadas duras quanto na desorganização em
campo. O Peixe, um pouco melhor, abriu o placar no primeiro tempo em
cobrança de pênalti e diminuiu as esperanças do Palmeiras logo com um
minuto do segundo tempo. Neilton marcou os dois. Edílson, aos 11 da
etapa complementar, ainda diminuiu e reacendeu o Verdão. Mas novamente
Neilton ampliou para o Alvinegro. Aos 30, João Pedro marcou para o time
da capital e deixou a torcida santista tensa, mas nada que pudesse
atrapalhar a festa dos Meninos da Vila.
O Santos chega para a decisão invicto. Na fase de grupos, os santistas
conquistaram duas vitórias e um empate. Já na segunda fase, o Peixe
passou por Náutico (5 a 1). Nas oitavas e quartas de final a equipe se
classificou nos pênaltis. Vaga conquistada diante do Grêmio Osasco-SP (1
a 1 no tempo normal e 4 a 3 nos pênaltis) e Audax-SP (novo 1 a 1 e 4 a 3
nas penalidades). Ao todo, a equipe de Claudinei Oliveira foi às redes
adversárias por 11 vezes e sofreu apenas cinco gols.
Está é a quarta vez que a equipe da Vila Belmiro chega à decisão. O
clube tem um título, conquistado em 1984, e dois vices – em 1982 e 2010.
Neilton e Bruno Dybal disputam jogada no primeiro tempo do clássico (Foto: Alex Silva / Ag. Estado)
Nervosismo e Peixe em vantagem
A semifinal entre Palmeiras e Santos começou em exagerado clima de
tensão, com os dois times abusando das faltas. Mas o nervosismo que mais
chamou atenção foi coletivo. Nenhuma das duas equipes apresentou um
esquema tático organizado ou conseguiu construir jogadas conscientes. A
maioria dos lances saiu em roubadas de bola ou erro dos adversários.
A pressão exagerada ficou evidente em dois lances do Palmeiras.
Vinícius e Edílson, dentro da área, se enrolaram com a bola e perderam
jogadas que poderiam levar perigo ao gol defendido por Gabriel
Gasparotto.
Com o passar do primeiro tempo, o Santos passou a explorar trocas de
passes de primeira em jogadas de velocidade. Em um momento de leve
superioridade, o time da Baixada Santista abriu o placar. Neilton foi
derrubado por Luiz Gustavo dentro da área, e o árbitro Thiago Luis
Scarascati marcou pênalti. O próprio atacante foi para a cobrança e, com
direito a corridinha para a bola parecida com a de Neymar, marcou para o
Peixe, aos 26 minutos. Na sequência, Narciso sacou o defensor
palmeirense para a entrada de Gabriel Dias.
As coisas não mudaram muito após o gol santista. O Palmeiras seguiu
errando muitos passes no meio e, assim, não conseguiu criar as jogadas
para marcar. Por isso, o Verdinho abusou dos chutes de fora da área que
pouco levaram perigo para Gasparotto. Vinícius, destaque da equipe nas
últimas partidas, quase não apareceu pela esquerda.
Depois do pênalti, o jogo ficou ainda mais brigado. Os dois times
cometeram muitas faltas duras, e ambos os treinadores saíram reclamado
da arbitragem.
Neilton comemora o segundo gol do Peixe contra o Palmeiras (Foto: Levi Bianco / Ag. Estado)
Em noite de 'Neymar', Neilton desequilibra
O Palmeiras voltou para a segunda etapa com a necessidade de crescer na
partida para buscar o empate. Mas não teve tempo de se ajeitar em campo
quando sofreu o segundo gol. Após jogada dentro da área, Léo Cittadini,
um dos destaques do Peixe na campanha, conseguiu passe para Neilton
marcar, com menos de dois minutos.
Depois disso, o Verdinho tentou se arrumar em campo. Mas seguiu errando
passes e passou a tentar os lançamentos diretos entre a defesa e o
ataque. Assim, os zagueiros alvinegros não tiveram dificuldades para
levarem vantagem diante dos palmeirenses.
Ainda com dificuldade na criação, o time da capital 'achou' o gol que
renovou os ânimos. Após roubada de bola, Chico, pela direita, colocou na
cabeça de Edílson. O meia subiu sozinho, testou firme no ângulo e
diminuiu aos 11 minutos.
Após o gol, o Palmeiras cresceu na partida. O nervosismo que marcou
toda a primeira etapa e o início da segunda deu lugar a um toque de bola
envolvente que dificultou a vida dos santistas. Estes, por sua vez,
contaram com a cadência de Léo Cittadini para tentar acalmar um pouco a
partida, que passou a ficar tensa pelos lados do alvinegro. O Peixe
ainda arriscou chutes de fora da área com o próprio meia e com Neilton
que levaram perigo para Walter.
Mesmo um pouco atrás, aos 22, o Peixe ampliou o placar com Neilton, mas
o árbitro marcou impedimento na jogada. Se um pouco antes ele estava
irregular no lance, três minutos depois o atacante marcou para valer, um
golaço. Deu um balão no zagueiro dentro da área antes de concluir,
ampliando a vantagem para o Santos.
Em um momento que parecia que o Palmeiras não teria mais forças para
reagir, João Pedro apareceu dentro da área e, aos 30 minutos, entrou de
carrinho para colocar novamente a equipe na disputa pela vaga. Porém, a
reação alviverde parou por aí. Melhor para o Santos, ainda mais para
Neilton, o novo queridinho entre os Meninos da Vila.
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/Copa-SP-de-futebol-junior/noticia/2013/01/la-neymar-neilton-marca-tres-e-coloca-o-santos-na-final-da-copinha.html