quinta-feira, 20 de março de 2014

Jayme diz que gol desestruturou Fla e cobra 'erro zero' na final com o Emelec

Técnico critica estado do gramado e revela que pediu para equipe não se abrir após gol do Bolívar. E elogia segundo tempo, mas lamenta falta de eficiência para marcar

Por Direto de La Paz, Bolívia


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O técnico Jayme de Almeida encarou sem desespero a derrota para o Bolívar na noite desta quarta-feira, em La Paz. Mesmo com o Flamengo na lanterna do Grupo 7, o comandante foi sereno nas primeiras avaliações e evitou culpar o zagueiro Samir, que cometeu o pênalti decisivio após um escorregão. Para ele, o campo e a postura de seu time contribuíram para o resultado.
- Não esperávamos tomar um gol daquela maneira, mas não tem culpado, faz parte do jogo, o campo estava meio irregular, ele (Samir) falseou o pé e acabou fazendo o pênalti. Isso mudou completamente a nossa forma de jogar. Tentamos continuar, pedi para não se abrirmos muito, mas demos espaço para o Bolívar, o jogo ficou a mercê deles. No segundo tempo fizemos o combinado, jogando mais agrupados, tivemos oportunidades, mas infelizmente não fizemos.

Jayme de Almeida, Bolivar x Flamengo (Foto: AP) 
Jayme de Almeida orienta o time em vão na 
derrota na altitude que complicou o 
Flamengo (Foto: AP)

Jayme ainda reconheceu que, no fim das contas, foi o gol sofrido que atirou por água abaixo.

- A pressão do Bolívar foi normal, estão acostumados com a altitude e fazem pressão o tempo inteiro. Sabíamos que a nossa estratégia era retardar o máximo o ritmo deles, mas aquele gol desestruturou um pouco.


Agora, o Rubro-Negro precisa vencer Emelec, fora de casa, e León, no Maracanã, nas últimas duas rodadas para se classificar às oitavas de final. Uma derrota põe tudo a perder.
Confira outros trechos da entrevista:
Esperança

- Futebol é 11 contra 11. Na Libertadores, todos os jogos são difíceis. Vamos jogar com o Emelec e depois disputar uma final em casa. Esse jogo (no Equador), que vai tirar ou não é esse. Vamos lutar lá e decidir em casa a classificação. Ninguém está fora nem dentro. Todo mundo tem chance.

Substituições

- O Paulinho foi para dar mais velocidade. Em duas jogadas dele, quase fizemos o gol. Só isso já explica. O Mugni entrou porque o Carlos Eduardo cansou. Queria que ele fizesse aquela ligação do meio com o ataque. O Alecsandro foi no fim do jogo para tentar uma bola na área. O André Santos estava cansado e na altitude havia vários jogadores cansados. Tirei ele quando achei que deveria. 


Não gosto de falar isso, mas a realidade é que na Libertadores o Flamengo tem sofrido alguns gols não por mérito do adversário. Acho que pode se concentrar mais. Essa quantidade de equívoco tem que acabar. Isso pesa no resultado. É erro zero. Vamos torcer para que na decisão com o Emelec não aconteça isso para que a gente tenha uma oportunidade maior de vencer"
Jayme de Almeida, sobre erros individuais

Pressão
 - A gente sabia que teria pressão e seria forte. Não faltou atitude. Foi um lance infeliz do nosso menino, que já fez jogos fantásticos. Nosso time sentiu o primeiro gol e nossa estratégia foi por água abaixo logo cedo. No segundo tempo, fomos mais fortes, jogamos agrupados. Corremos, lutamos o tempo inteiro, mas perder não é bom. Fizemos um segundo tempo, pelo menos, à altura do campeonato. Talvez, tenha faltado contundência no primeiro tempo.

Erros individuais
- Não gosto de falar isso, mas a realidade é que na Libertadores o Flamengo tem sofrido alguns gols não por mérito do adversário. Acho que pode se concentrar mais. Essa quantidade de equívoco tem que acabar. Isso pesa no resultado. É erro zero. Vamos torcer para que na decisão com o Emelec não aconteça isso para que a gente tenha uma oportunidade maior de vencer.

Samir

- Não é falha. Foi um problema do campo, que estava irregular naquele ponto.

Ausência de Elano

- Infelizmente, ele sentiu uma lesão. Jogou pouco nos últimos três meses no Grêmio e ficou complicado nesse começo de temporada. Mas não foi nada tão grave que não possa estar no jogo do Emelec.


FONTE:
http://globoesporte.globo.com/futebol/times/flamengo/noticia/2014/03/jayme-diz-que-gol-desestruturou-fla-mas-nao-aponta-culpado-faz-parte.html

Escorregão dá vitória ao Bolívar e empurra Fla para lanterna do Grupo 7

Em campo molhado, derrapada decisiva de Samir faz Rubro-Negro perder por 1 a 0 nos 3.600m de La Paz e ver classificação às oitavas ficar difícil

A CRÔNICA 
 
por GloboEsporte.com
 
Viagem duas horas antes do jogo, cilindro de oxigênio no banco de reservas... A preocupação com a altitude de 3.600m de La Paz, na Bolívia, era tanta que o Flamengo esqueceu de um outro detalhe: o campo molhado virou o algoz da vez num histórico recente de decepções rubro-negras na Libertadores. Muralha escorregou uma vez, Samir, três. Numa delas perdeu a bola e cometeu o pênalti que deu a vitória ao Bolívar por 1 a 0, na noite desta quarta-feira. Gol de Arce, ex-Corinthians. O resultado que mantém os 31 anos de invencibilidade dos bolivianos em casa contra brasileiros e em jogos pelo torneio. E empurrou o Fla para a lanterna do Grupo 7.


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Após os quatro pontos conquistados nos dois jogos com o Flamengo, o Bolívar foi a cinco e trocou o último lugar da chave pela terceira posição. De quebra, ainda empurrou os brasileiros para a lanterna, com quatro pontos. A liderança agora é dos mexicanos do León, que nesta quarta bateram em casa o Emelec, do Equador, por 3 a 0, e chegaram a sete pontos. Os equatorianos vêm logo abaixo, com seis.

No Fla, ninguém precisou do cilindro de oxigênio. Mas se sobrou ar, faltou gás. O time foi mero espectador no primeiro tempo e só construiu jogadas na etapa final, a partir da entrada de Paulinho. Enquanto teve fôlego, criou momentos de perigo que pararam no goleiro Quiñonez. E o placar apertado não impediu a torcida boliviana de gritar "olé" no fim.

Após o jogo, o zagueiro Wallace mostrou estar ciente daquilo que o time precisa: vencer seus últimos dois compromissos para chegar à classificação. A vaga com um empate e uma vitória é possível, mas muito improvável.

- Não adianta, temos que chegar aos dez pontos. Acabamos tomando gol na fatalidade... É corrigir os erros e ter paciência.

O próximo compromisso do Flamengo na Libertadores também será fora de casa: no dia 2 de abril, vai ao Equador encarar o Emelec. Antes, porém, joga pelo estadual contra a Cabofriense, neste domingo, no Maracanã, pela última rodada da Taça Guanabara. Já o Bolívar joga antes, no dia 27 de março, contra o León, no México.

Bolivar x Flamengo (Foto: EFE) 
De pênalti, Arce dá a vitória ao Bolívar sobre o 
Flamengo em La Paz (Foto: EFE)
 
Apático, Fla vira vítima da água
Além do ar rarefeito e do frio, a altitude tem nos chutes de longa distância, pela velocidade que a bola toma, outra arma perigosa contra times do nível do mar. E o Bolívar sabe bem disso. Com menos de um minuto de jogo, Miranda deu o primeiro susto em Felipe. E enquanto o Flamengo se precavia para evitar dar espaços para finalizações, acabou vítima de uma artimanha comum do futebol e que não tem nada a ver com os 3.600m de La Paz: o campo molhado antes da partida. Numa jogada totalmente sob controle, Samir escorregou na área, perdeu a bola e derrubou Ferreira. Pênalti muito bem cobrado por Arce, batida forte, no alto e no meio do gol. Placar de 1 a 0 com apenas quatro minutos de jogo.

O zagueiro xodó da torcida rubro-negra foi o único que não se habituou ao gramado pesado. Ele escorregou outras duas vezes e levou uma bronca de Léo Moura. Ficar de pé virou outra preocupação, enquanto fechar os espaços estava difícil. Na movimentação, os rubro-negros eram facilmente superados pelos bolivianos. Deu até para invadir a área à base de tabelas. Numa delas, Capdevilla entrou sozinho pela esquerda e só não ampliou o marcador porque não teve a perna direita para finalizar. Os tais chutes de longe, o Fla só tentou duas vezes com Gabriel e Muralha, sem nenhuma pontaria. A melhor chance da equipe foi um passe recuado da defesa que o goleiro Quiñonez demorou a perceber e por pouco não evitou o gol contra.

Arce e Samir, Bolivar x Flamengo (Foto: AFP) 
Autor do gol, Arce é marcado por Samir, xodó 
da torcida que teve dia de vilão 
com escorregão (Foto: AFP)
 
Paulinho melhora o Fla, mas Bolívar dá 'olé'
O time inteiro do Flamengo estava apático, e Jayme de Almeida resolveu mexer sem mudar o esquema tático: trocou a velocidade de Gabriel pela de Paulinho. Na teoria, nenhuma mudança. Mas na prática... o Fla melhorou. O atacante passou a flutuar pelos dois lados do campo, e logo de cara passou por três marcadores na entrada da área, só que a rapidez dos bolivianos para recompor a defesa foi maior que a do brasileiro. Aos 13 minutos, Gutiérrez salvou na primeira jogada trabalhada do Fla em toda partida. Com Carlos Eduardo, Paulinho, André Santos e o cruzamento certeiro para Hernane intrceptado no último instante. Quatro minutos depois, Carlos Eduardo achou Paulinho livre na área, mas o chute do atacante parou nas mãos do goleiro Quiñonez.
 
O Rubro-Negro tentava atacar sem se expôr. No setor ofensivo, Jayme trocou Carlos Eduardo por Mugni, que num lance de craque fez embaixadas na área, girou o corpo e marcaria um golaço não fosse de novo o goleiro Quiñonez. Na defesa, Samir conseguiu ficar mais em pé. Já Muralha escorregou num lance em que entrou forte em Callejón e correu o risco de ser expulso. Mesmo com o time superior na parte física, Azkargorta, técnico do Bolivar, colocou fôlego renovado em campo com três substituições antes dos 35. E Felipe se virava como podia lá atrás. O tudo ou nada de Jayme foi com Alecsandro no lugar de André Santos. Em vão. E a torcida boliviana ainda teve tempo de gritar "olé" nos minutos finais.


 
 
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