quinta-feira, 5 de julho de 2012

Riquelme anuncia que está de saída do Boca Juniors: 'Eu me sinto vazio'

Craque, 34 anos, faz declaração de amor ao clube, mas diz que não tem mais o que somar à equipe xeneize. Futuro ainda não está definido

Por GLOBOESPORTE.COM São Paulo

Riquelme confirmou após a derrota para o Corinthians na final da Libertadores o que já era especulado antes da partida: ele não vai mais jogar pelo Boca Juniors. Emocionado, o jogador, de 34 anos, revelou que já informou à diretoria sobre sua decisão.

- Disse ao presidente e a meus companheiros que não vou continuar no clube. Eu me sinto vazio, dei tudo o que tinha ao clube. Eu amo esta equipe, nasci e vou morrer Boca, mas não posso jogar pela metade. Amo este clube e estou agradecido - declarou.

Riquelme e Tite, Corinthians x Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli  / Globoesporte.com)Riquelme cumprimenta o técnico Tite após a final da Libertadores (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
 
Riquelme disse ainda que seu futuro vai depender da vontade de seu filho, que tem nove anos de idade.

- Vou falar com meu bebê e, se ele quiser me ver jogar, vou ver o que decido. Mas não posso neste clube - finalizou.

Com a camisa do Boca, Riquelme conquistou seis títulos argentinos, três Libertadores, uma Recopa Sul-Americana e um Mundial de Clubes. Ele defendeu o clube entre 1996 e 2002, quando se transferiu para o Barcelona. De lá, rumou ao Villarreal, onde ficou até 2007, quando retornou ao Boca por empréstimo. Depois de mais uma breve passagem pelo Villarreal, Riquelme chegou de volta ao Boca em 2008 e, desde então, não saiu mais do clube.

FONTE:
 http://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-argentino/noticia/2012/07/riquelme-anuncia-que-esta-de-saida-do-boca-juniors-eu-me-sinto-vazio.html

Vai, Corinthians! Sheik decide contra o Boca, e a Libertadores é alvinegra

Emerson faz dois gols no segundo tempo contra um adversário inofensivo e eterniza seu nome, dos companheiros e de Tite na história do Timão

A CRÔNICA
por Alexandre Lozetti

Vai, Corinthians! Vai para as ruas, vai para o abraço do torcedor que te ama, vai para o pódio, vai levantar a taça que você tanto sonhou... Vai atravessar o mundo. Vai para o Japão!
Cássio, Alessandro, Chicão, Leandro Castán, Fábio Santos, Ralf, Paulinho, Alex, Danilo, Jorge Henrique, Emerson, Julio Cesar, Danilo Fernandes, Welder, Marquinhos, Wallace, Ramón, Willian Arão, Ramírez, Douglas, Romarinho, Gilsinho, Willian, Elton, Liedson e Tite. Nomes que não vão constar em livros de História, mas estarão eternamente dentro dos corações e da memória de milhões de pessoas, que ensinarão aos filhos e netos quem foram eles, e o que foi o 4 de julho de 2012 para a nação corintiana. O dia da libertação. O dia da Libertadores.

A vitória por 2 a 0, na noite desta quarta-feira, no Pacaembu, sobre o gigantesco Boca Juniors, de tradições e glórias mil, de seis títulos sul-americanos, torna ainda mais gigantesca a conquista inédita. E mais: de forma invicta, algo que só um time brasileiro havia conseguido - o Santos de Pelé, em 1963. A taça da Libertadores, enfim, tem uma plaquinha do Corinthians.

O triunfo final sobre os argentinos selou a campanha com identidade. De um time sem estrela, que não se assustou com placares adversos, rivais tradicionais ou craques do outro lado. Que não se pressionou por nada e encontrou o equilíbrio (palavra idolatrada por Tite) entre lutar a cada centímetro de grama pela Libertadores sem tratá-la como um campeonato do outro mundo.
De 6 a 16 de dezembro, o Corinthians tentará o bicampeonato mundial. Dessa vez, sem convite, sem a chance de enfrentar um brasileiro na final e tendo que ir ao Japão. Bem diferente de 2000, quando bateu o Vasco na decisão, no Maracanã. Um mundial para ninguém botar defeito. Monterrey (MEX), Auckland City, da Nova Zelândia, e o poderoso Chelsea (ING) já estão classificados para a competição no fim do ano.

Emerson, Corinthians x Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli  / Globoesporte.com)Emerson bate e abre o placar contra o Boca Juniors (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
Mais luta do que futebol
O Corinthians entrou em campo invicto na Libertadores. O Boca Juniors foi ao Pacaembu sem ter perdido nenhum jogo fora de casa. Jogaço? Lutaço! Os primeiros minutos fizeram inveja a Anderson Silva e Chael Sonnen. Soco de Chicão em Mouche, empurrão de troco, tapa de Erviti em Paulinho... Mais tarde, ainda haveria exibição de "El Tanque" Santiago Silva, com cotovelada em Castán e tentativa de imobilização em Ralf.

Futebol mesmo apareceu pelos pés de Sheik. Com velocidade, ousadia e toques rápidos, o camisa 11 era quem menos tinha medo da decisão. Ousadia que provocou o maior drama do primeiro tempo: um choque entre Somoza e o goleiro Orion.

O camisa 1 do Boca caiu por três vezes no chão e não suportou a dor. Saiu aos prantos, consolado pelo técnico, o ex-goleiro Julio César Falcioni. E por ironia do destino, o reserva Sosa, pouco mais de um ano depois, voltou ao Pacaembu. Era ele o goleiro do Peñarol (URU), que perdeu a final da Libertadores de 2011 para o Santos.

Alex não confiou nem em Orion nem em Sosa. Tentou quatro finalizações de fora da área, sem sucesso. Do outro lado, Riquelme, que antes do jogo tomava água e gargalhava, foi só rascunho do grande jogador que entrou para a história. Era constrangedor seu esforço, em vão, para correr e achar os companheiros, limitados tecnicamente. Fim de primeiro tempo com a certeza de que o segundo não poderia ser pior.

Emerson comemora gol do Corinthians contra o Boca Juniors final (Foto: AP)Emerson comemora gol do Timão  (Foto: AP)
Sheik para a história

O empate levaria o jogo para a prorrogação, e Riquelme, que mal conseguia jogar 90 minutos, parecia querer disputar 120. Rolou no chão, demorou para cobrar escanteio, mexeu com o equipamento dos fotógrafos e fez falta digna de jogador juvenil. Na cobrança, a bola esperou por um toque consciente, que veio do calcan
har de Danilo. Sheik, no lugar certo, na hora certa, fuzilou Sosa e deixou o Pacaembu em êxtase.
A vantagem expôs ainda mais a limitação do Boca. Riquelme, em atuação de dar pena, não criou nada. O único recurso, mesmo depois que Falcioni colocou o atacante Cvitanich no lugar do meia Ledesma, eram os cruzamentos. Os argentinos abriram o meio e se cansaram, cenário dos sonhos para o Corinthians garantir o título invicto (oito vitórias e seis empates).

Mouche, sozinho, teve a única boa chance dos visitantes durante o jogo. Cabeceou nas mãos de Cássio. Uma caridade do atacante para que o goleiro, brilhante no mata-mata, pudesse aparecer na decisão. Riquelme, de 34 anos, não era o único "velhinho" cambaleante em campo. Schiavi, aos 39, errou passe fácil no campo de defesa. Deu nos pés de quem não poderia dar.
 Daquele que nasceu para ser vencedor. Tricampeão brasileiro nos últimos três anos, Emerson arrancou para a glória definitiva. Deixou Caruzzo para trás como se o rival nem existisse e tocou com categoria. Não parou de correr nem na comemoração, quando foi perseguido pelo preparador físico Fábio Mahseredjian, outro craque desse título.

Daí para frente foi só festa. O Boca não tinha mais o que fazer, e os "antis" já nem secavam mais. A torcida orgulhosa por ter sido fiel e Fiel na Libertadores, viajou por alguns segundos. Lembrou-se do vacilo de Guinei, da cobrança de pênalti de Marcelinho Carioca, do "pega, pega" do Morumbi, do gol de Vágner Love e de ter descoberto quem era o Tolima. Exemplos que invertem a letra do hino. Teu passado é uma lição. Teu presente, uma bandeira.

Enquanto os adversários terão de pensar em novas brincadeiras a partir de agora, a torcida grita "É campeão!". Duas palavras que valem mais do que todas escritas acima.

Time do Corinthians posado (Foto: Marcos Ribolli  / Globoesporte.com)Foto para a história: o time campeão da Libertadores (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte.com)
FONTE