quinta-feira, 24 de maio de 2012

De virada, Coxa goleia o Vitória e vai à semifinal da Copa do Brasil

Leão sai na frente, mas o Coritiba faz valer o fato de jogar em casa e constrói triunfo ainda na etapa inicial. Adversário agora é o São Paulo


A CRÔNICA
por Gabriel Hamilko

Pela terceira vez em quatro anos, o Coritiba está na semifinal na Copa do Brasil. Após o empate sem gols no jogo de ida, em Salvador, o Coxa goleou o Vitória por 4 a 1, de virada, na noite desta quarta-feira, no Couto Pereira, gols de Everton Costa (dois), Roberto e Everton Ribeiro. Marquinhos abriu o placar para o Rubro-Negro baiano.

O adversário alviverde por um lugar na decisão será o São Paulo, que avançou ao empatar em 2 a 2 com o Goiás, no Serra Dourada - na primeira partida, em São Paulo, vitória tricolor por 2 a 0. Os duelos semifinais acontecem nos dias 13 e 20 de junho, e a CBF vai definir os mandos de campo em sorteio.

O Coritiba tem compromisso já no próximo domingo, às 16h (de Brasília), contra o Botafogo, em casa, pelo Campeonato Brasileiro. O Vitória só volta a campo na terça-feira, contra Criciúma, no Heriberto Hulse, às 21h50m, pela Série B.

Éverton Costa gol Coritiba (Foto: Euler Andrey / Ag. Estado)Everton Costa fez dois na goleada coxa-branca, no Couto Pereira (Foto: Euler Andrey / Ag. Estado)
 
Coxa se desencontra, mas vira
As duas equipes começaram com o mesmo esquema tático, 4-2-2-2, e foi o Coritiba que assustou primeiro. Na primeira chance, o meia Everton Ribeiro saiu em velocidade no contra-ataque e tocou para o lateral Ayrton, que, sozinho, errou o alvo. O Vitória tentava mais pela lado direito, com apoio dos meias Pedro Ken e lateral Uelington, e jogava em cima dos erros de ligação do Coxa. E foi assim que o Leão abriu o placar, após boa roubada de bola de Pedro Ken. No cruzamento da esquerda, o atacante Marquinhos ganhou da zaga e mandou para o fundo da rede, aos 26 minutos.

dar rebote. O empate alviverde, no entanto, não demorou dois minutos. O time baiano parou um contragolpe com falta, pelo lado direito. O lateral Ayrton cobrou na cabeça do atacante Everton Costa, que não desperdiçou e igualou o placar.

A defesa do Coritiba ainda dava muitos espaços e propiciava boas chances para o Vitória criar jogadas e tentar o segundo. Neto Baiano quase marcou, quando deu um leve toque e tirou de Vanderlei. Por outro lado, o Coxa dependia das ligações diretas, sempre abafadas pela zaga do Leão. Quando o anfitrião colocou a bola no chão, Sergio Manoel tocou para Everton Ribeiro, que arrumou e foi derrubado pelo zagueiro Rodrigo. Pênalti que o próprio Everton cobrou para virar o placar, aos 43.

Alviverde adminstra vantagem e define vaga
O Coritiba voltou com uma alteração no meio-campo. O técnico Marcelo Oliveira tirou Renan Oliveira, que pouco fez no jogo, e colocou Lincoln. Pela necessidade, o Vitória foi para cima e deixou o jogo mais aberto. Para dar mais poder no ataque, Carpegiani trocou um lateral por um atacante: Léo entrou, e Dinei saiu.

Porém, o Leão continuou impotente diante dos contra-ataques alviverdes - que não funcionaram no Barradão. Após três cruzamentos na área coxa-branca, o time saiu em velocidade, Lincoln não foi fominha e inverteu a jogada para Roberto, que desta vez marcou e aumentou a vantagem coxa, aos 17 minutos.

Com mais uma mudança no placar, novas alterações nos dois times. No Vitória, Carpegiani colocou o quarto atacante: Rildo no lugar de Pedro Ken. No Coxa, Marcelo Oliveira tirou Everton Ribeiro e lançou Vinicius. O Vitória perdeu o fôlego, e o Coxa seguiu melhor.

Anderson Aquino entrou no lugar de Roberto. Entre os 35 e 40 minutos, o Coxa teve dois gols anulados por impedimento, após Everton Costa balançar as redes. Na terceira chance, ele deu o gostinho de goleada e fez após o goleiro Gustavo Para explodir de alegria os 13.894 torcedores pagantes, para uma renda de R$ 182.354.
FONTE:
http://globoesporte.globo.com/jogo/copa-do-brasil-2012/23-05-2012/coritiba-vitoria.html

Com Tite 'louco' e gol de Paulinho, Timão vence o Vasco e está na semi

Expulso, técnico se junta à torcida nas numeradas, vê Diego Souza perder gol feito e volante decidir classificação quase no último minuto da partida
 
A CRÔNICA
por Alexandre Lozetti

Faltam quatro jogos. 360 minutos. A contagem regressiva do bando de loucos para o título da Libertadores está menor. Um bando que recebeu até o reforço do técnico Tite para comemorar o gol redentor de Paulinho. Gol que decretou a vitória do Corinthians por 1 a 0 sobre o Vasco, afastou um fantasma de outros tantos anos, fantasma que quase encarnou em Diego Souza, mas que foi exterminado pela cabeça do volante, um dos melhores jogadores deste time vitorioso.
Em jogo tenso, dramático, disputado da forma mais digna por todos que estiveram em campo, um gol aos 42 minutos do segundo tempo deixou o Pacaembu em êxtase. Tite, que havia sido expulso, não deixou de comandar a equipe. Juntou-se à Fiel, chamou Liedson e Willian até o alambrado para dar instruções e deu recados que passavam por três bocas até chegar aos seus jogadores. Classificação inesquecível, assim como a eliminação do Vasco, que viu Diego Souza partir sozinho do meio de campo em direção ao gol, mas parar em sua incompetência e no tamanho de Cássio, que se agigantou à sua frente.

O Corinthians só saberá o adversário da semifinal após os resultados desta quinta-feira. Se o Santos reverter a vantagem do Vélez (ARG), que venceu por 1 a 0 em Buenos Aires, haverá um clássico paulista. Mas se os argentinos saírem da Vila Belmiro classificados, vão cruzar com o Boca Juniors, pois o regulamento força encontros de equipes do mesmo país até a semi. Nesse caso, o Timão enfrentará o vencedor do confronto entre Universidad (CHI), que joga em casa e pode até empatar sem gols, e Libertad (PAR).

Beleza em cada gota de suor
Os fãs de dribles e lances espetaculares não devem ter ficado felizes com o primeiro tempo. Mas quem consergue enxergar beleza em cada gota de suor deixada no gramado ficou satisfeito. Respeito pelo adversário e medo de sofrer um gol decisivo se misturavam, e faziam os jogadores pensarem duas vezes antes de arriscar um chute, os goleiros preferirem socar a bola do que arriscar segurá-la.

Espetáculo mesmo deram os torcedores corintianos. Com mosaico e cumprindo o roteiro de músicas distribuído na véspera, fizeram barulho ensurdecedor no Pacaembu. Só não conseguiram abalar o Vasco, liderado pela experiência de Juninho. Em campo, a ausência de um centroavante causou dificuldade ao anfitrião. Enfiado entre os zagueiros, Alex não rendia. Quando ele tentava buscar o jogo no meio, faltava a referência para as tabelas. Por isso o Timão insistiu pelas laterais. Numa dessas jogadas, a bola sobrou para chute de Emerson, desviado providencialmente pela defesa.
Eram tanta vontade, tanta entrega e tantos carrinhos que as faltas se tornaram inevitáveis. Bom para quem tem Juninho no time. Na primeira chance, Cássio rebateu mal, para o meio da área, e deu sorte da bola ter batido em Alecsandro, e não o contrário. Na segunda, o Pernambucano mirou o ângulo e errou por pouco. Eder Luis foi o mais acionado e errou muito, além de ter protagonizado lance infantil com Jorge Henrique. Após troca de palavras nada cordiais, o corintiano, sem razão e imprudente, encostou sua cabeça na do vascaíno, que desabou como se fosse atingido por uma bala de canhão. Leandro Vuaden acabou com a gracinha de ambos com cartões amarelos.

Coube a Paulinho e Fernando Prass o lance de maior emoção na primeira etapa. O volante subiu mais do que parecia ser possível no meio da área e cabeceou bem, mas o goleiro, com direito a pose para os fotógrafos, salvou os cariocas. O melhor estava por vir...

Drama até o fim
No primeiro minuto do segundo tempo, o camisa 10 Diego Souza dava um carrinho quase na linha de fundo defensiva para evitar um escanteio. Isso e as mesmas formações dos times mostravam que o tom do espetáculo seguiria dramático, mais suado do que vistoso.
Os minutos corriam no mesmo passo em que tensão dominava o Pacaembu. Depois de Renato Silva errar mais uma saída de bola, o Vasco passou a optar pela famosa bola de segurança, popularmente conhecida como "bicão pra frente".
Tensão que chegou até ao polido Tite. Ao ver Vuaden não marcar falta em cima de Paulinho e, em seguida, dar cartão amarelo a Emerson, que impediu a progressão do rival, o técnico exagerou na dose da reclamação e foi expulso. Sem ninguém para falar muito no banco, Diego Souza teve a chance do tempo, do jogo, da vida do Vasco na Libertadores. O meia interceptou chute de Alessandro no meio de campo e disparou sozinho contra Cássio. Os olhos de mais de 35 mil pessoas estavam arregalados, à espera do confronto, como se fosse um duelo medieval. O chute de pé direito foi fraco e possibilitou o desvio do goleiro, que teve seu nome cantado em tom de agradecimento, alívio e devoção. Para aumentar o drama, na cobrança de escanteio, Nilton acertou o travessão.

A certeza de que cada gol sofrido seria fatal atingiu se instaurou de vez, mas os donos da casa cumpriram seu papel de tentar o gol. O Timão sufocou o Vasco em seu campo, em sua área. O chute de Emerson na trave, após desvio de Prass, deixou o bando de loucos engasgados com o grito de gol.
Grito que só sairia após cobrança de escanteio. Paulinho subiu muito de novo e, dessa vez, Fernando Prass não teve como evitar. Tite, nas numeradas, foi ao delírio. A nação alvinegra foi ao delírio. Com a cara que o Corinthians gosta de ostentar, de drama, o time já repete a melhor campanha da história da Libertadores. Mas dessa vez, tem certeza de que pode superá-la.

FONTE:
http://globoesporte.globo.com/jogo/libertadores-2012/23-05-2012/corinthians-vasco.html